Quarta, 22 de Novembro de 2017

Impactos da mastite na produção de leite

19 ABR 2010Por 08h:53
Os impactos econômicos na produção de leite causados pela mastite, inflamação da glândula mamária, surgem pela queda na produção leiteira, perda na qualidade do leite, maior custo de produção e o descarte prematuro de vacas por perda de um ou mais quartos mamários, que se tornam fibrosos e improdutivos.
A interação entre as vacas, o ambiente, a ação do homem e possíveis erros de manejo, criam as condições favoráveis à contaminação da glândula mamária e ao desenvolvimento das mastites, causadas por bactérias e fungos.

Os casos de mastite podem ser divididos em três formas:
1.    Mastites Clínicas – há sintomas inflamatórios e claras alterações na secreção do leite (qualidade e quantidade). O tratamento deve ser feito imediatamente, tanto por via intramamária como sistêmica.
2.    Mastites Subclínicas – não há inflamação aparente da glândula mamária, com a mínima variação na qualidade do leite e queda variável na produção. O tratamento mais recomendado é no início do período seco, para que o produto atue no úbere por mais tempo, trazendo resultados satisfatórios.
3.    Crônica – é a manutenção da fase subclínica ou a ocorrência alternada desta com a forma clínica. É caracterizada pela perda definitiva do quarto mamário e, geralmente, os animais devem ser descartados por serem potenciais fontes de contaminação às demais vacas.

Prejuízos associados
Originalmente, a produção de leite das vacas destina-se à alimentação do bezerro, ou seja, com a produção diária de 3 a 6 litros. Os avanços da zootecnia nas últimas décadas levaram os criadores a selecionar vacas mais produtivas, com grandes áreas de úbere e alta capacidade de produção leiteira, com fins comerciais. Porém, esses avanços devem ser acompanhados pela melhoria do sistema de sustentação da glândula mamária e de sistemas de proteção do úbere, uma capacidade de ingestão de alimentos e um plano nutricional que dê suporte à produção de leite.
Se esses cuidados não forem tomados, o produtor enfrentará problemas sérios com seu rebanho. Radostis et al. (2007) descreveram que a doença atinge  de 10 a 12% do rebanho total durante o ano, com animais que adoecem de forma recorrente.
As principais perdas, entre 70 e 80% do total, são causadas pelas mastites subclínicas, que embora não tenham sintomas visíveis, diminuem a síntese de leite. Os casos clínicos provocam de 20% a 30% das perdas (Philpot e Nickerson, 1991). Para cada caso de mastite clínica, pode haver de 15 a 40 casos de mastite subclínica no mesmo lote. Um rebanho com Contagem Células Somáticas (CCS) entre 200 e 500 mil células pode perder 8% do seu potencial de produção leiteira, ou seja, para cada 1000 litros, deixa de produzir cerca de 80. No momento de escolher um tratamento, o ideal é buscar orientação de um veterinário e estabelecer programas de higiene e prevenção. O hábito de tratar as vacas no momento da secagem também é um método preventivo importante porque atua antes que o quadro seja mais severo. A vaca, no período seco, irá recuperar sua glândula mamária para a próxima lactação e eliminar os casos de mastite subclínica que poderão tornar-se clínica logo após o parto. Nesta fase é possível alcançar a cura de 70% a 80% dos casos de mastite, resultados bem superiores aos alcançados nos tratamentos das vacas em lactação.

Octaviano Alves Pereira Neto, veterinário e Gerente Técnico da Área de Bovinos da Novartis Saúde Animal

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