Domingo, 19 de Novembro de 2017

Hipócritas ou dissimulados? Quem?!!

1 MAR 2010Por 04h:30
Incitada que fui pelos embates midiáticos em torno da notícia: Livro com palavrões é adotado por escola e gera polêmica venho de novo manifestar minha opinião nesse espaço precioso que este jornal oferece a nós leitores. Por mais atualizada e flexível que procure ser, não dá para concordar e considerar normal o fato relatado pela imprensa, a respeito de um determinado livro – cujo conteúdo (sic) expõe palavreado chulo e preconceituoso - de autoria de um adolescente, recomendado como leitura para crianças na faixa etária dos 10 anos. Algumas questões me vêm à mente: (1) qual o sentido dessa leitura? (2) seria a escola, o lugar apropriado para o diálogo proposto? (3) qual o papel da família e da escola na educação das crianças?(4) a quem cabe reforçar os valores positivos, no mundo de hoje dominado pela contracultura? Esse episódio me lembrou de uma época em que quando meus três filhos pequenos, todos meninos, com diferença de um a um ano e meio de idade, falavam algum palavrão, eu dizia-lhes: Não quero ouvir palavrão! Conheço todos! Se estiverem com vontade de falá-los, vão até um canto (banheiro) e gritem todos que quiserem... Só não quero ouvir. É meu direito! É a partir da premissa desse direito que faço análise do fato. Os palavrões permeiam nosso cotidiano. Eu falo, tu falas, ele fala, nós falamos! Nos meus momentos de raiva (fechada no trânsito, topada, queimadura, falta de educação, jogo do Flamengo) sou exímia nessa arte, e sai de baixo!!! Mas também é bom que se ressalte que a palavra falada (entonação) é menos agressiva que a escrita. Isto porque apesar de saber e falar quase todos os palavrões, choca-nos vê-los escritos nas paredes, muros e portas de banheiros. Imagino as crianças de 10 anos lendo-os em um livro didático recomendado pela escola! É fato que vivemos atualmente em um mundo hostil. A grosseria e a falta de educação tornaram-se atos corriqueiros em nossa sociedade. Os jovens não respeitam os mais velhos, os pais e muito menos os professores. Agora a prática, em voga, é a de agressão aos médicos nos postos de saúde (um bom tema para reflexão nas escolas). Isso é novo, porque, os professores já vêm sendo agredidos há algum tempo! O fato é que não se tem claro, quem educa quem e onde. Recentemente recebi uma mensagem que me parece oportuna para a ocasião, dizia: Em vez de perguntar que mundo estamos deixando para nossos filhos, devemos nos perguntar que tipo de homem estamos deixando para esse mundo?! (outro ótimo tema para reflexão). Está se tornando raro encontrarmos, em nosso dia a dia, pessoas educadas, acolhedoras e amáveis, a começar em nossas casas. As quatro palavrinhas mágicas – licença, desculpa, por favor e obrigada – estão desaparecendo da nossa convivência! Então, vamos combinar, se a escola é uma instituição que tem como missão social educar a criança para viver em sociedade, precisa estar atenta aos problemas que acontecem em seu meio, e, a partir deles, pautar a sua prática pedagógica, reforçando e resgatando valores positivos. Portanto, eis aqui, porque considero a indicação dessa leitura equivocada e desnecessária. A escola não é o local adequado para o estabelecimento dessa discussão. Também não acredito que a proposta tenha passado pela leitura e aprovação de professores da UFMS, porque o livro relata de forma grosseira uma realidade que as crianças já conhecem, mas que não deve ser reforçada. Essa discussão e diálogo podem e devem ser feitas na família, uma vez que a educação não é prerrogativa da escola e a família não pode eximir-se dessa função. Em tempos de ira considero oportuno que essa e outras escolas desenvolvam urgentemente um projeto, cujo título poderia ser O PODER DA GENTILEZA, iniciando com a leitura e reflexão do livro do mesmo nome de Rosana Braga. O objetivo seria o resgate dos bons modos, do respeito, da amizade, da compreensão e da tolerância. Conheço a escola e aprovo sua metodologia. Ela é uma das poucas escolas que indico a minhas estagiárias, além de ter sido a escola escolhida por mim (professora exigente) para minhas duas netas. Apesar de posicionar-me contra a indicação da leitura, entendo também que esse fato isolado não pode denegrir sua imagem, já que há muito tempo desenvolve um trabalho honesto e competente. OBS: Em tempo mocinho, “hiprócrita e dissimulada” é a .........!

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