Cidades

'FLOR DO MATO'

Índia guató de 110 anos escapa de incêndio

Índia guató de 110 anos escapa de incêndio

Sílvio Andrade, Corumbá

28/07/2011 - 00h00
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Encontrada desmaiada em sua casa pelo filho Vicente, que retornava de uma pescaria, a índia guató Julia Caetano, 110 anos, foi resgatada por uma rede de proteção ao Pantanal, formada pelo segundo e terceiro setores, e conseguiu sobreviver depois de ser atendida no Hospital de Caridade, em Corumbá. Ela recebe alta hoje e volta para casa.

Julia e o filho, de 66 anos, são os remanescentes puros da tribo dos chamados Canoeiros do Pantanal – os únicos que ainda falam o dialeto, ameaçado de extinção. Mãe e filho se recusaram retornar à Ilha Ínsua, área reconhecida em 1996 como da tribo expulsa das terras em meados do século 20, e vivem isolados às margens do Rio Cuiabá.

Na segunda-feira (25), enquanto Vicente foi pescar logo de manhã, dona Julia ficou na casa. Companheira do filho nas pescarias e caçadas, ela está cega e não consegue mais andar. Houve um princípio de incêndio, ocasionado por um pedaço de madeira que caiu do fogão, e sem saber o que estava ocorrendo a índia sofreu queimaduras pelo corpo e perdeu os sentidos.

Vicente buscou socorro e encontrou apoio no Parque Nacional do Pantanal, sua sede fica próxima ao local onde mora. O chefe da unidade, José Augusto Ferraz, socorreu dona Julia, enviando-a de barco para Corumbá. A região não tem comunicação e com muita dificuldade foi feito um contato com a cidade avisando do acontecido.

 Reencontro

O encaminhamento da índia para o hospital foi providenciado pela Ong Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que participa da rede de proteção com gestora da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Eliezer Batista, do grupo EBX, situada na Serra do Amolar. A rede é um sistema compartilhado que une outras RPPNs e o Parque Nacional do Pantanal, um corredor ecológico de 275 mil hectares.

A recuperação da índia centenária foi rápida, surpreendendo os médicos que a atenderam. Ela foi sedada, pois estava arredia, chamando sempre pelo filho em sua língua-mãe. Dona Julia ouve pouco e não fala o português. Na terça-feira (26), o IHP providenciou a vinda do filho, que foi trazido de avião. Fazia mais de 30 anos que Vicente não vinha à cidade.

"Não conheço mais nada, nem sei pra que lado fica o rio (Paraguai)", disse ele ao Correio do Estado. "Tô meio perdido". Vicente lembra, no entanto, dos tempos de moço, quando trabalhou nas chalanas que levam mantimentos para as comunidades fixadas na beira dos rios pantaneiros. Lembrou também do moinho de trigo, que fechou nos anos 70.

 O retorno

Vicente encontrou a mãe muito bem de saúde, com roupa nova, cabelos e unhas cortados, mas pedindo para ir para casa. Segundo os médicos que a atenderam, dona Julia sofreu intoxicação, devido à fumaça, e também desidratada. Ela não aceitou fralda e nem soro, mas se alimentou bem. Ela nasceu no dia 20 de janeiro de 1901 e seu nome em guató significa "flor do mato".

Depois do susto, dona Julia e o filho retornam hoje, de barco, para a sua morada, onde vivem ao lado de gatos e cachorros e à custa de doações da rede de proteção do Pantanal e dos turistas. Vicente disse que há mais de um ano não recebe a cesta básica da Funai. O mantimento é entregue à liderança da tribo guató, porém não chega. "A gente vive da lavoura e da pesca", diz.

Logística

Exército começa a instalar ponte de guerra em Rio Negro

Ponte provisória começa a ser montada, neste domingo (5), após queda provocada por excesso de peso e chuvas

05/04/2026 15h44

Divulgação Redes Sociais

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Quarenta e dois dias após a queda da ponte sobre o Rio do Peixe, o 9º Batalhão de Engenharia do Exército iniciou, neste domingo (5), a instalação de uma ponte de guerra provisória em Rio Negro, município localizado a 153 quilômetros de Campo Grande.

Durante o sábado (4), os militares começaram a descarregar a estrutura que será utilizada no projeto, na MS-080, onde a ponte caiu no dia 22 de fevereiro, em decorrência das fortes chuvas que atingiram o município.

A queda ocorreu quando um caminhão passava pela ponte. Conforme informações do governo do Estado, o acidente ocorreu devido ao excesso de peso.

