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Jovem que estuda música protege cérebro em idade avançada

Jovem que estuda música protege cérebro em idade avançada

Folha

26/04/2011 - 06h30
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As muitas horas dedicadas ao aprendizado de música trazem benefícios a longo prazo, mostra um estudo publicado na versão on-line do jornal "Neuropsychology", da Associação Americana de Psicologia.

A pesquisa indica que aqueles que tocaram instrumentos musicais por muitos anos parecem formar uma proteção natural contra perdas cognitivas que costumam ocorrer durante a terceira idade.

Mesmo que essas pessoas tenham largado o instrumento em algum momento das suas vidas, a mente ainda se mostra afiada na idade avançada, se comparada àqueles que nunca aprenderam música.

Um grupo formado por 70 musicistas com idade entre 60 e 83 anos se submeteu a variados testes de memória e habilidade para captar informações novas, entre outras situações.

O resultado é que se saíram melhor nas provas quem tocou música durante nove e dez anos. O que sugere que quanto mais as pessoas tocam, mais benefícios terão no futuro.

O piano ficou como o instrumento mais popular entre os músicos, seguido dos instrumentos de sopro. Todos eram amadores e tinham em comum terem iniciado aulas de música por volta dos dez anos.

O estudo também considerou o preparo físico e o nível educacional dos participantes. E, o que chamou a atenção, é que havia igualmente a relação entre a capacidade cognitiva e os anos de atividade musical se os voluntários estavam ou não envolvidos com música atualmente.

A descoberta mostra que o funcionamento cerebral pode ser alterado e a música pode ser um assunto para considerações futuras porque envolve uma combinação de capacidades motoras, leitura, audição e ações repetitivas. 

Cinema Correio B+

Bridgerton, o prazer do clichê que insiste em funcionar na 4ª temporada

Mesmo cafona, previsível e vítima do próprio "efeito Bridgerton", a série chega à quarta temporada mais consciente de si e surpreendentemente mais interessante desde o início.

14/02/2026 14h30

Bridgerton, o prazer do clichê que insiste em funcionar na 4ª temporada

Bridgerton, o prazer do clichê que insiste em funcionar na 4ª temporada Foto: Divulgação

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Da frequência com que me queixo do chamado “efeito Bridgerton” — essa pasteurização pop das séries de época, em que tudo vira trilha de violino pop, figurino instagramável e conflito sem consequência — seria perfeitamente lógico que eu detestasse a série que dominou o streaming na pandemia. E, no entanto, aqui estamos.

Quarta temporada, sensação de quinta se contarmos Queen Charlotte (minha favorita), e a constatação incômoda, mas honesta: mesmo clichê, cafona e assumidamente dramática, Bridgerton continua sendo uma delícia. E, pior — ou melhor —, merecidamente.

A quarta temporada, baseada em An Offer From a Gentleman, de Julia Quinn, chega depois de quase dois anos de hiato com uma energia curiosamente confortável. Não há a menor intenção de reinventar a roda. Pelo contrário: tudo aqui opera no modo “se não está quebrado, não conserte”.

A estrutura é conhecida, a divisão da temporada em duas partes é irritante, o tom permanece o de uma novela luxuosa em vestidos impagáveis. Ainda assim, há algo diferente. Pela primeira vez desde a estreia, a repetição não soa apenas preguiça. Ela soa escolha.

Benedict Bridgerton assume o centro da narrativa depois de anos sendo o boêmio errante da família, esse personagem que parecia existir apenas para festas libertinas, ateliês esfumaçados e crises vagas de identidade.

A temporada encerra abruptamente sua fase de lothario artístico e o empurra para um romance clássico, clássico até demais. A história com Sophie Baek é, sem rodeios, Cinderela. Ou, para ser mais específica, A Cinderella Story, versão anos 2000, só que sem Hilary Duff cantando “Come Clean”.

