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Jovem baleado após Parada Gay no RJ afirma que suposto militar fez disparo

Jovem baleado após Parada Gay no RJ afirma que suposto militar fez disparo

G1

16/11/2010 - 06h34
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A polícia do Rio de Janeiro investiga o caso de um jovem baleado na barriga depois de participar de uma Parada Gay. Em depoimento, ele disse que foi abordado por três soldados do Exército e que um deles teria feito o disparo.

O rapaz prestou depoimento logo depois que teve alta. Ele falou que estava com amigos no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, Zona Sul do Rio de Janeiro, para onde foi depois de participar de uma Parada Gay em Copacabana. O jovem, de 19 anos, disse que o grupo foi abordado por três homens que se identificaram como militares e usavam fardas camufladas. Um deles tinha uma pistola.

“Começaram a ofender, xingar, dizendo que, se pudessem, eles mesmo matavam cada um de nós com as próprias mãos, porque era uma raça desgraçada e tal. Humilhar, bater entre outras coisas. Foi quando um deles me empurrou no chão e me atirou. Eu caí sentado, e ele atirou na minha barriga”, relata.

A bala não atingiu nenhum órgão vital do rapaz, que fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. A polícia abriu inquérito por tentativa de homicídio e vai também investigar a denúncia de crime de preconceito. Na quinta-feira, o delegado quer ouvir todos os militares que estavam de plantão na noite do crime.

A vítima também foi convocada para tentar reconhecer o autor do disparo. Segundo o delegado, dois homens que seriam oficiais foram à delegacia representando o Exército e prometeram colaborar com as investigações.

A violência do episódio revoltou os pais do estudante. “Eu aceito meu filho como ele é. Para mim, é péssimo, é revoltante. Eu estou arrasada, sinceramente com essa situação”, declara a mãe do jovem.

O Comando Militar do Leste afirmou, em nota, que não há registro de disparo feito por militares que estavam de plantão na noite em que o rapaz foi baleado.

Nesta quarta-feira

Após um ano, homem preso por incendiar mulher e filha vai a juri popular

José Augusto Borges vitimou  a esposa Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie Eugênia, de 10 meses, em maio do ano passado

26/05/2026 14h45

Foto: Reprodução / Redes Sociais

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Autor do duplo feminicídio que vitimou  a esposa Vanessa Eugênia Medeiros, 23, e a filha Sophie Eugênia, de 10 meses, em maio do ano passado, João Augusto Borges passará pelo Tribunal do Jurí nesta quarta-feira (27), julgamento que ocorre às 8h no Fórum da Capital. 

Em agosto do ano passado, disse em audiência que ambos os crimes foram cometidos após um "acesso de raiva" contra a mulher. 

Na ocasião, o réu disse não possuir problemas mentais e assumiu“perdeu a cabeça" após um tapa de Vanessa.

“Não tenho nenhum problema mental. Ela (Vanessa) me deu o tapa e eu perdi a cabeça”, declarou João na época, alegando que o tapa ocorreu quando tentou se despedir da vítima com um beijo antes de voltar ao trabalho.

Durante o interrogatório, o homem, então com 25 anos admitiu já ter pensado em matar a companheira em outros momentos e confirmou a premeditação dos crimes. “Tinha pensado, mas não queria colocar em prática. Eu tava me segurando, mas o tapa foi a faísca”, disse. Segundo ele, o tapa apenas desencadeou a ação, que vitimou sua filha, algo que ele disse não querer fazer.

“Não tive controle, eu não queria matar ela, eu queria cuidar, mas eu não conseguia enxergar com amor”, disse. Ao contrário do que disse em depoimento à polícia em maio do ano passado, negou que a motivação dos crimes tenha sido  para evitar o pagamento de pensão à filha. 

Na ocasião, pediu perdão e disse não se lembrar de ter matado a criança. “Quero pedir perdão a Deus, a família dela, a minha família, era a única e primeira neta de sangue, desculpa", afirmou.

José Augusto Borges e Vanessa / Foto: Reprodução / Redes Sociais 

Os lados

Na ocasião, advogado da família, Lucas Brandolis avaliou a audiência como positiva, destacando que as testemunhas confirmaram a premeditação e a personalidade violenta do réu.

“Os familiares estão consternados por ouvirem todos os detalhes dos feminicídios, além da frieza de João ao contá-los. O interrogatório revelou que ele busca redução de pena ao tentar demonstrar arrependimento e afastar o motivo torpe ligado à pensão alimentícia, mas as alegações não resistem às provas e à versão apresentada em delegacia”, disse ao Correio do Estado. 

Brandolis lembrou que o réu optou por permanecer em silêncio diante das perguntas do Ministério Público e do assistente de acusação. “Aguardamos com tranquilidade a pronúncia do réu para que seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e, finalmente, condenado por todos os crimes imputados na denúncia”, concluiu.

