Cidades

CONSUMISMO

Jovens brasileiros gastam maior parte da mesada com roupas e acessórios

Jovens brasileiros gastam maior parte da mesada com roupas e acessórios

Redação

13/10/2010 - 09h56
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Os gastos com a aparência representam a maior parte das despesas dos jovens. Pesquisa realizada pela TNS Research indicou que apenas roupas e acessórios levam R$ 65 por mês da mesada dos meninos e R$ 69 das meninas com idade entre 12 e 19 anos. Nas classes A e B, esse gasto mensal pode chegar a R$ 87.

Já as despesas dessa parcela da população com saúde e beleza, restaurantes fast food e diversão ficam, em média, R$ 34 – para cada uma delas. Já o transporte público consome, por mês, R$ 33, e com o celular eles gastam R$ 25.

O estudo afirma ainda que os jovens são cada vez menos influenciados pela propaganda e mais pela opinião de amigos e comunidades virtuais. Tomam decisões de compra tanto para itens de uso próprio como influenciam os pais na compra de produtos para casa – a exceção fica por conta de artigos de higiene básica, como sabonete, xampu ou pasta de dente.

Para o diretor comercial da TNS Research no Brasil, Jorge Kodja, o maior desafio para as empresas é entender o que agrada à nova geração de consumidores. “A regra número 1 do marketing para esse segmento é reconhecer a efemeridade de seu comportamento. Adolescente é imediatista, inconstante e levado pelas circunstâncias. Além disso, não gosta de ser estereotipado”, frisa Kodja.

Itens tecnológicos
No Brasil, o celular está nas mãos de oito em cada dez adolescentes, de acordo com a pesquisa, e continua aparecendo em primeiro lugar como o item tecnológico mais desejado. “Enviar SMS, tirar foto e ouvir música são as funções mais utilizadas por esse público. Apenas 4% utilizam o aparelho como forma de mídia para se atualizar com o que acontece no mundo”, acrescenta o estudo.

A pesquisa foi realizada em 24 países. No Brasil, foram entrevistados 1,5 mil adolescentes entre 12 e 19 anos das classes A, B, C e D, de nove regiões metropolitanas.
 

Operação Infiltrados

Delegado se apresenta após operação contra desvio de cocaína em Campo Grande

Operação Infiltrados apura esquema que teria retirado drogas de apreensões e até de depósitos de delegacias para devolvê-las ao tráfico; 26 ordens de prisão foram expedidas e agentes de três forças de segurança estão entre os alvos.

24/09/2026 16h57

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (24).

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (24). Foto: Sejusp.

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O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24), horas depois de não ter sido localizado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação Infiltrados, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul.

A apresentação do delegado é o mais recente desdobramento de uma operação que mobilizou as forças de segurança desde as primeiras horas desta quinta-feira e atingiu policiais civis, militares e penal suspeitos de participar de uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), utilizava a própria estrutura destinada ao combate ao crime para abastecer traficantes.

Ao todo, a Justiça expediu 24 mandatos de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e aprensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Terenos.

No primeiro balanço divulgado pelo MPMS, o Gaeco informou o cumprimento de prisões preventivas contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações apontam que o principal produto desviado seria a cocaína. De acordo com o Ministério Público, os agentes investigados teriam se aproveitado justamente do acesso que possuíam em razão das funções exercidas na segurança pública para retirar entorpecentes apreendidos e fazê-los retornar ao mercado ilegal. O esquema teria funcionado de pelo menos duas maneiras.

Em uma delas, a quantidade de droga efetivamente encontrada durante uma ocorrência seria superior àquela registrada oficialmente. A diferença, portanto, não apareceria nos documentos da apreensão e poderia ser desviada.

A segunda modalidade apontada pelo Gaeco é ainda mais direta: entorpecentes que já haviam sido formalmente apreendidos seriam retirados dos depósitos de delegacias.