O baile de máscaras, o encontro mágico, o desaparecimento à meia-noite, a mulher invisível socialmente que se revela central para o desejo do herói: está tudo ali, sem pudor.

Isso é, ao mesmo tempo, o maior problema e o maior acerto da temporada. Sim, a alegoria é literal demais. Sim, o roteiro às vezes parece sublinhar o conto de fadas como se temesse que o público não reconhecesse a referência. E, ainda assim, funciona. Funciona porque Cinderela é um arquétipo resistente. E porque, pela primeira vez em muito tempo, Bridgerton recupera algo que havia abandonado: um obstáculo real entre os protagonistas.

Sophie não é apenas uma mulher com um segredo. Ela é uma criada. Trabalha para uma família aristocrática, vive num regime de dependência econômica e social que torna qualquer relação com um Bridgerton não apenas improvável, mas proibida. O romance deixa de ser movido apenas por mal-entendidos sentimentais e passa a ser atravessado por classe, trabalho e hierarquia. Há risco novamente. Há custo. Há algo a perder.

Essa mudança reverbera por toda a temporada. Diferentemente dos anos anteriores, em que as tramas paralelas frequentemente sabotavam o romance central — ou pior, o ridicularizavam —, aqui os subplots finalmente conversam entre si.

A disputa salarial da governanta Varley, o desconforto histórico de Lady Danbury na posição de “melhor amiga subalterna” da rainha, as dúvidas dos Mondriches sobre o preço de ascender socialmente, até as reflexões de Eloise sobre o que significa permanecer solteira em termos materiais: tudo orbita o mesmo eixo. Poder, dependência, consentimento.

Só acho problemático mesmo, alimentar a ilusão de que um homem (especialmente como Benedict), poderia ser “recuperado” pelo amor verdadeiro. Dito isso, Shonda Rhimes é tão genial que me fez acreditar que sim, é possível (mas não, não é).

Bridgerton, o prazer do clichê que insiste em funcionar na 4ª temporadaBridgerton, o prazer do clichê que insiste em funcionar na 4ª temporada - Divulgação

A nova temporada é o manual de Shonda Rhimes funcionando como deveria. O mesmo mecanismo que sustenta Grey’s Anatomy desde o início — histórias menores que expandem, tensionam e complicam a narrativa principal — finalmente encontra equilíbrio em Bridgerton. Pela primeira vez, a série entende que mundo não é excesso de personagens, mas coerência temática.Isso não resolve tudo. O romance entre Benedict e Sophie, ao menos nesta primeira metade, é correto demais.

Há química, há delicadeza, há uma performance excelente de Yerin Ha, mas falta faísca. Falta o calor que marcou Daphne e Simon, Anthony e Kate, até mesmo Colin e Penelope em seus melhores momentos. Curiosamente, a temporada reserva o erotismo mais intenso para os coadjuvantes — e, sobretudo, para Violet Bridgerton. Ruth Gemmell emerge como a verdadeira protagonista emocional do ano, transformando desejo maduro, flerte tardio e expectativa contida no arco mais vivo da série.

Ainda assim, há algo profundamente reconfortante em ver Bridgerton aceitar aquilo que é. Uma fantasia romântica que nunca foi — e talvez nunca quisesse ser — uma reconstituição histórica rigorosa. Um melodrama que prefere o excesso à contenção, o gesto amplo ao subtexto minimalista. Quando a série tenta ser “importante”, costuma tropeçar. Quando abraça o prazer, o artifício e o sentimentalismo, ela ganha força.

A quarta temporada também faz algo que parecia impossível: devolve densidade ao universo da série. Ao reconhecer que, mesmo nesse mundo idealizado, a desigualdade estrutural persiste, Bridgerton resgata a sensação de consequência que havia se diluído ao longo dos anos. Não é uma crítica radical ao sistema — longe disso —, mas é um passo além do cinismo colorido que ameaçava transformar tudo em fantasia sem atrito.