 

 

 

Ponte provisória

O modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é usada, essencialmente, em rotas de abastecimento, foi modernizada para tráfego pesado e pode ser utilizada na substituição de pontes civis danificadas ou como ponte provisória.

Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países, como Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo.

Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser realizada manualmente ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e armazenada. A estrutura suporta a passagem de tanques de guerra e é facilmente transportada.

Reconstrução da ponte

O Governo de Mato Grosso do Sul, em publicação no dia 31 de março, por meio do Diário Oficial, oficializou a contratação emergencial para a reconstrução da estrutura, com custo estimado de R$ 13,2 milhões e prazo de execução de 360 dias.

A obra foi contratada junto à empresa Paulitec Construções Ltda. e inclui tanto a elaboração do projeto quanto a execução da nova estrutura. A medida ocorre após o reconhecimento da situação de emergência no município, decretada no fim de fevereiro.

Relembre

A ponte cedeu na manhã do dia 22 de fevereiro, na altura do km 145 da MS-080, enquanto uma carreta realizava a travessia. Parte do veículo chegou a despencar no rio, ficando pendurado entre o asfalto e a água. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

De acordo com o governo do Estado, o desabamento foi causado pela combinação entre o excesso de peso do caminhão e o desgaste da estrutura, agravado pelo alto volume de chuvas registrado ao longo daquele mês. No início de fevereiro, Rio Negro foi atingido por cerca de 250 milímetros de chuva, o que já havia comprometido trechos da rodovia.

A MS-080 é uma das principais ligações da região, conectando Campo Grande a municípios como Rochedo, Corguinho e Rio Negro, além de ser rota importante para o escoamento da produção rural.

Desde a queda da ponte, o trecho permanece interditado para veículos. Motoristas passaram a utilizar desvios por rodovias como a BR-163, via São Gabriel do Oeste, e a BR-419, sentido Corumbá.

Também foram abertas rotas alternativas por estradas vicinais, permitindo apenas o tráfego de veículos leves. Caminhões seguem impedidos de circular pelo local, o que tem impactado diretamente produtores e o transporte de cargas.

Nos primeiros dias após o acidente, a travessia de pedestres passou a ser feita com o auxílio de barcos.

Já na última semana, o Exército Brasileiro instalou uma passarela provisória sobre o Rio do Peixe, permitindo a passagem a pé entre as margens. A estrutura foi montada por cerca de 20 militares e deve permanecer no local por até oito meses, funcionando das 6h às 18h.

Apesar da medida, a travessia segue limitada e não resolve o principal problema da região: o bloqueio para veículos.

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TRÁFICO

Polícia prende traficantes que vendiam drogas em frente à escola infantil no São Conrado

Durante a abordagem, foram localizadas mais de cem porções de entorpecentes, divididas entre cocaína e maconha

05/04/2026 14h45

Foto: Arquivo Correio do Estado

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul prendeu dois homens, identificados como Ryan Carlos Vilasanti de Oliveira e  Mike Davison Medeiros da Silva Lima, na noite de sábado (4), pelo crime de tráfico de drogas. De acordo com uma denúncia anônima, os indivíduos vendiam cocaína e maconha no portão da Escola Municipal de Ensino e Educação Infantil (EMEI) do bairro São Conrado, de forma reiterada.

A denúncia foi formalizada na sede do Batalhão de Polícia Militar de Choque pelo pai de um aluno, que não se identificou com medo de represálias. Segundo os relatos, o crime era realizado por Ryan em frente ao portão da escola. O denunciante informou ainda que a venda de entorpecentes ocorre todos os dias da semana, fato que preocupa a comunidade local.

A equipe policial foi até o endereço indicado pelo denunciante e, ao acessar a via, visualizou dois indivíduos posicionados em frente à residência. Durante a abordagem, foram localizadas 113 porções de entorpecentes.

Nos bolsos da bermuda de Ryan, tinham 25 pacotes de cocaína e dez de maconha. Em baixo de uma pedra, a qual o rapaz estava sentado, haviam mais 33 porções de cocaína e 45 de maconha.

Durante a checagem nos sistemas policiais, as autoridades constataram que Mike Davison possui mandado de prisão em aberto, pelo crime de tráfico de drogas.

Diante dos fatos, os policiais deram voz de prisão a ambos os indivíduos. Os autores foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da Cepol (DEPAC/CEPOL) para a adoção das providências legais cabíveis.

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