Quarta, 22 de Novembro de 2017

Jalapão, um oásis em pleno cerrado

4 FEV 2010Por DA REDAÇÃO23h:07
O Jalapão é lugar de exageros. As distâncias são enormes. A riqueza das paisagens, o isolamento e a simpatia do povo que vive por lá também. É um lugar que atrai viajantes não só em busca de natureza, mas também atrás de um ponto inóspito, quase intocado. A região é mesmo imensa – são 34 mil km2, em seis municípios –, e é preciso tempo para explorá-la a fundo. Mas quem está de passagem por Palmas, capital do Tocantins, deve separar dois ou três dias e se aventurar. A partir de Palmas são duas horas e meia de carro em rodovia asfaltada: TO-050 até Porto Nacional e depois TO-255 até Ponte Alta, porta de entrada da região. Deserto é formado por sedimentos de arenito A cidade é pequena e simpática e pode servir de base para quem faz a viagem em mais dias, pois algumas atrações, como a Pedra Furada --uma enorme rocha de arenito esculpida pelo vento--, ficam perto dali. Mas, para quem tem o tempo curto, o melhor é partir para Mateiros, pois é no caminho até lá e nas proximidades da cidade, chamada de capital do Jalapão, que está o suprasumo do que o lugar tem para oferecer. São cachoeiras, como a da Velha, que tem águas revoltas no inverno, e a da Formiga, de água verde-esmeralda, e o Fervedouro, nascente de rio que parece uma panela com água em ebulição. Não poderiam ficar de fora as dunas alaranjadas, marca desse lugar que tem cara de deserto. Saindo de Ponte Alta, a estrada que era de asfalto vira de chão batido. Em poucos minutos a imensidão se apresenta e, a partir daí, sacolejando no banco do carro, é que se começa a ter uma ideia do que é o lugar – o trajeto também pode ser feito de caminhão, serviço oferecido pelas operadoras locais (a Korubo e a 4 Elementos). O cerrado, bem como a estrada, parece sem fim. Buritizais pipocam por todos os lados indicando veredas, seriemas cruzam a estrada, DA REDAÇÃO Entre Ponte Alta e Mateiros, há duas das principais atrações da região. A primeira é a Cachoeira da Velha, no Rio Novo, uma garganta em formato semicircular que forma um panelão d’água e que, no inverno, a época de chuvas, parece uma hidromassagem dentro de uma sauna, pois o vapor de água domina a cena. A queda não é alta, mas a cachoeira e o entorno são muito bonitos. A chegada se dá por cima, de onde se podem avistar o rio, a queda e um chapadão ao fundo. É uma visão impressionante. Cachoeira da Velha Porém entrar na água nesse período do ano é desaconselhável, pois ela fica muito agitada. Fora desses dias de chuva, há vários locais para se refrescar e nadar. Existem duas praias por perto, uma um pouco abaixo da cachoeira, que é ótima para banhos, e outra a cerca de 100 m rio acima, que é um bom lugar para quem vai com mais dias e curte a prática de camping selvagem – há espaço para algumas barracas embaixo de copas de árvores bem à beira do rio. Dali, em dias de águas calmas, é possível cruzar para a outra margem e chegar à outra queda da Cachoeira da Velha. O Rio Novo é o lugar de prática de rafting no Jalapão. Existem programas com até quatro dias de descida com pernoites nas margens (na Canoar; www.canoar. com.br). Duna A outra parada antes de Mateiros são as muito faladas dunas do Jalapão. Elas são um dos motivos de alguns chamarem a região de deserto. Pode soar estranho falar em dunas em pleno cerrado brasileiro, mas é isso mesmo. Formados por sedimentos originados da erosão natural das serras e chapadas bem próximas dali – que têm por volta de 300 milhões de anos –, os montes são algo inusitado e contribuem para reforçar o caráter exótico e único da região. E não se vêe imensas chapadas e serras muito parecidas se mostram ora distantes, ora próximas, confundindo a visão. Pequenos riachos e grandes nuvens de chuva passam pela janela, completando o cenário cinematográfico. Tudo isso sem cruzar com viva alma por muitos e muitos quilômetros. Para quem vai ao Jalapão por poucos dias, vale dizer que muito desse pouco tempo é gasto chacoalhando no carro, porém essa é parte preciosa da viagem, a paisagem se descortinando justifica cada segundo, com cenas se transformando a cada curva da estrada e a cada mudança de luz. É o resumo de uma viagem essencialmente visual.

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