Sábado, 18 de Novembro de 2017

História de touro “fujão” vira filme

3 MAR 2010Por 06h:09
A cena insólita ganhou repercussão nacional: touro tenta invadir saguão de aeroporto. A situação gerou confusão, muita correria e momentos quase surreais como o do animal batendo a cabeça na porta de vidro da área de embarque de passageiros. O fato aconteceu em Campo Grande, em 12 de janeiro 2007. Um desenhista local, a par da notícia, logo perguntou-se: por que o animal foi parar naquele lugar? Antes de buscar a resposta lógica e verdadeira, preferiu a imaginação para refazer a trajetória do touro – de onde saiu até o aeroporto. O resultado do que imaginou será conhecido ainda neste ano quando for lançado a animação “Q história é essa: a fábula do touro voador”. O projeto foi contemplado pelo Programa Petrobras Cultural na categoria “Mídias Digitais” e receberá R$ 39 mil para finalização. O desenhista é Edson José, que participou de outros projetos de animação em São Paulo, na década de 1990, e assina o argumento da nova empreitada. “Achei que a situação poderia ser ampliada e apresentar detalhes que pudessem mostrar outros assuntos, destacando aspectos da cidade”, explica o idealizador. Ele dividirá a direção com Ricardo Pavani. A história inicia-se distante do aeroporto e tem como ponto de partida as narrativas que o touro ouve de um antigo cavalo, que durante anos puxou charrete em frente à antiga Estação Ferroviária da Capital. “O touro toma conhecimento da lenda do cavalo alado e, a partir daí, deseja voar. Como não tem asas, acha que a maneira mais prática de voar será em um avião. Por isso, chega ao aeroporto”. Edson diz que a história enfocará aspectos como a diversidade, ressaltando questões referentes às diferenças entre as pessoas, simbolizadas pelos animais. O roteiro, em fase de desenvolvimento, destacará vários personagens. Serão utilizadas as técnicas de “stop motion” – o movimento é obtido por meio de fotografia feita quadro a quadro – e fotogravura – animação a partir de imagens recortadas. A animação terá cerca de 5 minutos e contará com 3 minutos de vinhetas. O projeto não se apoia apenas na produção do desenho, ainda faz parte oficina destinada a repassar as noções básicas de animação às crianças e jovens da periferia de Campo Grande. Segundo Edson, o local escolhido será a região do Santo Amaro, Coophatrabalho e Santa Carmélia. “Entramos em contato com Associação de Moradores e escolas dessa área para definir o melhor local. Na oficina, aqueles com aptidão para o desenho terão a oportunidade de descobrir novas possibilidades, abrindo, no futuro, perspectivas profissionais”, destaca Edson. Na década de 1980, ele frequentou oficinas de animação ministradas por Celso Arakaki em Campo Grande. Depois entrou em contato com Núcleo de Animação de Campinas, quando integrou projetos de outros diretores. Faz parte do currículo ainda a participação, durante 3 anos, na Oficina Três Rios, em São Paulo, com profissionais destacados na área. “Foi por meio de oficinas que me profissionalizei. É importante dizer isso já que muitos jovens que desenham, muitas vezes, não enxergam perspectivas profissionais em seus talentos”. Edson diz que atualmente as inovações tecnológicas tornaram menos complexas a função do animador. “O que no passado demorava até anos para ser produzido, atualmente é obtido em pouco tempo, em semanas até. Tinha deixado de lado a animação, me dedicando à criação, por causa desse processo lento, hoje isso mudou”, atesta. O desenhista acredita que o projeto deverá ser concluído entre 3 e 4 meses e contará com a participação de vários animadores. O parceiro na direção, Ricardo Pavani, que é formado em Artes Visuais e tem experiência em diversos tipos de animação, incluindo 3D. Depois de pronto, o material será exibido no circuito da Petrobras e pode integrar a programação de festivais de cinema. Em tempo: o touro que invadiu o aeroporto de Campo Grande fugiu de um frigorífico localizado na região e, depois de assustar quem estava no local e nas imediações, foi abatido por um policial.

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