Sexta, 24 de Novembro de 2017

Humor no cabide

18 AGO 2010Por 05h:45
Mariana Trigo, TV Press

Um dos protagonistas de “Ti-ti-ti” é o figurino. Desde a abertura da trama com tesouras, agulhas e croquis, passando pelos desfiles, imagens de ateliers de estilistas e principais personagens que vivem do mundo da moda, a história tem sido costurada pelo figurino da experiente Marília Carneiro. A figurinista, que começou a lançar moda na tevê há 32 anos quando colocou meias de lurex nos pés de Júlia, de Sônia Braga, em “Dancin’ days”, e fez do acessório um clássico dos anos 70, agora se reinventa na trama adaptada por Maria Adelaide Amaral. Acostumada a sempre trabalhar em novelas de Gilberto Braga, em que consegue destacar a sofisticação de grande parte das personagens através das roupas, Marília assume que muitas vezes tem pegado a contramão do bom gosto com “Ti-ti-ti”. Afinal, com uma obra baseada no humor, os figurinos não precisam ser tão naturalistas. Nessa história, cabem exageros e uma overdose em tecidos e acessórios, com um estilo para lá de duvidoso. “Não esperem a beleza que mostro nas novelas do Gilberto porque estou fazendo humor. Vou trabalhar com a caricatura, que é uma faceta da minha personalidade pouco conhecida. Me lembra quando fiz ‘TV pirata’”, compara.
Para os personagens centrais, Jacques Leclair e Victor Valentim, interpretados, respectivamente, por Alexandre Borges e Murilo Benício, a figurinista se inspirou em estilistas famosos. Jacques foi uma espécie de homenagem a Dener, o brasileiro que fez sucesso nos anos 60 e 70. Já Victor foi baseado na extravagância do estilista britânico John Galliano e do francês Jean-Paul Gaultier. “Se você não os retrata com humor, fica estranho pela exuberância”, ressalta Marília.
Durante todo o trabalho de composição da indumentária dos personagens, a figurinista preferiu não assistir a primeira versão da história, que na época exibia roupas com ombreiras, cabelos com corte repicado – como os dos cantores sertanejos – e muitos tons cítricos. Nesse “remake”, Marília aposta nas unhas pintadas de cinza e azul marinho como os novos acessórios da moda. “Invisto também no figurino e nos cabelos da Guilhermina Guinle. Também senti falta da minha meia de lurex e já coloquei a personagem da Fernanda Souza para usá-la com ‘ankle boot’”, avisa, se referindo ao mais atual modismo da bota de cano curto, usada no figurino da personagem.
Mas um dos xodós de Marília na trama é o figurino de Malu Mader como a editora de moda Suzana. Para a personagem, a figurinista se inspirou em Corine Roitfeld, editora da revista “Vogue” francesa. “Fui na Daslu (multimarcas chique paulistana) e arrematei várias coisas da Chanel para ela. Também aposto nos paetês que ela usa com despojamento”, valoriza.
Para a perua Jaqueline, vivida por Cláudia Raia, Marília investe num estilo quase barroco. Misturou pedrarias, correntes, muito brilho e modelagens largas, como calças sarouel. “Sabe que até achei harmônico aquilo tudo?”, diverte-se a figurinista, que também recebeu uma espécie de “encomenda” do diretor Jorginho Fernando. Ele quis que a primeira roupa que aparecesse de Victor Valentim na história fosse um clássico dos anos 50, que foi vestido por Desirée, de Mayana Neiva, confeccionado pela grife Martu. “Foi uma modelagem inspirada num Dior em tom vermelho extremamente clássico. Coloquei todos os outros atores em tons de cinza para o vestido se sobressair nesta cena”, entrega.
Para a “fashion” Luísa, de Guilhermina Guinle, Marília pintou e bordou. A personagem veste desde modelitos da estilista Gilda Midani até as roupas da Osklen, que fazem um visual “surradinho chique”. “Ela sempre fez personagens certinhas demais na tevê. Agora vou colocar decotões naquelas costas, que são lindas”, avisa Marília, que também pediu para o diretor para abrir a trama com um desfile do estilista Alexandre Herchcovitch. “Ele tem um olhar que mistura elegância com humor. É um exemplo de sucesso brasileiro exportado para o mundo inteiro. Tem cacife para competir lá fora e resume o olhar da trama para o mundo da moda”, analisa.

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