Sexta, 17 de Novembro de 2017

Juros sem culpa

24 JAN 2010Por 06h:41
Todo começo de ano é igual: as contas acumulam e os carnês de impostos da casa e do carro batem à porta. Para socorrer quem deixou de poupar para esses gastos extras, os bancos têm dinheiro rápido em até 60 meses — os juros são tão robustos quanto os prazos de pagamento. Porém, entre dever para o governo ou para o banqueiro, escolha o primeiro. “Tanto a prefeitura quanto o Governo do Estado não cobram juros altos e facilitam o pagamento. É melhor negociar com eles do que ‘afogar’ o caixa com empréstimos”, opina o economista Jorge Goya. Para fazer o empréstimo funcionar para você, use a regra do 3: três meses para pagar e 3% de juros ao mês, no máximo. Os valores dos empréstimos e os prazos variam de acordo com a instituição, e são destinados a pagamentos prioritários como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) — recolhido pelas prefeituras —, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) — sob responsabilidade dos governos estaduais —, mensalidades e materiais escolares, e tudo o que não couber no bolso. A vantagem dos órgãos públicos é cobrar juros menores quando o contribuinte se aperta e não paga os tributos em dia. Sem fins comerciais, as taxas não podem passar de 1% ao mês. Já os bancos têm aval para cobrar até 10% ao mês para dívidas em atraso, os temidos juros de moratória. Além dos juros mais leves, os governos anunciaram redução para pagamento à vista. Em Campo Grande, por exemplo, o desconto no IPTU é de 20% e o IPVA, em Mato Grosso do Sul, ficou até 11% mais barato do que em 2008, seguindo a redução em todo o País. De olho nestes descontos concedidos para pagamento à vista é que os contribuintes recorrem aos empréstimos. Porém, os juros podem azedar a estratégia. “Fazendo as contas dá para perceber que os juros podem anular o desconto, pois o dinheiro economizado no imposto muitas vezes não paga as taxas bancárias”, explica Goya, que lembra que as taxas de até 3% ao mês podem ser uma boa aposta para quem decidir pelo empréstimo. Calmas Ultimamente as taxas de juros têm se comportado, domadas pela taxa básica de 8,45%, estipulada pelo governo federal. Ainda assim, as empresas financeiras correm atrás de lucros altos, e quem tem para emprestar dita as regras. O contribuinte que decide lançar mão do empréstimo para resolver suas contas, deve ficar atento a essas taxas: quanto maior o prazo, mais salgadas elas ficam. “Para o pagamento de impostos, é melhor evitar empréstimos de longo prazo, para segurar os juros e não comprometer o orçamento”, recomenda o economista.

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