Cidades

IMPOSTOS

ICMS ecológico, bom só para o município

ICMS ecológico, bom só para o município

BRUNA LUCIANER

30/11/2010 - 00h00
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Que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é uma das principais fontes de arrecadação de Mato Grosso do Sul e seus municípios você já deve saber. Mas o que ele tem a ver com ecologia, talvez você não saiba. Simples: do total repassado pelo estado aos seus municípios, 5% são divididos de acordo com critérios ambientais, que consistem na existência de Unidades de Conservação (UCs), áreas de terras indígenas e mananciais de abastecimento público dentro da área dos municípios.

Pode parecer pouco, mas 13 municípios sul-mato-grossenses receberam, em 2009, mais de R$ 1 milhão só em decorrência do ICMS ecológico; Jateí, o campeão, fechou o ano passado com R$ 5 milhões na conta, uma média de R$ 417 mil por mês.

Até aí tudo lindo. O problema é que esses recursos trafegam em via de mão única; as Unidades de Conservação (públicas e particulares) geram renda para o município, mas não recebem nada em troca. Isso acontece porque não existe uma legislação específica que oriente a distribuição desses recursos. “A forma como o município vai gerenciar o dinheiro é ele quem determina. É um recurso que vai entrar na prefeitura e a administração decide quais são as prioridades”, explica Cyntia Cavalcante, bióloga da Associação de Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Mato Grosso do Sul, a Repams. Muitas vezes, praticamente sempre, há necessidades mais “urgentes” do que a gestão das Unidades de Conservação, como reforma de prédios públicos, distribuição de auxílio-alimentação, equipamentos hospitalares, entre outras.

Existe um apelo grande, por parte dos responsáveis pelas Unidades de Conservação, para que pelo menos uma parte desses recursos sejam destinados a auxiliar na gestão das áreas e promover a preservação ambiental. É o caso, inclusive, do Estado do Paraná, primeiro Estado brasileiro a instituir o ICMS ecológico.

Critérios de distribuição

Como é que Jateí, com apenas 1,9 quilômetro quadrado de área e quatro mil habitantes, recebe mais dinheiro proveniente de ICMS ecológico do que Bonito, por exemplo, que tem 4,9 quilômetros quadrados de área, 19 mil habitantes e várias atrações ecoturísticas?

O valor do ICMS ecológico é calculado com base em uma fórmula que leva em consideração, entre outros fatores, o tamanho das unidades de conservação, o tamanho do município e o fator de conservação dessas unidades. Jateí tem quase todo o seu território demarcado como Área de Proteção Ambiental (APA), o que, proporcionalmente, acaba fazendo diferença.

O fator de conservação (FC) também pesa muito na quantidade de recursos repassados. Cada tipo de Unidade de Conservação tem um FC específico, que ajuda a determinar, qualitativamente, o coeficiente do município. “Esse fator de conservação varia de Estado para Estado e ajuda a calcular o valor que o município vai receber por unidade de conservação”, explica Cyntia.

ICMS

75% do Importo sobre Circulação de Mercadorias e Serviços é distribuído proporcionalmente de acordo  com as atividades de circulação de mercadorias e prestação de serviços desenvolvidas pelo município. Os outros 25%, no MS, são distribuídos da seguinte maneira: 7% igualitariamente entre todos os municípios; 5% em função da extensão territorial do município; 5% em virtude do número de eleitores; 3% conforme o índice resultante do percentual da receita própria e, por fim, os 5% “ecológicos”, de acordo com os critérios ambientais, que consistem na existência de Unidades de Conservação, áreas de Terras Indígenas e Mananciais de Abastecimento Público.

FRONTEIRA

Advogado põe em xeque maior apreensão de cocaína da história

Segundo defesa de transportadora, primeiros testes químicos não encontraram a droga no carregamento de toras de madeira

11/07/2026 08h00

Divulgação/Exército

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Responsável pela investigação para apurar a suspeita de maior apreensão de cocaína do País, a Polícia Federal (PF) ainda busca provas materiais para identificar quimicamente se há droga em 260 toneladas de madeira. Pelo menos é isso que alega advogado que representa as empresas envolvidas na apreensão.

