Quarta, 22 de Novembro de 2017

Cultura

Inclusão cultural

6 JUL 2010Por 20h:10
OSCAR ROCHA

Avaliados como um dos principais acertos do Ministério da Cultura na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os pontos de cultura foram a marca da descentralização dos recursos públicos no segmento. Ao contrário das leis e de alguns editais da área, a intenção foi incentivar a ampliação de projetos que não tivessem como meta o mercado. A intenção é atender a cultura popular.

Em Mato Grosso do Sul, atualmente, 33 pontos funcionam efetivamente e, até o fim do ano, a perspectiva é de que mais 19 implementem ações. “A denominação ponto de cultura é um reconhecimento do Ministério da Cultura em torno das atividades implementadas por entidades, associações, sem fins  lucrativos, que existem há algum tempo”, explica Andréa Freire, coordenadora do Pontão Guaicuru – os pontões surgiram a partir do desenvolvimento dos pontos de cultura e servem como elo entre eles, a partir de diversas atividades.

Atualmente, o Ministério da Cultura firma parceria com administrações estaduais e municipais para viabilizar recursos. No total, R$ 180 mil são repassados, durante 3 anos, divididos em parcelas de R$ 60 mil. Deste montante, 20% saem do orçamento do Estado ou do município. Logo que iniciou o programa, quem fazia a contrapartida era o próprio ponto de cultura, em material ou serviços. O perfil dos pontos de cultura quanto às ações são bem diferentes. “Há aqueles de bordadeiras, costureiras, doces caseiros, entre outros. A forma de atuar é bem ampla”, explica Andréa.

A intenção do ministério é de que durante o período em que o ponto receba dinheiro público, o espaço planeje maneiras de sustentar-se na fase que não será mais subvencionado. A partir das ações dos pontos, atualmente os dirigentes lutam pela efetivação da Lei Cultura Viva, que prevê a manutenção de toda a estrutura do programa, mesmo em outro Governo.

Ponto de Cultura Maculelê (Ponta Porã)
O local amplia a atuação da Associação de Apoio à Capoeira, que existe há nove anos na cidade fronteiriça. “Atuamos em bairros como Marambaia, Planalto, Vila Áurea e também no centro da cidade”, explica o coordenador José Maria Viana Guedes. Além da capoeira, a entidade também possibilita às pessoas de todas as faixas etárias entrar em contato com danças afro-brasileiras, como o maculelê e puxada de rede. Atualmente, atende cerca de 90 pessoas. Outra ação implementada pelo ponto é a conscientização em torno do perigo das drogas, que é feito por meio de palestras em escolas. “Ser reconhecido pelo Ministério da Cultura como ponto de cultura possibilitou que nossa atividade fosse ampliada”, destaca José Maria. O grupo de dança da entidade  apresenta-se em escolas e eventos especiais.

Ponto de Cultura Novo Olhar (Campo Grande)
 – Funcionando no Instituto  Sul-Mato-Grossense para Cegos (Ismac), a entidade tem metas ambiciosas: atender deficientes visuais e de baixa visão, assim como à população em geral, no acesso à produção cultural. “O instituto consegue fazer trabalho muito bom nas áreas médica e social; com relação à cultura, agora com o ponto, poderá ampliar sua atuação”, explica a coordenadora Myla Barbosa.
Estão sendo disponibilizadas no ponto oficinas de dança, música, entre outros. A proposta pós-oficinas é a produção de um espetáculo envolvendo todos os participantes. A base será o texto da escritora Sandra Andrade, “O sono entristecido da lua pantaneira”. “A estreia será no próprio instituto e queremos levar o espetáculo para outros locais da cidade”, antecipa Myla. Outra ação do ponto é a inclusão digital dos deficientes visuais.

Ponto de Cultura Música Sem Fronteiras (Anastácio)
A iniciativa tem como carro-chefe o prosseguimento das atividades da banda coreografada, que leva o mesmo nome do ponto e existe há 20 anos, reunindo cerca de 80 integrantes. Paralelamente às ações da banda, acontecem oficinas de dança, música, artesanato, capoeira, incluindo o acesso à informação digital. Segundo o coordenador do projeto, Adriano Pereira de Costa  Pacheco, atualmente o ponto atende perto de 200 pessoas. “As oficinas são gratuitas e possibilitam acesso de um público amplo à música e à cultura em geral”, enfatiza Adriano.
O ponto conta com apoio  da Prefeitura Municipal de Anastácio, Eletrosul e Instituto Ressoarte, além de escolas públicas e artistas do Estado. O proponente do ponto é a Apae. 

Ponto de Cultura Violeiros e Baileiros da Alvorada (Nova Alvorada do Sul)
Ligado à prefeitura, o ponto tem a preocupação de oferecer à população acesso à produção cultural, além de buscar afastar jovens em situação de risco do contato com drogas. Paralelamente, são desenvolvidos nove projetos. O principal é o que nomeia o ponto e que reúne perto de 130 pessoas, entre instrumentistas e dançarinos, destacando a produção musical regional. Outras atividades de destaque são a dança de rua, com 70 participantes, e uma banda, com 80 integrantes. O espaço ainda oferece um centro de informática com dez computadores e sessões de cinema no fim de semana. “O ponto iniciou a parceria com o Ministério da Cultura em 2007. Era para encerrar este ano, mas conseguimos prorrogação por mais um ano”, explica a coordenadora do ponto, Mencia Kusano.

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