Depois do desvio, segundo a investigação, a droga era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, responsáveis por recolocá-la em circulação.

Para o MPMS, policiais que tinham como atribuição combater a criminalidade teriam passado a atuar como fornecedores do próprio tráfico.

Até agora, o Ministério Público não informou oficialmente a quantidade total de drogas que teria sido desviada nem o valor movimentado pela organização.

Delegado não foi encontrado pela manhã

Um dos principais desdobramentos da operação ocorreu no início desta quinta-feira, quando equipes foram até a residência de Hoffman D’Ávila, no Carandá Bosque, em Campo Grande, para cumprir as determinações judiciais.

O delegado, porém, não estava no imóvel quando os agentes chegaram.

Durante a manhã, a defesa de Hoffman afirmou que ele não havia fugido e que não tinha conhecimento prévio da Operação Infiltrados.

O advogado Amilton Ferreira de Almeida sustentou que o cliente simplesmente não estava em casa no momento da chegada das equipes e afirmou que ele se apresentaria caso fosse necessário.

Horas depois, já durante a tarde, Hoffman se apresentou na Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande. Segundo informação obtida pelo Correio do Estado, após os procedimentos na Corregedoria, o delegado deverá ser encaminhado ao Garras, onde permanecerá preso até nova determinação judicial.

A previsão é de que Hoffman passe por audiência de custódia no sábado (26), quando a Justiça analisará a legalidade da prisão e a manutenção da medida cautelar.

A ausência levantou uma nova frente de apuração. Equipes buscaram imagens de câmeras de segurança para tentar estabelecer quando o delegado deixou a residência e esclarecer se poderia ter ocorrido algum vazamento de informações antes da deflagração da operação.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de que informações sigilosas da operação tenham vazado nem de que Hoffman soubesse antecipadamente que seria alvo.

Horas depois, já durante a tarde, o delegado se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil.

Hoffman tem uma trajetória profissional ligada justamente à repressão ao tráfico de drogas. Ele passou pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

As informações tornadas públicas até agora não detalham individualmente qual conduta é atribuída ao delegado dentro do esquema investigado.

Policiais já eram monitorados 

Outro elemento revelado ao longo desta quinta-feira é que parte dos servidores atingidos pela Infiltrados já estava no radar dos órgãos de controle da própria segurança pública.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os agentes investigados já eram acompanhados pelas respectivas corregedorias. A pasta afirmou ainda que três dos servidores alvos da investigação já haviam sido presos anteriormente e que outro havia sido desligado recentemente.

A secretaria não detalhou, na manifestação, quais são os três investigados que já haviam sido presos nem as circunstâncias de cada uma dessas prisões.

As corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar participaram da operação desta quinta-feira. O cumprimento das ordens judiciais também contou com apoio do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) acompanhou uma das diligências, realizada na residência de uma advogada.

Familiares de investigado também são presos

As diligências não ficaram restritas aos integrantes das forças de segurança.

Durante a operação, familiares de um homem identificado como Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, também foram alvos de ordens judiciais. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, mãe, esposa e irmãs do investigado foram presas no decorrer da operação.

LK já estava preso antes da deflagração da Infiltrados e aparece em investigação relacionada a drogas que teriam sido subtraídas por agentes públicos.

A participação individual dos familiares e as provas atribuídas a cada um deles deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação. As prisões decretadas nesta fase são medidas cautelares e não representam condenação definitiva.

Investigação começou há quase um ano

Embora tenha sido colocada nas ruas nesta quinta-feira, a Operação Infiltrados começou a ser construída há quase um ano.

Segundo o MPMS, a investigação específica teve início em outubro de 2025, depois da descoberta de provas durante outras duas operações do Gaeco: Traquetos e Blindspot.

A partir desses elementos, os investigadores chegaram à suspeita de que integrantes das forças de segurança poderiam estar envolvidos no desvio de drogas apreendidas.

