Quinta, 23 de Novembro de 2017

Homens invadem posto e encurralam médicos

23 JAN 2010Por NATHÁLIA CORRÊA08h:11
Revoltados com a demora no atendimento, cerca de 20 homens invadiram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Almeida na noite de quinta-feira, encurralaram médicos e só não houve quebra- quebra porque integrantes da Guarda Municipal conseguiram apaziguar os ânimos. Este foi o segundo caso, neste mês, em que as pessoas se insurgem contra os serviços prestados nos postos da Capital e se voltam contra os profissionais. No último dia 9, uma médica foi agredida verbal e fisicamente por uma paciente no Posto de Saúde da Coophavila II. De acordo com o registro policial feito à época, uma moradora do assentamento Eldorado – a 80 quilômetros de Campo Grande – procurou atendimento por estar sentindo fortes dores de cabeça. Três horas depois de estar aguardando, ela foi ao banheiro quando, então, houve a chamada de seu nome. Ao reclamar, acabou discutindo com a médica e, nervosa, cometeu a agressão física. Em consequência, foi alvo de inquérito policial. A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde confirmou o fato ocorrido na Vila Almeida, acrescentando que a demanda nos postos tem sido maior nos últimos dias em virtude da epidemia de dengue. Porém, esclareceu que a manifestação das pessoas não teria sido em proporções graves, tentando minimizar o ocorrido. De acordo ainda com as informações oficiais, quatro médicos estavam trabalhando naquela unidade. Até às 22h – quando ocorreu a invasão – tinham sido atendidas pelo menos 250 pessoas. Para a assessoria, há necessidade de paciência por parte daqueles que procuram as unidades de saúde justamente pela grande demanda, tendo em vista o temor generalizado pela propagação da dengue. Demora Ontem à tarde, o problema da demora continuava na unidade da Vila Almeida, segundo algumas pessoas que aguardavam atendimento. Com sintomas da dengue, Ana Carolina Cardoso, de 28 anos, disse que esperava assistência médica havia mais de três horas. Ela reclamou da falta de critérios para priorizar o atendimento. “Já que na UPA a consulta é feita por ordem de gravidade, e não por chegada, o pré-exame deveria ser mais criterioso. Não ligo se alguém, pior do que eu, for atendido primeiro. O problema é que muitas pessoas, que chegam bem vestidas, são passadas na frente”. Ainda conforme Ana Carolina, ao questionar sobre a demora a uma atendente do posto de saúde, teria ouvido como resposta: “Então fique esperando em pé na porta”. Procurada para falar a respeito, a coordenação da unidade preferiu não se pronunciar.

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