O carregamento, conforme apurado, pode custar mais de R$ 200 mil, e as toras, carregadas em oito caminhões, seguem apreendidas em Corumbá e Cáceres (MT). A apreensão ocorreu durante a Operação Timber Shield, que foi divulgada no dia 22 de junho.

Como as cargas seguem paradas, a defesa das empresas de transporte divulgou nota para informar que ainda faltam provas materiais sobre a existência de produtos ilícitos no carregamento.

“[...] os próprios documentos constantes do inquérito policial demonstram que, no estágio inicial das investigações, os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal apresentaram resultado negativo para todas as amostras analisadas, sendo consignado expressamente pela autoridade policial que a materialidade delitiva ainda dependia de confirmação técnico-científica, não sendo possível afirmar, com segurança, a presença de cocaína ou de qualquer outra substância ilícita apenas com base nos elementos então disponíveis”, informou o escritório Leandro Lobo Advocacia, em nota enviada ao Correio do Estado.

O escritório de advocacia, sediado no centro de Corumbá, ainda destacou que, como ainda não há prova material sobre prática de crime, as empresas de transporte e os funcionários que estavam no caminhão durante o transporte não respondem oficialmente por irregularidades.

“Além disso, as diligências policiais tiveram por objetivo justamente aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, evidenciando que, naquele momento, não havia conclusão definitiva acerca da existência de entorpecente, tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividade criminosa”, trouxe a nota assinada pelo advogado Leandro Machado Souza Lobo.

A defesa das empresas informou que no inquérito da Polícia Federal consta a informação de que as autoridades policiais tinham “informações preliminares repassadas acerca da possível presença de substância entorpecente”.

Quando ocorreu a operação, havia mobilização na Bolívia e no Brasil, com apoio dos Estados Unidos, em função da possível existência de um carregamento de cocaína a ser levado para diferentes países a partir do território boliviano.

Houve mobilização no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, bem como nas fronteiras da Bolívia com o Brasil. Foi durante esse trabalho investigativo que houve a localização das toras de madeira nos caminhões.

Nessa averiguação, nota da Polícia Federal apontou que havia a suspeita de haver escondido nas toras de madeira até 50 toneladas de cocaína em forma líquida.

Essas suspeitas ocorreram porque houve uma apreensão recorde de cocaína em território chileno no dia 6 de junho. Naquele país, foram localizadas 100 toneladas de cocaína vindas da Bolívia e que seriam distribuídas para diferentes países. A droga estava escondida em toras de madeira na forma líquida.

Quatro caminhões foram interceptados em Corumbá e outros quatro em Cáceres (MT); eles transportariam cocaína, além de madeira - Foto: Divulgação/Exército

SEM RESPOSTA

O Correio do Estado procurou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para obter informações atualizadas sobre o inquérito da Operação Timber Shield.

Houve envio de questionamentos tanto para as unidades em Mato Grosso do Sul quanto em Mato Grosso e também para as chefias em Brasília (DF).

Também foi solicitado à Perícia Criminal da PF detalhes sobre a análise química das madeiras coletadas. Ainda não houve retorno sobre os questionamentos.

Como as autoridades chilenas conseguiram identificar a cocaína escondida na madeira durante operação feita em três portos – Arica, Santo Antonio e Valparaíso –, a reportagem perguntou à Polícia Federal se poderia haver troca de informações com o Chile, mas também não houve retorno.

*SAIBA

A apreensão foi feita com o apoio da inteligência do Brasil, da Bolívia e dos Estados Unidos, que colaboraram com informações.

Confronto

Terceiro suspeito de matar PM morre em confronto com o Bope em MS

Suspeito foi localizado em uma propriedade rural na região de fronteira, reagiu à abordagem da PM e morreu após troca de tiros, segundo a corporação.

10/07/2026 20h30

Foto: Divulgação Bope.

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O terceiro suspeito apontado pelas investigações como participante direto da execução do policial militar Marcelo Pimenta morreu no fim da tarde desta sexta-feira (10), durante um confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), em uma propriedade rural na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá.