Durante os meses seguintes, o Gaeco avançou sobre a possível estrutura da organização, os agentes envolvidos e os traficantes que receberiam os entorpecentes retirados das apreensões.

O próprio nome “Infiltrados” foi escolhido em referência à suspeita de que integrantes da organização criminosa estivessem inseridos em órgãos de segurança pública e utilizassem cargos, informações e estruturas criadas para combater a criminalidade em benefício dos crimes investigados.

Dia de buscas em Campo Grande 

Desde as primeiras horas da manhã, equipes foram vistas em diferentes pontos de Campo Grande.

Além da residência de Hoffman, houve diligências relacionadas a servidores lotados em diferentes unidades policiais. Técnicos de informática também participaram das buscas na casa do delegado, embora o material eventualmente apreendido no endereço não tenha sido oficialmente detalhado.

A dimensão da operação mostra que a investigação vai além de uma suspeita isolada de desvio de entorpecentes.

O Gaeco apura a existência de uma organização criminosa composta por agentes públicos e pessoas ligadas ao tráfico, com divisão de funções para retirar drogas do controle estatal e devolvê-las ao mercado clandestino.

A Operação Infiltrados permanece em andamento, e o MPMS ainda não apresentou a relação completa dos alvos, a quantidade de entorpecentes supostamente desviada, quais apreensões teriam sido fraudadas ou de quais depósitos de delegacias as drogas teriam sido retiradas.

Também deverá ser esclarecido o papel atribuído individualmente a cada policial e aos demais investigados no esquema.

Com a apresentação de Hoffman nesta tarde e o avanço do cumprimento dos mandados, a investigação entra agora em uma nova etapa, com análise do material apreendido e dos elementos reunidos pelo Gaeco ao longo de quase um ano de apuração.

Prevenção no Pantanal

Produtores atribuem queda de 77% nos incêndios do Pantanal à prevenção

Área queimada ficou 77,6% abaixo da média histórica em 2026; pecuaristas do Pantanal aponta manejo do fogo, atuação nas propriedades e investimentos em inteligência como fatores para redução

24/09/2026 16h16

Pantanal registrou redução de 77,6% na área queimada em 2026 na comparação com a média histórica entre 2012 e 2025.

Pantanal registrou redução de 77,6% na área queimada em 2026 na comparação com a média histórica entre 2012 e 2025. Foto: Agro Agência.

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O Pantanal registrou em 2026 uma redução de 77,6% na área queimada em comparação com a média histórica entre 2012 e 2025. Diante do recuo expressivo, produtores rurais atribuem parte do resultado ao avanço das ações preventivas nas propriedades, ao manejo técnico do fogo e ao fortalecimento da estrutura de monitoramento e combate aos incêndios.

Os números constam no Boletim do Fogo, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Conforme os dados apresentados, as chamas atingiram o equivalente a 0,84% do bioma no período analisado.

Para a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), o resultado reflete uma mudança na forma como o risco de incêndios passou a ser enfrentado no Pantanal.

A entidade defende que os produtores deixaram de atuar apenas no combate emergencial às chamas e passaram a assumir participação maior nas estratégias de prevenção.

Em conversa com o Correio do Estado, o diretor-executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, afirmou que a presença cotidiana dos produtores nas propriedades permite identificar características e riscos específicos de cada região do Pantanal.

“Quando falamos em prevenção, precisamos olhar para o Pantanal como um território vivo e complexo. O produtor rural está diariamente nesse ambiente, conhece suas particularidades e pode contribuir de forma decisiva para uma cultura permanente de cuidado e prevenção”, afirmou Oliveira.

A avaliação dos pecuaristas, porém, não atribui a redução dos incêndios exclusivamente à atuação dentro das fazendas.

A ABPO também aponta como fatores importantes a ampliação do Manejo Integrado do Fogo, os investimentos do poder público e o uso de sistemas de inteligência para antecipar áreas de maior risco.

