Terça, 21 de Novembro de 2017

Hospital nega falha em operação de jovem que perdeu movimentos

15 JUL 2010Por 08h:11
Vânya Santos

Hospital Universitário (HU) nega falha no atendimento e aponta recusa de internação por parte de Rita Stefanny de Oliveira Ribeiro, 19 anos. A estudante deu entrada na unidade para tratamento de cálculo renal, mas em decorrência de infecção generalizada e parada cardíaca, que durou cerca de 10 minutos, ficou com sequelas neurológicas, perdendo os movimentos do corpo e fala.
O vice-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), João Ricardo Tognini, explicou que o HU demorou para se manifestar sobre o caso porque o Comitê de Ética da unidade estava fazendo levantamento e apuração dos fatos, que não apontaram irregularidades em relação ao atendimento prestado a Rita. “A família tem o direito de questionar judicialmente e estamos tranquilos quanto a isso”, afirmou.
De acordo com o diretor-geral do hospital, José Carlos Dorsa, a jovem estava internada no Hospital Regional Rosa Pedrossian, foi transferida na tarde do dia 27 de janeiro deste ano para o HU, mas se recusou a ir. “Ela teve a infelicidade de ser encaminhada e se recusar a ser internada, ficando algumas horas em casa. Quando veio para o hospital o caso já era grave”, explicou.
José Carlos esclareceu que exames feitos no Hospital Regional já apontava diagnóstico de infecção generalizada, como pressão arterial baixa e frequência cardíaca alta, além de hemograma alterado. “A sepse (infecção generalizada) destruiu as plaquetas e comprometeu 70% da função renal”, ressaltou, contando que a administração do antibiótico foi ajustada, conforme o funcionamento do rim da paciente.
O médico explicou que o foco da infecção foi tratado com a inserção de um catéter duplo J para drenagem do pus, mas seis horas depois do procedimento ela sentiu falta de ar e teve que receber tratamento intensivo preventivo. Depois teve hemorragia pulmonar, no tecido nervoso e em outros órgãos, passando a respirar com ajuda de aparelhos e a tomar antibiótico de “altíssimo custo”. “Tudo que existe no arsenal terapêutico foi feito. Em qualquer outro local ela não teria sobrevivido as primeiras 24h”, garantiu.
Ainda conforme José Carlos, a família da estudante solicitou que a mesma equipe de profissionais, que atendeu Rita inicialmente, faça a retirada do catéter – que pode ficar até seis meses no organismo –, mas em outra unidade hospitalar.

Ata
Com relação ao livro de enfermagem, o vice-reitor da UFMS disse que o documento está disponível para consulta do Ministério Público Federal e que a defesa da paciente pode ter acesso mediante decisão judicial. A advogada Giovanna Trad, representante de Rita, solicitou na última semana, na Justiça Federal cópia do livro para confrontar os dados com informações do prontuário médico. João Ricardo explicou que o livro é uma ata feita pela equipe de enfermagem e nele constam informações de outros pacientes, por isso, não pode ser fornecido.

Leia Também