Segunda, 20 de Novembro de 2017

Gravidez!!! Será?

13 AGO 2010Por 06h:47
SCHEILA CANTO

No mês passado uma adolescente de 17 anos, do interior de São Paulo, com gravidez psicológica, chegou ao último estágio da falsa gravidez, sendo submetida à cesariana. Somente depois de ter sido operada é que o médico certificou-se de que a gestação era inexistente. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil em Campo Limpo Paulista.
Caso como o descrito acima é raro, não pelo fato em si de uma pseudogestação ou pseudociese, mas pelo estágio em que ela chegou. Em linhas gerais, a gravidez psicológica é uma fantasia delirante. “A mulher acredita que está grávida e a ‘prova de realidade’ (a confirmação médica de que não existe bebê algum) não tem nenhum valor para ela”, diz a psicanalista Eliane Pessoa de Farias, coordenadora da Clínica Pais-bebê, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. “Mas quero lembrar que esta gravidez não é uma mentira para ela, ou seja, ela pensa de verdade que está esperando um bebê e o seu corpo confirma”, acrescenta.
De acordo com a ginecologista obstetra Tatiana Serra da Cruz, delegada da Sociedade de Ginecologia da Infância e Adolescência de MS, a gravidez psicológica tem origem mental, mas o corpo responde.  Como? “Muitas sentem enjoo, têm desejos, apresentam crescimento do abdômen e dos seios, e, em alguns casos raros, é possível até produzirem leite e na maior parte dos casos o ciclo menstrual é suspenso”.
A médica ressalta que o aumento da barriga acontece, porém o útero não altera o tamanho, também não há qualquer alteração do hormônio gonadotrofina coriônica no sangue. “Além disso, muitas confundem os gases e movimentos naturais do intestino com o bebê se mexendo no útero”, acrescenta a médica.

Por que isso acontece?
De acordo com a psicanalista Eliane Farias, dificilmente a gravidez psicológica acontece por uma única razão. “Cada pessoa reage aos problemas de uma maneira particular e qualquer transtorno psicológico tem diversas causas”, diz. Baixa autoestima, sentimentos de rivalidade intensa, insegurança, baixa capacidade de lidar com as frustrações, além de um forte desejo de ter um filho são algumas delas. Muitas mulheres ainda se sentem pressionadas pelo marido e pela família a ter um filho e podem acabar gerando um bebê de mentira. “Também há situações em que a mulher quer garantir a estabilidade do relacionamento e pensa que um filho é a solução”.

Na linha de frente
Embora o problema apareça em mulheres jovens, a doutora Tatiana Serra afirma que é mais comum isso acontecer com pessoas mais velhas, próximas à menopausa, inférteis e com distúrbios hormonais que interferem na menstruação. “A presença dessa síndrome pode indicar outras patologias, como neoplasias uterinas, ovário policistico ou distúrbios ovarianos e hormonais como a prolactina”, acrescenta Tatiana Serra.
Tanto a ginecologista obstetra quanto a psicanalista concordam que é possível a mulher acreditar na mentira de que vai ser mãe até chegar a hora do “parto”. “Mas, basta uma consulta com médico especialista e os exames de sangue e ultrassonografia para certificar a não gravidez, logo no início”, conclui a ginecologista.

Leia Também