Prefeita afirma que negociação sobre os 5,4% da recomposição salarial dos professores continua, após categoria rejeitar parcelamento até 2027
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou nesta quarta-feira (8) que a Prefeitura pretende cumprir a Lei do Piso Nacional do Magistério, mas reforçou que qualquer decisão sobre o pagamento da recomposição salarial dos professores precisa considerar a situação financeira do município e o plano de equilíbrio fiscal em andamento.
"Não vou rasgar a lei do piso, mas também não posso ser irresponsável com o dinheiro público. Então, toda medida tomada tem que ser com muita cautela e com responsabilidade", disse a prefeita.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa realizada no Tarapacá Day, evento que marcou a assinatura da parceria entre o Governo de Tarapacá, no Chile, e a Prefeitura de Campo Grande, no Parque Tecnológico e de Inovação (Parktec).
A manifestação ocorre um dia após a Assembleia Geral do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) rejeitar a proposta apresentada pelo Executivo para o pagamento dos 5,4% da recomposição do Piso Nacional do Magistério.
O Executivo propôs o percentual de forma parcelada, até 2027, enquanto a categoria aceita o parcelamento, mas apenas se for todo dentro de 2026.
Questionada sobre a continuidade das negociações, Adriane afirmou que o diálogo permanece aberto por meio de uma comissão formada por representantes da Prefeitura, da Câmara Municipal e da ACP.
Segundo ela, o grupo volta a se reunir para entender os motivos da rejeição da proposta apresentada nesta terça-feira (7) e buscar um consenso entre as partes.
“A proposta estava organizada e foi rejeitada. mas hoje essa comissão se reúne novamente para
entender essa tratativa e a gente avançar”, afirmou.
A prefeita também defendeu que Campo Grande possui um dos maiores salários da educação no país e destacou os avanços concedidos à categoria desde o início da gestão.
“Quando assumi a Prefeitura, o piso pago pelo município era cerca de 50% acima do nacional. Hoje, estamos em aproximadamente 72% acima do piso nacional”, disse.
Apesar disso, Adriane ressaltou que o município enfrenta restrições orçamentárias e afirmou que mais de 30% do orçamento municipal já é destinado à educação.
“Nós temos dificuldades financeiras, um plano de equilíbrio fiscal para seguir ? Temos, mas também temos um diálogo aberto com a educação e a ACP”, declarou.
Pagamento dos 5,4%
Durante a coletiva, a prefeita explicou que os 5,4% reivindicados pela categoria são compostos por 2% já concedidos no início do ano e pelos 3,4% restantes da recomposição.
Segundo ela, a proposta apresentada pela Prefeitura previa o pagamento em parcelas, sendo parte em setembro, outra em dezembro e a última em janeiro de 2027. No entanto, a categoria rejeitou o cronograma por defender que todo o reajuste seja quitado ainda dentro do exercício de 2026.
Adriane evitou antecipar uma nova proposta e afirmou que a discussão seguirá sendo conduzida pela comissão criada para tratar do tema.
“Não vou rasgar a Lei do Piso, mas também não posso ser irresponsável com o dinheiro público. Toda medida precisa ser tomada com cautela e responsabilidade. Se a gente assumir um compromisso, tem que cumprir”, afirmou.
Ela acrescentou que o objetivo é encontrar uma solução que contemple tanto os profissionais da educação quanto as condições financeiras da administração municipal.
Assembleia rejeitou proposta
Na noite de terça-feira (7), a Assembleia Geral da ACP rejeitou a proposta encaminhada pela Prefeitura para o pagamento da recomposição salarial.
Como contraproposta, os professores mantiveram a reivindicação do pagamento integral dos 5,4%, mas admitiram o parcelamento, desde que todo o valor seja quitado ainda em 2026.
A categoria também aprovou a criação de uma comissão formada por três professores eleitos pela base para acompanhar as negociações
e fiscalizar o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Executivo.
O documento com a contraproposta foi protocolado pela ACP na Prefeitura nesta quarta-feira (8), dando continuidade às negociações entre as partes.