Quarta, 22 de Novembro de 2017

Ilicitudes, tolerância, cassação!

4 MAR 2010Por ADRIANO GARCIA,05h:00
O que estaria acontecendo com os valores do ser humano? Desde nossa infância aprendemos de diversas formas e métodos, o que é certo e o que é errado, lembrando de que, se optarmos pelo certo, nada mais estaríamos fazendo que a nossa obrigação, como sabemos também que, ao optarmos pelo errado, consequências serão sofridas pela infeliz escolha do errado. Assim vivemos por séculos e mais séculos, mas, como exceções também são uma constante em nossas vidas, há os que optam pelo errado. Para tanto, as sociedades civilizadas sentindo a necessidade de se organizar, resolveram criar regras, leis e, punições. Contudo, tiveram também que capacitar profissionais específicos e instituições reguladoras, para que a injustiça fosse coibida a todo custo. Nos dias atuais vemos muitas injustiças, sendo que, inúmeras delas nem chegam a ser julgadas ou sequer são vistas como injustiças, como: a falta de acesso em um local público por um cadeirante, está na lei a obrigatoriedade da necessidade de uma rampa, no entanto, ninguém faz nada. A Constituição é clara no que diz respeito à saúde, que é um direito de todos, todos quem? Diz também que temos direito à educação, mas, o índice de analfabetismo ainda é alto e, a baixa qualidade do ensino público é latente, que temos direito à segurança, mas, o Estado negligencia a lei, e, em relação aos nossos nobres políticos, afinal, existem leis para eles também, porém, punições são raras, quase que inexistentes. Ultimamente estamos vendo um show de corrupções e desrespeitos às leis, por incrível que pareça, quase nada acontece. A impunidade impera e parece criar uma rede de protecionismo em todas as instituições, pois, nada acontece. O dinheiro público passou a ser usado de diversas formas, entre elas, a mais usada é a irregular, sem que nada aconteça para quem faz o uso indevido. Bom, estamos em ano de eleições, e, como é de praxe, muitos candidatos à reeleição ou à eleição têm que “investir” na campanha, isso só acontece se houver disponibilidade de recursos financeiros, ou seja, dinheiro. Aí eu pergunto: para se fazer uma campanha onde o intuito é ser candidato a uma vaga de candidato ao senado, vejo os digníssimos viajarem por todo o Estado, logicamente, nunca sozinhos, pois, há uma comissão de assessores, secretários e outros. Quanto custa cada viagem? De onde vem tanto dinheiro? Vale a pena investir muito mais do que se ganhará em salários? Essa semana vimos um deputado federal, pré-candidato a uma vaga ao senado, fazer uso de uma Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Foram reproduzidos 40 mil exemplares de um boletim com instruções de como votar na prévia, distribuídos entre filiados do PMDB em Mato Grosso do Sul e pagos com verba pública. O gasto de pelo menos R$ 12 mil foi autorizado pela Câmara dos Deputados, embora a regra para uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar proíba o pagamento de despesas “de caráter eleitoral”. O próprio deputado assumindo a atitude ilícita, devolveu R$ 8.590 aos cofres públicos, ou seja, abaixo do valor “emprestado”. Sabendo do ato ilícito, tanto que devolveu parte do valor, fica o nobre deputado quite com a justiça eleitoral e cível? Nem quebra de Decoro Parlamentar sofrerá? Se a resposta for sim, me atreverei a fazer a seguinte comparação: um sujeito trabalha num estabelecimento e leva consigo R$ 20.000 para uso da empresa. Mas, resolve utilizar o erário em benefício próprio, ao perceber que foi descoberto ao usar um dinheiro que não é seu, e, será pego, resolve devolver R$ 15.000. Este sujeito fica então, automaticamente, livre de dar explicações à justiça, passando a seguir normalmente sua vida. O patrão entende e resolve não lhe dar as contas. Será que é assim que funciona? Sem punições, sem explicações, simplesmente foi pego e “rapidamente” devolveu parte do subtraído do povo aos cofres. FIM. Não, não é assim, não aceito esse descaramento com a coisa pública, o TRE tem que punir, não cabe nem investigação, pois, o deputado, mesmo sabendo que a verba não era para uso político-pessoal se utilizou do dinheiro público, só devolver não basta, tem que arcar com o ônus do ato. O ônus é a Quebra do Decoro Parlamentar, portanto, CASSAÇÃO! Recentemente um vereador do mesmo partido, coincidentemente, ocupou a tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande para fazer propaganda da dita prévia do PMDB, a Câmara é do povo, para o povo, não é para convocar filiados de partido A, B ou C, e, muito menos para emitir a preferência do vereador por candidato A ou B. Isso se chama Quebra do Decoro Parlamentar, portanto, CASSAÇÃO! Um deputado, desse mesmo partido, se utilizou do site da Assembleia Legislativa para anunciar que seu programa de TV estrearia em outro canal, isso se chama Quebra do Decoro Parlamentar, portanto, CASSAÇÃO! Não podemos mais ter tolerância com as atitudes ilícitas dos políticos brasileiros. Os gastos que eles têm pra se manter nos cargos, fazendo campanhas milionárias para se reeleger não têm mágica, se eu gastar numa campanha o que eu vou ganhar em quatro anos com salário, não compensa, afinal, o que fazem por nós é muito pouco. A conta é simples, se eu tiver que investir 4x em 03 meses de campanha eleitoral para ganhar 1 ou 2x em 04 anos de mandato, ganhará um processo de beatificação, podem apostar! Chega de panetones, pizzas, malas, cuecas, sacolas, etc. Lembrem-se do que seus candidatos prometeram, veja se cumpriram? Avaliem o que e quanto foi melhorado para a população. Renovação, é isso que precisamos!

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