Há motivos para cautela. Bridgerton tem histórico de desandar na segunda metade das temporadas. A promessa de desejo precisa se converter em tensão física, em risco emocional, em cenas que justifiquem o investimento. Mas, por ora, tudo converge. As tramas se alinham, o tema se sustenta, o prazer permanece intacto.

No fim, talvez a maior ironia seja essa: a série que simboliza tudo aquilo que eu costumo criticar nas produções de época só funciona quando para de fingir que é outra coisa. Quando aceita ser clichê. Quando assume o cafona. Quando entende que, às vezes, um bom conto de fadas — bem contado — é exatamente o que o público quer.

E eu, contra todas as expectativas, continuo querendo também.

GASTRONOMIA

Especialista indica o que comer antes, durante e depois de curtir os blocos de Carnaval

Com blocos de rua e festas que duram horas, o corpo precisa de combustível de qualidade durante o Carnaval; especialista explica o que comer antes, durante e depois para evitar queda de energia, inchaço e a temida ressaca

14/02/2026 10h00

Comida

Comida "de verdade" como o arroz e feijão formam uma combinação proteica completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais para a recuperação pós-folia Freepik

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O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano. São horas ininterruptas de dança, caminhada, pulos e exposição ao sol, tudo isso muitas vezes combinado com o consumo de bebidas alcoólicas.

Nesse contexto, a alimentação deixa de ser apenas uma questão de prazer ou rotina e se torna um componente essencial para a segurança e o bem-estar do folião. Uma escolha equivocada pode resultar em queda de pressão, desmaios, tonturas, desconfortos gastrointestinais e a temida ressaca, que pode tirar a pessoa dos blocos no dia seguinte.

Por outro lado, uma estratégia nutricional bem planejada é capaz de fornecer energia de forma sustentada, melhorar a hidratação, acelerar a recuperação muscular e minimizar os danos causados pelo álcool e pelo esforço físico excessivo.

Para ajudar o folião a manter a energia e a disposição, o Correio B conversou com a nutricionista Luanna Caramalac.

“Para ter energia de verdade durante a folia, não existe um único alimento milagroso, e sim uma construção alimentar equilibrada”, explica Luanna. A chave, segundo ela, é combinar proteínas, carboidratos, gorduras boas e os compostos bioativos das frutas e verduras.

Pensando nisso, separamos receitas práticas e dicas da especialista para você não perder um minuto de festa.

CAFÉ DA MANHÃ

A primeira refeição do dia é a base para uma folia de sucesso. O objetivo é garantir saciedade e evitar picos de glicose seguidos de quedas bruscas. Muitos foliões cometem o erro de pular o café da manhã para compensar as calorias que serão consumidas na rua, mas essa é uma armadilha perigosa.

Acordar, tomar um banho e sair de casa sem se alimentar adequadamente é a receita perfeita para a hipoglicemia, que pode causar tonturas, fraqueza e até desmaios em meio à multidão.

Luanna explica que a refeição matinal deve ser completa e equilibrada, incluindo fontes de carboidratos de qualidade, proteínas e gorduras boas.

“O ideal é combinar boas fontes de proteína, carboidratos, gorduras boas e compostos bioativos, presentes nas frutas, verduras e legumes, que garantem vitaminas e minerais e ajudam a manter a disposição por mais tempo”, detalha.

PÓS-FOLIA

Depois de horas pulando, dançando e se expondo ao sol, o corpo precisa de comida de verdade para se recuperar.

A nutricionista reforça que, nesse momento, não há espaço para industrializados. É preciso repor os estoques de energia (glicogênio muscular) com carboidratos complexos, reconstruir as fibras musculares com proteínas de qualidade e reabastecer o organismo com vitaminas e minerais por meio dos vegetais. 

