RUSSO
Depois do catarinense Traço Cia de Teatro apresentar no fim de agosto na Capital “As três irmãs”, peça de Anton Tchekhov (1860/1904), o público local tem outra oportunidade de entrar em contato com o universo do dramaturgo, que tem as criações marcadas pela reflexão em torno dos relacionamentos e da condição humana.
No caso do espetáculo “Tomo suas mãos na minha”, que será apresentado amanhã e domingo, no Teatro Prosa (Sesc Horto), às 20h, com entrada franca – senha retirada uma hora antes do início do espetáculo –, a base é a relação do autor com e Olga Knipper.
O casal construiu uma forte e próxima relação, mesmo que por grande parte do tempo se mantivessem distantes. Foi por meio de mais de 400 cartas que o casal estabeleceu relacionamento de seis anos. A correspondência é o centro do espetáculo. Com o ator Roberto Bomtempo e a atriz Miriam Freeland protagonizando a história e vivendo os personagens que, em meados do século XIX, se encontraram durante uma leitura de “A gaivota” – um dos trabalhos mais conhecidos do dramaturgo – e acabaram se envolvendo.
Enquanto Olga, uma jovem atriz, iniciava sua trajetória no teatro; Tchekhov já havia se consagrado como escritor, no entanto, enfrentava a tuberculosa que lhe tiraria a vida ainda aos 44 anos.
Por conta da doença, o autor passava a maior parte do ano em Ialta, onde o clima era mais quente que o de Moscou. A atriz não poderia abandonar a uma das cidades mais importantes da Rússia – que ainda não era capital na época – por conta dos compromissos profissionais. “Quando recebi o texto, estava em um momento repleto de compromissos profissionais. Mas depois de lê-lo, fiquei tão emocionado que resolvi abrir espaço em minha agenda”, afirma Roberto, que também atua como produtor e diretor de cinema e teatro.
Sob direção de Leila Hipólito, a peça recria a atmosfera dos encontros e desencontros do casal em um clima realista. O convite para o ator surgiu quando interpretava Tio Vânia, personagem central de peça homônima também escrita por Tchekov. “Ela foi nos assistir e conversamos depois da apresentação. O texto trazia uma história humana e humanista, realmente encantadora e eu não pude esquecer aquilo que acabara de ler”, aponta.
Embora a diretora já tivesse escolhido uma atriz para interpretar Olga Knipper, quando a primeira leitura seria realizada, ela não pode comparecer. “Desde o primeiro contato com o texto, imaginei que seria ótimo contracenar com minha esposa, a atriz Miriam Freeland”, explica Bomtempo. Segundo ele, Leila concordou e após a primeira leitura, o casal estava definido como os protagonistas da peça. Pela primeira vez contracenariam como um casal.
“Pudemos curtir nosso casamento de uma maneira ainda mais intensa. Tem sido uma experiência incrível”, aponta.
“Tomo suas mãos na minha” conseguiu apoio por meio do Programa Petrobras Cultural para circulação. Depois de Porto Alegre, Campo Grande é a segunda cidade que receberá o espetáculo. Ainda contarão com apresentações do espetáculo Salvador, Belo Horizonte, Vitória e Goiânia.
Trata-se de um trabalho que merece ser visto e que, segundo Bomtempo, reforça a crença na importância das relações. “O mundo massacrante em que vivemos, em tudo é acelerado e violento, tem um contraponto no texto, que nos mostra como é fundamental viver relações sinceras”, finaliza.
BIENAL DE TEATRO
O fim de semana também marca o encerramento da Bienal do Teatro de MS, que desde segunda-feira apresenta várias atrações locais e de outros pontos do País. “Todas as categorias que apresentamos dentro da Bienal tiveram ótima resposta do público”, destaca o coordenador do festival, Vitor Samúdio.
Hoje, às 16h, o Conectivo Corpomancia apresenta na Avenida Afonso Pena, entre a Rua 13 de Maio e a Avenida Calógeras, a performance “Sem cerimônia”. Às 20h, no Teatro Aracy Balabanian, será a vez do espetáculo “Sobre trutas, cibalenas e olhares, com o grupo Br S.A (DF), baseado em conto do escritor Rubem Fonseca.
Amanhã, às 17h, na Avenida Afonso Pena, entre a Rua 13 de Maio e a Avenida Calógeras, será possível assistir ao trabalho do grupo de Goiânia Teatro que Roda com a montagem “Makunaíma na terra de Pindorama”. Às 20h, no Teatro Aracy Balabanian, haverá sessão de “Inocência”, com o Corpomancia.
No domingo, às 16h, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, a Cia Ginga de Dança mostra o “Estudo sobre superfície”. Às 18h, no mesmo local, será a vez de “Maria, madalena”, que também destaca a dança. O encerramento acontecerá no Lendas Pub, às 19h, com a encenação “Vozes urbanas”, do grupo paulista Teatro Para Alguém.

