Segunda, 20 de Novembro de 2017

Grave retrocesso

5 FEV 2010Por 01h:27
Que a saúde pública brasileira é um dos problemas crônicos, e dos mais graves, disto não restam dúvidas. E, certamente são pouquíssimas cidades brasileiras que escapam desta situação. Por outro lado, por maiores que sejam os investimentos, com toda a certeza persistirão as reclamações, pois uma simples comparação entre aquilo que era oferecido há duas décadas e o que está à disposição da população atualmente evidencia a evolução significativa no setor, uma característica que certamente também é comum de norte a sul e de leste a oeste da Nação. Mas, determinadas situações ultrapassam o limite do tolerável ou do compreensível. Qualquer pessoa que tenha na família um renal crônico ou que conheça alguém que seja obrigado a passar por hemodiálises rotineiras sabe da gravidade desta doença, que está aumentando assustadoramente nos últimos anos no País, uma vez que a diabetes virou verdadeira epidemia. Então, um transplante de rim significa, não só para o paciente, mas para famílias inteiras, um verdadeiro renascimento, um milagre possibilitado pela evolução da medicina e da tecnologia como um todo. Porém, no Estado, por motivos que não estão nada claros, os transplantes simplesmente foram interrompidos há cinco meses e a fila de espera já passa de 300 pacientes. E, o caso fica mais grave se for levado em consideração que Mato Grosso do Sul já foi, proporcionalmente, um dos primeiros colocados no número de transplantes renais. Agora, possivelmente, o Estado passará à última colocação, pois simplesmente não existe luz significativa no fim do túnel, uma vez que a Santa Casa corre o risco de ser descredenciada e até agora não há outros hospitais que queiram ou tenham condições de assumir este importantíssimo trabalho. Existe em Campo Grande antiga e ferrenha disputa de clínicas particulares pelos pacientes obrigados a fazer hemodiálise, pois este é um dos serviços mais bem remunerados pelo SUS. E, quanto menor o número de transplantados, maior o de pessoas com necessidade de se submeter às máquinas que filtram o sangue (é evidente que quantidade considerável dos que receberam novo órgão acabam voltando ao "rim artificial"). Por isso, espera-se que a direção da Santa Casa apresente argumentos convincentes para explicar a interrupção do serviço e que todos os envolvidos apontem solução urgente para trazer esperança às centenas de pessoas que estão nesta longa fila de espera, pois para muitos trata-se de uma questão de vida ou morte. Se no passado o Estado se destacava no cenário nacional e em 2009 foram apenas 14 cirurgias, está mais do que claro que retrocesso altamente preocupante está ocorrendo ao mesmo tempo em que praticamente todos os demais serviços públicos estão em franca evolução, inclusive os de saúde.

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