Já a advogada de defesa de João, Maryane Cruz, disse que a audiência foi tranquila, e que apesar de orientado a permanecer em silêncio, o réu optou por falar. “Foram ouvidas testemunhas e, apesar de ter sido orientado a ficar em silêncio, João Augusto relatou sobre o crime, respondendo somente às perguntas do juiz e da defesa.”

O crime

O caso ocorreu na tarde de 26 de maio de 2025, onde, por volta das 16h, na região do Indubrasil. João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a atacou com um golpe de “mata-leão”, causando seu estrangulamento. Logo depois, estrangulou a filha, que brincava na cama do casal.

Após o crime, saiu para trabalhar normalmente. Mais tarde, às 21h, comprou um galão e o abasteceu com R$ 16 de gasolina. Voltando para casa, enrolou os corpos em dois cobertores e os colocou no carro da família, um Gol cinza. Dirigiu até a rua Desembargador Ernesto Borges e ateou fogo nos corpos.

João afirmou que esperava que mulher e filha só fossem encontradas em dois ou três dias, mas as chamas se espalharam rapidamente pela vegetação, chamando a atenção de moradores e do Corpo de Bombeiros.

Questionado sobre o que fez após o crime, disse que voltou para casa e dormiu “tão bem, como não dormia faz tempo”, pois acreditava ter se “livrado de um problema”.

Relacionamento e antecedentes

Vanessa e João se conheceram por meio de um aplicativo de relacionamento e viviam juntos havia dois anos. A família dela é de Chapadão do Sul, onde residia antes de se mudar para Campo Grande em 2023 para morar com João.

À época, um amigo do acusado contou à polícia que não havia histórico de violência no relacionamento, apenas discussões comuns. No entanto, cerca de dois meses antes do crime, João disse que pretendia matar a companheira e a filha para “se livrar", mas a testemunha não levou a sério pela gravidade da declaração.

Investigações e prisão

João Augusto Borges foi preso em 27 de maio e responderá por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

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caso bernal

Em audiência, defesa de Bernal 'bate na tecla' de que ex-prefeito agiu em legítima defesa

De acordo com os advogados de defesa, as provas apontam que Alcides Bernal não tinha intenção de matar e agiu para se defender.

26/05/2026 14h27

Advogado de defesa, Ricardo Machado, ressaltou que a defesa se baseia na legítima defesa do ex-prefeito

Advogado de defesa, Ricardo Machado, ressaltou que a defesa se baseia na legítima defesa do ex-prefeito FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A defesa de Alcides Bernal, réu pelos crimes de homicídio qualificado por meio cruel, porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio, afirmou que confia "absolutamente" na tese de que o ex-prefeito agiu em legítima defesa e que as provas e argumentos serão suficientes para a absolvição do réu.

De acordo com um dos advogados de defesa, Ricardo Machado, Bernal efetuou os disparos após a vítima "ir para cima" dele. 

"A vítima estava de pé, de frente, partindo para cima de Alcides Bernal. (...) Bernal, com sua residência invadida por dois homens, chega até o imóvel através de um contato da New Line e se defende, defende o domicílio dele", afirmou Machado antes da audiência desta tarde. 

Para a defesa, o ex-prefeito teria se sentido ameaçado mas não atirou para matar. Prova disso é a localização dos projéteis na vítima, abaixo do peito. 

"Nenhum tiro foi letal, infelizmente aconteceu essa tragédia. Em momento algum Bernal teve a intenção deliberada de provocar um óbito, de provocar um homicídio, mas a intenção dele é clara e simples: se defender", ressaltou o advogado.

Na tarde de hoje, serão ouvidas sete testemunhas do Ministério Público de acusação, compostos por familiares de Roberto Carlos Mazzini, morto a tiros por Bernal no dia 24 de março deste ano. O chaveiro, Maurílio da Silva Cardoso, que também estava no imóvel no momento do crime, também será ouvido hoje. 

Nesta audiência, Bernal foi autorizado a participar através de videoconferência. Na quarta-feira (27), segundo dia de audiência, o réu deverá comparecer presencialmente. Além de Bernal, serão ouvidas mais treze testemunhas de defesa, incluindo funcionários da empresa de segurança New Line. 

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 24 de março. Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Ele está preso desde o dia do crime.

Nesta semana, o ex-prefeito, que é advogado, teve o registro profissional suspenso preventivamente pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS). 

De acordo com publicação no Diário Oficial da OAB, a decisão da suspensão preventiva foi proferida pelo Tribunal de Ética e Disciplina e é válida pelo prazo de 90 dias, de 18 de maio a 15 de agosto.

Durante o período do cumprimento da sanção disciplinar, Bernal não poderá praticar qualquer ato provativo no exercício da advocacia. Ele foi notificado a apresentar o cartão e carteira de advogado na OAB/MS.

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