Terça, 21 de Novembro de 2017

Iguais perante a lei

31 JUL 2010Por 16h:30
Nas últimas semanas, têm sido notórios os casos de assalto a padarias na região central de Campo Grande. Os ataques não chegam a ser novidade, embora estejam cada vez mais ousados e seguidos. Algumas delas já contrataram até seguranças armados para tentar afastar os bandidos. Pela forma de agir, os ataques mais recentes foram feitos pela mesma quadrilha. E, ao que se sabe, até ontem a polícia não dispunha de pistas que pudessem levá-la à cadeia.
            Padarias não são os únicos nem os alvos preferidos da bandidagem. Diariamente há registro de invasão de residências. E, no começo desta semana, o endereço escolhido foi a residência de um desembargador, vice-presidente do Tribunal de Justiça. Ele diz ter passado dez minutos de terror na mão dos assaltantes, que levaram dinheiro, relógios, notebook e uma pistola. Nem mesmo o fato de a casa contar com um vigilante intimidou os ladrões, que renderam e ainda agrediram-no. Pelo que se sabe até agora, tratou-se de apenas um assalto a mais na cidade e os delinquentes não tinham conhecimento de que estavam invadindo a residência de uma autoridade.
            O que não foi incomum, contudo, foi a agilidade com que a polícia desvendou o caso e prendeu um dos envolvidos, recuperando, inclusive, parte dos objetos roubados, o que evidencia que a pessoa certa foi detida, no caso um menor de idade. Menos de 40 horas depois do assalto o adolescente já estava nas mãos da polícia. Ao ser questionada sobre a agilidade, a polícia resumiu-se a afirmar que havia sido intuição de um dos investigadores, que descobriu o paradeiro dos ladrões por conta do rumo que os invasores tomaram depois que saíram da casa do desembargador, no Jardim Autonomista.
            Com esta evasiva ficou claro que a intenção era manter sob sigilo a real metodologia de investigação. A polícia realmente não tem obrigação de revelar a estratégia de seu trabalho, sob pena de prejudicar investigações futuras. O importante é que haja resultados, embora não se possa admitir que meios ilícitos sejam utilizados, pois os fins não justificam os meios. A questão, porém, é saber por que o caso envolvendo um desembargador foi tão rapidamente esclarecido (ainda falta prender o restante do bando) e outras situações são simplesmente engavetadas. Os proprietários de padarias certamente gostariam de ouvir esta explicação. E isto não só para evitar que outros estabelecimentos sejam atacados, mas também para recuperar aquilo que foi subtraído nos últimos roubos, pois empresa alguma pode se dar ao luxo de ver o faturamento  de um dia sequer indo pelos ares.
            Empenho policial semelhante verificou-se recentemente apenas no caso do assassinato da arquiteta Eliane Nogueira, e na investigação para esclarecer do assalto ao Prático do Aero Rancho, quando os bandidos roubaram até mesmo as armas de dois policiais militares. Por conta da gravidade do caso e da ousadia dos bandidos, o caso realmente merecia atenção especial, tanto que os envolvidos foram capturados um a um, inclusive o homem que teria arquitetado este e outros assaltos.
            É natural que determinadas investigações recebam prioridade sobre outras, pois tudo na vida funciona de acordo com uma escala de importância. Porém, a disparidade de tratamento dada aos casos envolvendo "cidadãos comuns" e aqueles que tiveram autoridades como vítimas é exageradamente grande. A Constituição diz que todos são iguais perante a lei.

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