Segunda, 20 de Novembro de 2017

Incra admite não ter como ajudar assentados

16 MAR 2010Por 08h:07
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não vê solução imediata para os problemas dos moradores dos assentamentos Avaré e Mutum, localizados na divisa dos municípios de Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo, região leste de Mato Grosso do Sul. De acordo com o superintendente do órgão no Estado, Valdir Cipriano Nascimento, o Incra está trabalhando para melhorar as condições dos assentados, mas “é preciso tempo para ver os resultados”. O Correio do Estado mostrou a situação dos moradores do Avaré e Mutum na edição de domingo (14). A Fazenda Avaré foi dividida, em 2005, em 462 lotes de 12,5 hectares. Mas, quatro anos depois de as famílias terem recebido as terras, ainda falta infraestrutura. As condições são inadequadas para atendimento de saúde, o solo é arenoso e não tem qualidade para plantar nenhuma lavoura e as estradas do assentamento estão tomadas por erosão e bancos de areia, impedindo que os ônibus do transporte escolar tenham acesso ao lotes e busquem cerca de 80 crianças, que desde o início do ano letivo estão sem aulas. Segu ndo Nascimento, a responsabilidade de dar manutenção às estradas dos assentamentos é dos municípios aos quais pertencem territorialmente. “O Avaré é o que está em situação mais crítica. Mas fechamos convênio com a Prefeitura de Santa Rita do Pardo este ano e vamos liberar R$ 250 mil para arrumar os pontos mais críticos das estradas”. A prefeita de Santa Rita do Pardo, Eledir Barcelos, confirma a assinatura do contrato, mas afirma que ainda aguarda o repasse e que a verba é insuficiente para corrigir o problema. “Ainda não recebemos o dinheiro, mas ainda este semestre vamos aplicar o recurso na melhoria das estradas. O valor é de grande serventia, mas não será a solução. Para aterrar e cascalhar todos os acessos do assentamento precisaríamos de, pelo menos, R$ 2 milhões. Busco parcerias com o Incra desde 2007, não posso trabalhar sozinha”. Sobre a sit u ação d as crianças que ficaram sem aulas por conta da precariedade dos acessos, a prefeita garantiu que elas não serão prejudicadas. “Como é um problema que de vez em quando volta a acontecer, as escolas já estão preparadas para isso. As crianças que estão sem aulas terão o conteúdo reposto em outras ocasiões”. Terra infértil Quanto ao fato de os moradores estarem com dificuldades para produzir no Assentamento Avaré, Valdir Nascimento afirma que o Incra contratou neste ano equipe de assessoria técnica que deve auxiliar assentados a melhorar a qualidade da terra. “Viver como pequeno produtor não é fácil. Não é à toa que cerca de 20% (6,6 mil) dos 33 mil que foram assentados em MS desistiram da vida no campo”. Por conta da fa lta de condições de sobrevivência, segundo os moradores do Avaré, muitos assentados abandonaram seus lotes. O superintendente confirma a afirmação. “Hoje temos cerca de 100 lotes desocupados, mas nem todos porque o assentado foi embora. Alguns tivemos de retomar porque o beneficiário era irregular”. De acordo com Nascimento, hoje, 184 assentados ocupam irregularmente lotes no Avaré. “Estamos cumprindo a legislação e vamos colocar outras pessoas no lugar”. O superintendente afirma, ainda, que os problemas que atingem os assentamentos visitados pela equipe do Correio do Estado não são “privilégio” do Avaré e do Mutum. Em Mato Grosso do Sul, existem 179 assentamentos e, segundo ele, todos enfrentam dificuldades. Na questão dos acessos, por exemplo, Nascimento afirma que a maior parte da estradas de terras loteadas do Estado estão em situação precária, por conta das chuvas atípicas deste verão. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo, mas ate o fechamento da edição não houve resposta.

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