Quarta, 22 de Novembro de 2017

Inflação na Capital já atinge 1/3 do índice previsto para o ano

6 MAR 2010Por 03h:53
A inflação em Campo Grande, nos dois primeiros meses de 2010, já atinge um terço da média prevista para todo o ano pelo governo federal, que é de 4,5%. A soma de janeiro e fevereiro totaliza 1,77%. Isso significa que para ficar dentro do estimado o Estado terá que, nos próximos 10 meses, manter o índice em torno de 0,27% ao mês. O percentual elevado, segundo Celso Correia de Souza, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes), deve-se basicamente ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CG) de janeiro, calculado em 1,34%. O número foi puxado principalmente pelo grupo Educação, já que era o mês de matrículas escolares e compra de materiais. “Em fevereiro esse mesmo grupo subiu apenas 0,07%”, diz, comparando com o valor janeiro, que foi de 5,29%. Como a inflação de Campo Grande é uma das menores do Brasil e já encontra-se numa situação apertada, o coordenador acredita que em pouco tempo o governo deve tomar medidas para conter a aceleração nos preços. A principal delas e, inclusive, a mais rápida, é aumentar a taxa Selic, que hoje está em 8,75%. “Com isso o crédito fica mais difícil na praça e, sem crédito, cai o consumo reduzindo os preços”, explica. Fevereiro O índice de fevereiro ficou em 0,42%, classificando-se como moderado. Não foi alto como o do mês anterior porque, além do grupo educação ter apresentado queda, o grupo despesas pessoais revelou deflação, de 0,23%. As baixas mais significativas ocorreram nos preços do protetor solar (-3,72%), do creme dental (- 2,69%) e do sabonete (-2,26%). Já as altas ocorreram, além de no grupo educação (0,07%), nos grupos alimentação (1,02%); vestuário (1,08%); saúde (0,61%); habitação (0,20%); transportes (0,12%); e educação (0,07%). Produtos Os alimentos foram responsáveis pela maior parcela da inflação de fevereiro, respondendo por 0,25% do índice. A reação dos preços da carne bovina atingiu até 4,19%, como foi o caso do acém. O músculo (2,84%) e o fígado (1,37%), também pressionaram para cima o índice da inflação. “A arroba está subindo e já refletiu nos preços para o consumidor em fevereiro”, explica Souza. “Em março com certeza os valores desse produto estarão ainda maiores, já que há tendência de mais alta para os produtores”, prevê. No mesmo grupo os legumes e folhosas também ficaram com os preços menos atrativos ao consumidor, por conta das chuvas em excesso, que têm dificultado a produção tanto em Mato Grosso do Sul, como nas regiões fornecedoras do Estado. As variações mais significativas foram no chuchu (36,01%); repolho (18,70%); melancia (15,18%) e berinjela (13,71%). Nos produtos de uso doméstico (grupo habitação), o destaque em elevação de preços foi o saponáceo (13,41%); seguido pela vassoura (5,93%) e a cera para assoalho (3,89%). Nos itens de vestuário, as maiores altas foram da saia (7,72%), do sandália/chinelo feminino (2,67%) e da camiseta masculina (1,49%). O grupo teve aumentos significativos nos antialérgicos e broncodilatadores (8,87%), analgésicos e antitérmicos (7,59%) e hipotensores e hipocolesterínicos (1,42%). Já no grupo transportes o destaque vai para as passagens de ônibus interestadual, que inflacionaram 3,02%, a intermunicipal (0,73%) e um pequeno reajuste no preço do álcool combustível (0,61%).

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