Identificado como Waldiney Junior de Souza Alfonso, de 29 anos, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, equipes do BOPE receberam uma denúncia anônima informando que o suspeito estaria escondido em uma fazenda localizada no lado brasileiro da fronteira.

A partir das informações, foi desencadeada uma operação integrada envolvendo policiais do BOPE, do 6º Batalhão da Polícia Militar e da Polícia Federal.

Após o cerco ao imóvel rural, os militares iniciaram a aproximação tática e localizaram o suspeito. Conforme a versão apresentada pela corporação, ao perceber que estava cercado, Waldiney Junior de Souza Alfonso desobedeceu às ordens de rendição e abriu fogo contra a equipe utilizando uma pistola Browning calibre 9 milímetros.

Diante da reação armada, os policiais revidaram os disparos. O suspeito foi atingido durante o confronto, recebeu atendimento ainda no local e foi encaminhado com vida para uma unidade hospitalar. Apesar do socorro, o médico plantonista confirmou a morte poucos minutos após sua entrada no hospital.

Com a morte de Waldiney Junior de Souza Alfonso, todos os três homens apontados pela investigação como responsáveis pelos disparos que mataram o soldado Marcelo Pimenta já morreram durante operações das forças de segurança.

O primeiro suspeito foi morto ainda no dia do crime, durante confronto com equipes da Força Tática da Polícia Militar. O segundo, identificado como Rubens Zilio, morreu dias depois durante uma emboscada registrada enquanto era transferido sob escolta do Bope.

A morte do policial militar desencadeou uma ampla força-tarefa para localizar todos os envolvidos no ataque, considerado um dos mais graves já registrados contra integrantes das forças de segurança em Mato Grosso do Sul.

Marcelo Pimenta foi executado no dia 30 de junho com disparos de fuzil enquanto estava em serviço, crime que provocou forte mobilização das forças estaduais e federais.

Desde então, participam das buscas equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar de Corumbá, Bope, Batalhão de Choque, Polícia Federal, Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e Polícia Civil.

As ações também contam com apoio das autoridades bolivianas, devido à possibilidade de fuga de integrantes do grupo criminoso para o país vizinho.

Apesar da morte dos três suspeitos apontados como executores, as investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos que tenham participado da logística da ação criminosa, fornecido armamentos, facilitado a fuga ou prestado apoio ao grupo antes, durante ou após o assassinato do policial militar.

Nota do Bope

Na nota divulgada após a operação, o Bope destacou que o confronto demonstra a capacidade de resposta das forças de segurança diante de ataques contra agentes públicos.

A corporação ressaltou que o assassinato de Marcelo Pimenta representou uma grave afronta à ordem pública, especialmente pelo emprego de armamento de guerra em plena área urbana.

A unidade também afirmou que as operações de combate ao crime organizado continuam e reforçou o compromisso da Polícia Militar com a preservação da ordem pública, a proteção dos policiais e da população sul-mato-grossense.

Em mensagem direcionada à tropa, o Bope homenageou o soldado Marcelo Pimenta e afirmou que a corporação seguirá atuando para responsabilizar todos os envolvidos no crime.

"A memória de nosso herói, soldado PM Marcelo Pimenta, segue viva nos corações de toda a tropa. Mais operações serão realizadas para garantir que policiais e cidadãos possam cumprir suas atividades com segurança, dentro da legalidade e com domínio territorial em todas as regiões do Estado", afirmou a corporação.

Letalidade cresce em Mato Grosso do Sul

Com a morte registrada nesta sexta-feira (10), Mato Grosso do Sul chegou a 77 mortes decorrentes de intervenção policial em 2026, conforme levantamento do Correio do Estado com base em registros oficiais.

O número reforça o aumento da letalidade nas ações policiais: enquanto em 2023 uma morte era registrada, em média, a cada 67 horas, neste ano o intervalo caiu para aproximadamente 57 horas.

O cenário também foi marcado pela morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, em Corumbá, encerrando um período de cinco anos sem registros de policiais mortos em serviço no Estado.

Dados históricos da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que 434 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais entre 2013 e 2023 em Mato Grosso do Sul.

 

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