Quarta, 22 de Novembro de 2017

Governo ressuscita pesquisa rural e vai criar 5 campos

6 MAI 2010Por 06h:45
Carlos Henrique Braga

Após anos de letargia, a pesquisa agropecuária voltada ao pequeno produtor rural dá sinais de evolução no Estado. A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), criada em 2007 para substituir o Instituto de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Idaterra), conseguiu R$ 7 milhões para reestruturar-se. “Até pouco tempo tínhamos dois carros velhos que rodavam 100 mil quilômetros por ano para atender os agricultores”, conta o engenheiro-agrônomo e gerente de pesquisas da Agraer, Hércules Arce.

O dinheiro, além de comprar carros e equipamentos de informática novos, vai tornar possível levar a pesquisa da Capital para o interior. Serão construídas unidades em Bandeirantes, Sonora, Anastácio, Mundo Novo e Ponta Porã, no assentamento Itamarati. A regionalização atenderá necessidades específicas das áreas rurais dessas cidades.

A verba é do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) gerido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Até agora, R$ 1 milhão foi liberado. O resto deve sair até o fim do ano.

O presidente da Agraer, José Antônio Roldão, aposta em rede nacional de pesquisas para fortalecer a atividade. Para ele, a falta de investimentos na área “matou” a pesquisa em MS. “Há mais de 15 anos não se comprava uma enxada”, afirmou. No comando da extensão rural entre 2000 e 2007, o Idaterra foi, de acordo com Roldão, “assistencialista e ideológico”. Para refazer o estrago, na sua gestão, foi preciso “interagir com movimentos sociais”.
A Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) é um desses grupos. Contra a ideologia de invasão do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o agricultor Evandro Leite e a irmã Vanja Leite preparam-se para receber seis hectares do governo federal em assentamento de 130 famílias, na região localizada na saída para Rochedo conhecida como Inferninho. “Espero ter apoio da Agraer na minha atividade”, diz Evandro.

Dependência de fora
O investimento em pesquisa desenvolve a atividade do trabalhador no campo. Produzindo mais e com qualidade, o agricultor pode diminuir a dependência de frutas e verduras vindas de outros estados. Hoje, MS compra 80% dos hortifrutigranjeiros que consome. A Agraer aposta em pesquisa aplicada para aumentar a participação local nas feiras e supermercados.

A agência tem 25 pesquisadores que desenvolvem 40 trabalhos nas linhas de oleaginosa, cultivares alimentares, forrageiras, olericultura e fruticultura. A proposta é validar culturas de outros lugares do Brasil em MS, respondendo ao produtor, por exemplo, como plantar o milho gaúcho em terras sul-mato-grossenses.

A conclusão das pesquisas leva até oito anos, e pode travar se o governo do momento não entender sua importância para o desenvolvimento econômico. “Vai levar tempo para que o governo reconheça o serviço de pesquisa como essencial”, avalia Arce.
Além do investimento em pesquisa, a Agraer reforçou a frota de veículos para atender os produtores. Foram gastos R$ 4,7 milhões em 109 automóveis, quatro motoniveladoras e nove patrulhas mecanizadas. Do caixa estadual saiu R$ 1,2 milhão. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o PAC pagaram o resto da conta.

Leia Também