Policial civil que atua na delegacia de Sidrolândia, preso em outras operações, agora vira alvo por supostamente facilitar a entrada de mercadorias contrabandeadas no país
A Polícia Federal (PF) prendeu os policiais civis Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, durante operação contra um esquema de entrada de produtos contrabandeados do Paraguai no Estado.
Célio Rodrigues Monteiro atua na Delegacia de Sidrolândia, para onde os agentes da PF se deslocaram. Além disso, a casa dele, no bairro Pioneiros, foi alvo de busca e apreensão.
Célio Monteiro é figura conhecida e já apareceu em outras operações policiais que investigaram lavagem de dinheiro e associação com o tráfico de drogas, como as operações Omertà, em 2020, e Snow, em 2024.
Já Edivaldo Quevedo da Fonseca, em dezembro de 2024, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com o carro cheio de mercadorias do Paraguai sem qualquer documentação.
Após a prisão, Edivaldo, vinculado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebeu liberdade em 2025, mas assumiu o compromisso de comparecer à Justiça Federal, confirmar endereço fixo e informar o local de trabalho.
Investigações
Após a terceira fase da Operação Omertà, ligada ao jogo do bicho, e outros desdobramentos, a investigação caminhou por um esquema de propina para ocultar provas de um homicídio.
O que levou ao afastamento de Célio Rodrigues Monteiro, o Manga Rosa, em 23 de julho de 2020, conforme publicação no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.
Na época, Célio era investigado por possível atuação na ocultação de provas da morte do policial militar aposentado Ilson Figueiredo.
Segundo levantamento feito pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados seriam chefiados por Jamil Name e Jamil Name Filho.
O esquema incluía propina de R$ 100 mil para o delegado da Polícia Civil Márcio Shiro Obara, que também chegou a ser afastado de suas funções e terminou posteriormente inocentado das acusações.
Em 2023, a Justiça absolveu Márcio Rios e Célio Rodrigues Monteiro no âmbito do crime de lavagem de dinheiro.
Apontados no esquema de milícia armada como “lideranças”, Fahd Jamil, conhecido como “Rei da Fronteira”, Flávio Correia Jamil Georges e Jamil Name Filho, que respondiam por obstrução de Justiça, também foram absolvidos.
Na decisão proferida pelo juiz Roberto Ferreira Filho, em 16 de fevereiro de 2023, todas as medidas cautelares contra o policial civil Célio Rodrigues Monteiro foram retiradas.
Figura conhecida
Em 2024, durante a Operação Snow, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Célio foi alvo de busca e apreensão em investigação que apurava um esquema de tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança pública. Entretanto, em nenhuma dessas operações o policial foi condenado.
Com a operação deflagrada nesta quarta-feira (18), esta é a terceira vez que o policial civil se torna alvo de investigação.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que informou, por meio de nota, que acompanha a investigação e adiantou que não compactua com desvios de conduta por parte de servidores.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Iscariotes, por meio das corregedorias das instituições estaduais de segurança pública.
A Sejusp ressalta que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus servidores, adotando postura de rigor e transparência na apuração dos fatos.
Destaca, ainda, que serão instaurados os competentes Processos Administrativos Disciplinares para a apuração individual de eventuais responsabilidades, e tomará medidas cabíveis necessárias ao longo de toda apuração.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a integridade no serviço público”.
Entenda
Operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (18), que interditou o entorno do Camelódromo de Campo Grande, revelou a participação de agentes de segurança pública que facilitavam a entrada de mercadorias contrabandeadas no Estado.
A Operação Iscariotes é um desdobramento que ocorre simultaneamente em outras capitais e investiga crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.
A ação ocorre após investigação que indicou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado em facilitar a entrada de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado por meio de um esquema de importação fraudulenta.
Ainda conforme o levantamento, o grupo trazia as mercadorias sem qualquer documentação ou regularização necessária para o controle aduaneiro.
Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e o restante seguia para outras unidades da federação, tendo como principal destino Minas Gerais (MG), em entregas fracionadas misturadas a outras cargas ilícitas.
O trabalho de inteligência revelou que o grupo utilizava veículos modificados com compartimentos ocultos para ludibriar fiscalizações e facilitar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas.
Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores obtidos com a atividade ilegal.
Participam da ação a Polícia Federal e a Receita Federal, por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS), com apoio da Receita Federal do Brasil.
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