Segunda, 20 de Novembro de 2017

Impacto social

22 MAR 2010Por 01h:06
Como motivar crianças da periferia de Campo Grande e evitar que elas se aproximem da violência que assola locais isolados da Capital? Este questionamento levou o empresário Fernando Campos a criar o Projeto Impacto Aventuras, com o qual visita escolas públicas mensalmente, levando palestras motivacionais e esportes radicais, como tirolesa, rapel e arvorismo. O grupo, que tem apoio dos escoteiros Atalaia do Pantanal, conta com cerca de 30 integrantes, todos voluntários. Na última sexta-feira, durante a manhã e a tarde, o grupo realizou suas atividades na Escola Estadual João Carlos Flores, com crianças e adolescentes que estudam no estabelecimento, além de moradores dos bairros Jardim Morumbi e Rita Vieira. “É um prazer enorme oferecer a todas essas crianças uma tarde divertida como essa. Acredito que isso contribua para que elas se tornem conscientes de seu papel enquanto cidadãos, além de mostrar que é possível chegar aonde quiserem”, comemora a diretora da escola, Cícera Barbosa dos Santos. No trabalho apresentado aos alunos das escolas, os voluntários abordam temas como os sonhos e aqueles que tentam roubá-los, a violência doméstica, os vícios como bebidas e drogas, obediência, divórcio, coragem e perseverança. “Queria encontrar uma forma de falar às crianças, mas também fazê-las viver aquilo que apresentamos. Para isso, as visitas são divididas em duas partes: na primeira, apresentadas pequenas palestras e, em seguida, as crianças praticam os esportes, durante os quais lidamos com questões como a coragem e a força de vontade”, esclarece Fernando. Segundo ele, muitos empresários praticam esportes semelhantes para ganhar coragem em lidar com o mundo dos negócios. Disso surgiu a ideia em se trabalhar com crianças e adolescentes. Nas visitas, a trupe do Impacto Aventuras também procura divulgar os grupos de escotismo do Estado. “Fazemos isso para que eles se mantenham próximos de algo que lhes fará bem. Aconselhamos que procurem o grupo mais próximo para dar continuidade a essas atividades”, aponta Juber de Jesus Severino, sargento do Corpo de Bombeiros e presidente do Atalaia do Pantanal. Cultivando sonhos Vestindo farda, boina e óculos escuros, o capitão do Exército, Marco Antônio Pires, conta aos alunos uma história sobre um garoto que tinha o sonho de pilotar grandes aeronaves. “É a história de uma criança comum, que teve uma infância sem grandes confortos e sempre estudou em escolas públicas, algo com o que todos os ouvintes se identificam. O garoto tinha o sonho de se tornar piloto e conseguiu”, conta o capitão, que ao final releva ser ele a criança sobre a qual falava. Embora esteja há pouco tempo no grupo, cerca de um ano e meio, Marco Antônio acredita no potencial da ideia. “O apoio que damos às crianças, com certeza, faz toda a diferença. Acredito que isso será algo que levarão para toda a vida”, defende. Fernando, o idealizador do projeto, afirma que já perdeu a conta do número de escolas que receberam o Impacto Aventuras desde que este foi criado, em 2005, na época chamado Impacto Radical. “Apesar de ter sofrido muitas modificações, o projeto ainda mantém o mesmo objetivo: fazer com que as crianças acreditem em seu potencial”. Ele justifica que muitos ali podem viver em lares destruídos, onde os pais dificilmente dizem palavras que encorajam e transmitam amor. “Estamos aqui para dizer que, apesar de tudo, elas podem ir além”, frisa.

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