“Depois de horas de folia, o corpo precisa de comida de verdade. Refeições com arroz, feijão ou boas fontes de carboidrato, como mandioca, batata-doce, inhame ou mandioquinha, associadas a uma proteína de qualidade e vegetais, ajudam na recuperação muscular e na reposição de nutrientes”, orienta Luanna.

PRATO FEITO

Essa é a representação máxima da comida de verdade no prato do brasileiro. O arroz e o feijão formam uma combinação proteica completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais.

O ovo, que a nutricionista destaca como um grande aliado, é rico em vitaminas do complexo B, luteína e zeaxantina (importantes para a saúde dos olhos) e colina (fundamental para o cérebro).

A mandioca cozida é uma excelente fonte de carboidrato de fácil digestão e energia de longa duração, e os legumes refogados garantem as fibras e micronutrientes.

HIDRATAÇÃO

Segundo a nutricionista, o erro mais comum no Carnaval é esquecer da hidratação. “Não adianta comer bem e não se hidratar. A recomendação média é de 35 ml de água por quilo de peso ao dia, mas nesse período podemos aumentar para cerca de 40 ml por quilo”, alerta.

A hidratação é a chave para manter a energia, regular a temperatura corporal e evitar mal-estar. Para quem consome bebida alcoólica, a regra é clara: a cada copo de álcool, dois a três copos de água. Isso ajuda a manter a glicemia estável e reduz os efeitos inflamatórios do álcool.

Pão na chapa com ovos mexidos e abacate

Comida "de verdade" como o arroz e feijão formam uma combinação proteica completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais para a recuperação pós-foliaPão na chapa com ovos mexidos e abacate - Foto: Freepik

Ingredientes:

  • 2 ovos;
  • 1 fio de azeite de oliva extravirgem;
  • 1 pitada de sal e pimenta-do-reino moída na hora;
  • 1 colher de sopa de leite ou água (para deixar os ovos mais cremosos);
  • 1 pão francês ou 2 fatias de pão integral;
  • 1/2 abacate médio; 
  • Suco de 1/2 limão.

Modo de Preparo:

> Em uma tigela, quebre os ovos, adicione o sal, a pimenta e a colher de leite ou água. Bata bem com um garfo até homogenizar;

> Leve uma frigideira antiaderente ao fogo baixo com um fio de azeite;

> Despeje os ovos batidos e mexa constantemente com uma espátula de silicone ou colher de pau. O segredo do ovo cremoso é o fogo baixo e a mexedura constante, formando pequenos grumos macios. Assim que estiverem cozidos, mas ainda úmidos, desligue o fogo;

> Enquanto os ovos cozinham, corte o pão ao meio (se for francês) e leve à sanduicheira ou a uma frigideira para tostar levemente;

> Em uma tigelinha, amasse o abacate com um garfo, tempere com suco de limão e uma pitada de sal;

> Sobre o pão tostado, espalhe generosamente o abacate amassado e cubra com os ovos mexidos cremosos;

> Regue com um fio de azeite e sirva imediatamente.

Comida "de verdade" como o arroz e feijão formam uma combinação proteica completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais para a recuperação pós-foliaÁgua saborizada refrescante - Foto: Freepik

Água saborizada refrescante

Ingredientes:

  • 1 litro de água filtrada ou de coco;
  • 1 limão siciliano ou taiti cortado em rodelas finas;
  • 1 pedaço pequeno de gengibre descascado e fatiado;
  • Folhas frescas de hortelã (um punhado);
  • Gelo.

Modo de Preparo:

> Em uma garrafa grande (de preferência térmica, para manter a água gelada por mais tempo), coloque as rodelas de limão, as fatias de gengibre e as folhas de hortelã;

> Complete com a água e o gelo;

> Agite levemente para misturar os sabores. Vá consumindo ao longo do dia, intercalando com a bebida alcoólica. Ao terminar, pode reabastecer a garrafa com mais água, que os sabores das frutas ainda estarão presentes.

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