Greves de bancários e nos Correios continuam

FOLHA E AGêNCIA BRASIL 02/10/2011 15h41

Os bancários e os trabalhadores dos Correios em greve prometem continuar com as paralisações nesta semana.

As agências dos Correios devem permanecer fechadas pelo menos até a próxima terça-feira (4), quando as categorias terão novas rodadas de negociação.

Os Correios e os trabalhadores terão audiência no TST (Tribunal Superior do Trabalho) para decidir sobre a continuidade da paralisação. Amanhã a greve completa 20 dias. A reunião é a primeira etapa de um procedimento com o objetivo de estabelecer um acordo no âmbito judicial. Sem consenso, o caso pode ir a julgamento.

Ao longo da última semana, não houve avanço nas negociações entre representantes dos funcionários e a direção da empresa.

Os bancários, por sua vez, prometem intensificar o movimento grevista, que amanhã completa sete dias. "Queremos quebrar a intransigência dos bancos públicos e privados", disse Carlos Cordeiro, presidente da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeira).

O comando nacional de greve, que reclama do "silêncio" da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), vai se reunir amanhã em São Paulo. Segundo a Contraf-CUT, a entidade patronal não manifestou, até agora, intenção de retomar as negociações.

De acordo com a Contraf, na sexta-feira (30), foram paralisadas 7.865 agências e centros administrativos dos bancos. Há, no país, cerca de 20 mil agências bancárias.

Negociações

Os bancários pedem 12,8% de aumento sobre pisos e salários, além de ampliação dos ganhos nas participações nos lucros, entre outras exigências. Os banqueiros ofereceram 8%. A proposta foi rejeitada.

Já o trabalhadores dos Correios querem incremento de R$ 200, a ser pago a partir da data base de 1º de agosto, ou incorporação de abono de R$ 800 ao salário total.

Os Correios, por sua vez, propõem aumento de R$ 80, a partir de janeiro de 2012, e abono imediato de R$ 500.

Para potencializar o movimento, os funcionários dos Correios e os bancários em greve fizeram uma manifestação conjunta na tarde de sexta-feira (SP) no centro da capital paulista.

Atraso

A paralisação dos Correios já causou o atraso de 120 milhões de correspondências, segundo balanço do órgão da última sexta-feira. O documento protocolado pelos Correios no TST caminha em dois trilhos.

O primeiro visa suspender a greve em caráter emergencial, independentemente das negociações salariais, e declarar a "abusividade" da paralisação.

Quem decidirá sobre a questão será a ministra e vice-presidente do TST, Cristina Peduzzi.

Caso ela decida pela suspensão da paralisação e a determinação não seja atendida, a Fentect poderá ter de pagar R$ 100 mil por dia --segundo pedido dos Correios.

Se a ministra decidir pela manutenção da greve, a empresa pede ao TST que a Fentect seja obrigada a manter 70% dos funcionários nas unidades operacionais dos Correios --como agências postais, terminais de carga e centros de triagem.

O segundo trilho de análise no TST será sobre as demandas das partes, que serão decididas na audiência de conciliação ou por meio de trâmite judicial do TST.

Além da suspensão imediata da greve, os Correios também demandaram ao tribunal que seja vedado aos grevistas o bloqueio da circulação nas unidades da empresa ou a depredação das dependências --em referência à manifestação e ao impedimento da entrada de funcionários na sede dos Correios, em Brasília, na quinta-feira.

Ordem pública

Na liminar encaminhada ao TST, na noite de quinta-feira, os Correios classificaram a greve dos funcionários como "movimento atentatório à ordem pública".

"Estamos exercendo o direito constitucional de greve. Não somos nós que estamos prejudicando os serviços. Achamos que a greve poderia ter sido evitada desde o início, se a parte empregadora não endurecesse no processo de negociação", afirmou José Gonçalves de Almeida, diretor da Fentect (Federação Nacional de Trabalhadores dos Correios, Telégrafos e Similares).


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