Sexta, 24 de Novembro de 2017

Joias raras

18 MAI 2010Por 20h:04

THIAGO ANDRADE

De templo das musas na Grécia Antiga a espaços destinados a recolher, conservar e pesquisar objetos de todos os tipos ligados à história e à cultura dos povos, os museus sempre ofereceram espaço para a pesquisa e para a conservação da memória. Embora seja um conceito muito abrangente, as instituições museológicas armazenam desde obras de arte a artefatos arqueológicos, incluindo documentos e objetos de história natural, como insetos e animais extintos. Cada um deles traz em seu acervo objetos raros, que podem ser considerados como joias, impossíveis de ser encontradas em qualquer outro lugar.

Durante a 8ª Semana Nacional dos Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) do Governo Federal, algumas instituições do Estado abriram as portas para mostrar aquilo que trazem de mais representativo dentre as coleções. Entretanto, como lembra Aivone Carvalho Brandão, diretora do Museu das Culturas Dom Bosco e curadora do setor de Etnologia, não é possível elencar itens mais importantes. "Tudo que temos aqui tem grande importância. Podemos apenas escolher algumas obras mais representativas", esclarece.

Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB)

"O que a instituição tem de mais valioso não é apenas a cultura material dos diferentes povos indígenas, mas a cultura imaterial que, por meio da ciência e da arte, a nova museografia consegue apresentar", detalha Aivone. Ela se refere à forma como estão dispostos todos os objetos expostos no museu, que representam as formas nas quais eles se apresentam nas aldeias e os ritos de cada etnia.

Entretanto, alguns objetos têm valores incomensuráveis, como a urna pré-histórica encontrada em escavações no Estado. "Ela foi montada por um professor italiano, a partir de 270 fragmentos. O setor de arqueologia traz muitos objetos raros, como, por exemplo, esse tembetá em quartzo", conta, mostrando certa espécie de piercing pré-histórico.

Sendo uma das mais antigas instituições de Campo Grande, o MCDB foi inaugurado oficialmente em 1951, pela Missão Salesiana de Mato Grosso, no Colégio Dom Bosco. O processo de modernização iniciado após vincular-se à Universidade Católica Dom Bosco e se transferir para o Parque das Nações Indígenas, transformou-o em um dos principais espaços museológicos do País, especializado em História, Etnologia e Arqueologia Indígenas.

Museu de Arte Contemporânea (Marco)

Na Sala de Exposição Permanente do Acervo do Marco encontram-se algumas das principais obras da história da arte de Mato Grosso do Sul. Para Maysa Barros, coordenadora do museu, neste espaço o público poderá encontrar as obras mais representativas do acervo. "Temos obras de Conceição dos Bugres, Lídia Baís, Jorapimo, Wega Neri, todos são grandes referências nas artes plásticas de Mato Grosso do Sul. É difícil escolher alguém dentre tantos nomes", frisa.

Entretanto, ela acredita que entre as obras, a série sobre a divisão de Mato Grosso, produzida por Humberto Espíndola, com oito grandes telas – das quais "O sopro" é a única exposta – é uma das mais significativas. "Por representar um momento-chave para o nosso Estado, o de sua criação", pontua. A exposição do acervo permanente foi criada em 2003 e, desde então, é aberta às escolas, universidades e ao público em geral.

Museu José Antônio Pereira

A primeira casa construída em Campo Grande por si só já abriga muita história, e foi isso que levou à criação do museu. De acordo com a coordenadora do espaço, Maria Maciel, "a arquitetura da construção, única residência feita de taipa que ainda existe na Capital, é o que há de mais relevante no museu. Essa estrutura é histórica", reconhece. Para quem não conhece, a taipa de pilão é um sistema rudimentar para a construção de paredes e muros, muito utilizado no começo do século passado, conhecido também como pau-a-pique ou barro armado.

Segundo a coordenadora do museu, o acervo é pequeno, mas traz alguns itens pessoais da família e um pequeno engenho, utilizado na fabricação de açúcar. "Procuramos contar a história dos fundadores de Campo Grande. O espaço foi tombado como patrimônio histórico municipal em 1983 e, em 1999, a prefeitura restaurou o local. Os pioneiros da Capital têm um local digno agora", finaliza.

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