Quarta, 22 de Novembro de 2017

Indústria automobilística pode sofrer com a falta de peças

8 AGO 2010Por 09h:18
São Paulo

Fornecedores de peças não acompanharam o ritmo de crescimento da indústria de automóveis nacional. Reportagem da edição desta semana da revista Isto É Dinheiro mostra que as fábricas poderiam produzir 900 mil veículos neste ano, mas faltam peças nas linhas de montagem.
O vice-presidente da Renault do Brasil, Alain Tissier, disse à publicação que “a cadeia automobilística está no limite. Os fornecedores não têm conseguido acompanhar o nosso ritmo”.
De acordo com a publicação, o setor de autopeças chegou ao limite e é incapaz de atender aos pedidos das montadoras, que operam perto de 90% da capacidade instalada e não param de fazer pedidos, mesmo quatro meses depois do fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para incentivar o consumo.
“É fato que existem alguns problemas com alguns segmentos, principalmente pneus e peças fundidas e forjadas”, admitiu à revista o presidente da Fiat e da Anfavea, Cledorvino Belini, na quinta-feira 5.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), usados pela reportagem, mostram aumento de 18,3% na produção de veículos entre janeiro e julho, em comparação ao mesmo período de 2009.  Para o ano, a previsão é de 3,4 milhões de veículos. As vendas internas bateram o recorde histórico do mês de julho e atingiram 315,9 mil unidades. Já as exportações dispararam 85,4% no mês passado, na comparação anual, um movimento de clara reação dos mercados internacionais.
A reportagem apurou falta de componentes fundamentais entre fornecedores, como pneus, estofamento e lâmpadas. “Apesar dos US$ 12 bilhões de investimentos programados pelas montadoras para os próximos três anos e do maior nível de emprego nas fábricas em 19 anos (132,1 mil trabalhadores), são entraves como esses que podem interromper os sucessivos recordes de venda”, traz a revista.
“Alguns fornecedores não têm a mesma habilidade de acelerar a fabricação como nós. Se continuar assim, poderemos buscar peças lá fora”, disse à Isto É Dinheiro o presidente do Sindipeças, Paulo Butori.
Ele afirmou ainda que, as fundições, forjarias e estamparias estão, em alguns casos, com dificuldades para atender pedidos adicionais porque têm contratos a cumprir no mercado externo.

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