Sexta, 17 de Novembro de 2017

Juro rende 10 vezes mais ao banco do que para poupador

10 AGO 2010Por 04h:31
VERA HALFEN

O consumidor que faz empréstimo de R$ 1 mil em banco ou instituição financeira, pelo período de um ano, vai devolver mais de 60% do valor que retirou do banco. Por outro lado, se colocar o mesmo valor em caderneta de poupança, por exemplo, o rendimento não ultrapassa 6,5%, ao ano. Em valores, o financiamento de R$ 1 mil passa para R$ 1.633,97, enquanto a poupança fica em R$ 1.065,83. A diferença, em valores, entre o que o banco paga para remunerar o dinheiro do depositante e o que cobra para emprestar, é de quase dez vezes mais.
Em uma comparação prática, de acordo com cálculos elaborados pelo economista Sérgio Bastos, as diferenças de aplicações e empréstimos entre os bancos A e B, são relevantes. Uma aplicação financeira de R$ 1 mil em 12 meses, no período de 1º de julho de 2009 a 30 de junho de 2010, apresentaria rendimento de R$ 65,83, se aplicado em caderneta de poupança, e R$ 147,78 se aplicado em fundos de investimento. “Caso o cidadão precise emprestar este mesmo valor do banco, na modalidade crédito pessoal pagará, no período de um ano, o valor de R$ 1.331,95 para o banco A e R$ 1.633,97 para o banco B.
A disparidade deve-se às taxas de juros. Enquanto os juros para financiamento variam entre 2,4% e 4,4%, a poupança (junho) remunera 0,60% em média. A diferença entre os juros que a instituição cobra e o que ela paga pelo dinheiro que arrecada, é significativa. Esta é uma polêmica que vem se arrastando há vários anos. Por mais que o Banco Central procure reduzir o spread bancário, parece não estar surtindo efeito.
Para Bastos, a variação das taxas de juros entre as financeiras é outro ponto a ser considerado. “No período pesquisado de julho de 2009 a junho deste ano, o custo de captação de recursos pelos bancos – basicamente quanto o banco paga pelo recurso emprestado, por meio de aplicações financeiras – principalmente caderneta de poupança e fundos de investimento, tiveram as máximas de 0,6056% em julho do ano passado (poupança) e 0,75% em junho de 2010. Esta remuneração ao mês contrasta bastante com as taxas de juros para empréstimos pelos bancos”, explica.
De acordo com o Banco Central do Brasil, em 31 de julho deste ano, as taxas de juros de empréstimos a pessoas físicas – crédito pessoal prefixado (incluindo crédito consignado), apresentavam discrepância relevante, pois haviam bancos e financeiras que emprestavam por taxas de 1,16% a 25,55% ao mês. “De fato uma grande diferença entre as instituições financeiras”, observa o economista.

Spread
Spread é a diferença entre o quanto os bancos e instituições financeiras pagam de juros aos clientes que fazem aplicações e o índice dessas taxas cobradas por eles dos clientes que tomam dinheiro emprestado. Quanto maior o spread bancário, maior é o lucro que os bancos têm nas operações de crédito. É por conta disso que o spread bancário brasileiro, um dos mais altos do mundo, é criticado por economistas independentes, líderes sindicais, empresários e pelo governo – o dinheiro que poderia estar movimentando a economia é “engolido” pelos bancos.

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