Fogo usado para evitar grandes incêndios

Entre as estratégias que ganharam espaço está o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que inclui a realização de queimas prescritas e controladas.

A técnica consiste no uso planejado do fogo, sob condições específicas e acompanhamento técnico, para reduzir a quantidade de vegetação seca acumulada.

Esse material funciona como combustível e pode favorecer a propagação de incêndios de grandes proporções durante os períodos mais críticos de estiagem.

Segundo os dados apresentados pela ABPO, até o início de setembro de 2026 foram realizadas 53 ações de queimas prescritas e controladas no bioma, abrangendo aproximadamente 19,6 mil hectares.

Na prática, a estratégia busca eliminar de forma controlada parte do material combustível antes que as condições climáticas favoreçam incêndios de difícil contenção.

A medida representa uma mudança em relação a uma estratégia baseada exclusivamente na reação às ocorrências. Em determinadas áreas, o trabalho começa antes do período de maior risco, com identificação dos pontos vulneráveis e planejamento das intervenções.

Investimento e inteligência no combate

Paralelamente às medidas adotadas nas propriedades, o Estado ampliou a estrutura destinada à prevenção e ao enfrentamento dos incêndios florestais.

O bioma também contou com investimentos do Governo de Mato Grosso do Sul na estrutura de resposta aos incêndios, que saltaram de cerca de R$ 10 mil, em 2024, para quase R$ 20 milhões, em 2025.

Parte dessa estrutura está ligada ao Centro Integrado de Coordenação Estadual (Cicoe-MS), criado para reunir diferentes órgãos e permitir uma atuação coordenada diante dos incêndios.

O combate também passou a incorporar ferramentas de inteligência geoespacial. Entre elas está o Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas (Sifau), utilizado para identificar regiões com maior vulnerabilidade e orientar ações preventivas.

Informações meteorológicas produzidas pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) e alertas de outros sistemas de acompanhamento também integram o planejamento.

Com essas ferramentas, equipes conseguem identificar antecipadamente áreas de maior risco e direcionar recursos antes que eventuais focos se transformem em incêndios de grandes proporções.

Produtores defendem papel das propriedades

A ABPO também relaciona a redução dos incêndios ao manejo adotado dentro das propriedades pantaneiras.

A entidade mantém um protocolo de produção sustentável que estabelece critérios relacionados ao cumprimento da legislação ambiental, conservação da biodiversidade, proteção da água e do solo e manejo adequado das pastagens.

A avaliação é de que o cuidado permanente com essas áreas também pode contribuir para reduzir a disponibilidade de material combustível e facilitar ações de prevenção e combate.

Ao Correio do Estado, Guilherme Oliveira afirmou que a prevenção aos incêndios precisa ser incorporada ao planejamento de longo prazo das propriedades.

“Cuidar das pastagens, da água, da biodiversidade e das condições da propriedade é também compreender os riscos que existem no território. A prevenção precisa fazer parte dessa visão de longo prazo”, declarou.

A pecuária ocupa historicamente parte significativa do território pantaneiro e, na avaliação da associação, essa presença coloca os produtores em posição estratégica para identificar focos e atuar preventivamente nas propriedades.

O resultado registrado em 2026, entretanto, envolve diferentes fatores. Além das iniciativas privadas defendidas pela ABPO, a prevenção e o combate aos incêndios passam pela atuação do Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais, sistemas de monitoramento, condições meteorológicas e políticas públicas.

Por isso, embora a associação atribua parte da redução ao avanço do manejo e da prevenção dentro das propriedades, os números do MMA, isoladamente, não estabelecem uma relação direta de causa e efeito entre a atuação dos produtores e a queda de 77,6% da área queimada.

Ainda assim, para o setor produtivo, o desempenho de 2026 reforça uma mudança de estratégia no Pantanal: combater o incêndio continua sendo necessário, mas impedir que ele alcance grandes proporções passou a ocupar espaço cada vez maior na rotina das propriedades.

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