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Governo impõe sigilo em viagens de Dilma

Governo impõe sigilo em viagens de Dilma

ig

31/05/2013 - 10h11
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O governo colocou sob sigilo todas as informações relativas às viagens que a presidente Dilma Rousseff ou seu vice, Michel Temer, já fizeram ou vierem a fazer ao exterior. Os dados só poderão ser divulgados depois que ela deixar o Palácio do Planalto, em 31 de dezembro de 2014. Ou, se reeleita, de 2018.

A decisão ocorre num momento em que o governo está sendo questionado sobre o tamanho das comitivas presidenciais – e dos gastos – no exterior. Além disso, ela impedirá que esses dados venham à luz durante a campanha eleitoral de 2014.

Extratos de uma comunicação classificada do Itamaraty, a que o iG teve acesso, determina a reclassificação de todos os expedientes e documentos relacionados às visitas ao exterior de Dilma ou do vice, feitas desde que ela tomou posse, em 1º de janeiro de 2011. A regra se aplica também às viagens que forem feitas "futuramente".

No mínimo, esses materiais deverão receber o carimbo de “reservados”, categoria que prevê sigilo de cinco anos desde a sua produção. Mas podem ser reclassificados como secretos, o que os deixará 15 anos na sombra, ou como ultrassecretos – 25 anos.

Quando Dilma deixar o poder, o sigilo poderá será levantado, segundo o documento. A justificativa legal para classificar os documentos será a da segurança. A Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), a LAI, permite colocar sob sigilo, até que o presidente da República e o vice deixem os cargos, dados que possam pô-los em risco. A proteção se aplica aos cônjuges e filhos de ambos.

‘Estrito cumprimento da lei’

O Itamaraty não confirmou o exato teor do documento. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, “as medidas de reclassificação são feitas em estrito cumprimento à Lei de Acesso à Informação".

Procurada na tarde desta quinta-feira (30), a chancelaria não disponibilizou um porta-voz para explicar de onde partiu a ordem e por que ela foi emitida no atual momento.

Dilma foi a presidente que sancionou LAI em 2011. Em 3 de julho de 2012, ressaltou que o texto determina "que o acesso agora é a regra e o sigilo passou a ser a exceção.”

Na prática, entretanto, a comunicação tornou regra que qualquer informação sobre viagens da presidente ao exterior ficará de fora do alcance da LAI até o fim da era Dilma.

‘Totalmente dezarrazoado’

A ordem de reclassificar os documentos foi distribuída a funcionários do Itamaraty no Brasil e a toda a rede consular do País no exterior nos últimos dias, segundo duas fontes da pasta ouvidas pela reportagem. Outras duas fontes, da mesma pasta, confirmaram a existência do documento e o seu teor, mas não o texto exato. Todas pediram anonimato.

“Definir de forma indiscriminada [o sigilo de informações sobre viagens presidenciais] para frente e desde o início do mandato é algo inédito nos anais do governo brasileiro”, diz uma das fontes. “Normalmente, algumas coisas [das viagens presidenciais] já são tratadas de forma confidencial, mas as coisas corriqueiras não precisam ser feitas de forma secreta.”

Segundo outra fonte, a comunicação deixa bem claro que, embora o sigilo tenha sido determinado para qualquer informação, há preocupação singular com os gastos. O texto fala em “faturas” e “boletos”.

De acordo com essa fonte, em teste a determinação de sigilo se aplica a qualquer informação relativa à viagem. Mas quando se fala em faturas, está claro que há uma referência específica às despesas, avalia ela. “É totalmente desarrazoado, pois a pessoa já voltou para o Brasil está sã e salva.”

Para essa fonte, o sigilo se aplicará também aos gastos de todos os membros das comitivas, e não só da presidente. Em março, a BBC revelou que Dilma gastou R$ 11,6 milhões em 35 viagens feitas entre 2011 e 2012. Desses, R$ 433 mil foram dispendidos em escalas feitas em países nos quais a presidente não tinha nenhum compromisso oficial. Os dados foram obtidos por meio da LAI.

No mesmo mês, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), fez um requerimento via mesa do Senado para que o governo detalhasse os gastos realizados durante a viagem de Dilma a Roma para a missa inaugural do Papa Francisco. A visita custou ao menos R$ 324 mil. À reportagem, o parlamantar disse ainda não ter recebido resposta.

O iG solicitou no dia 28 de maio informações sobre os gastos da presidente à Etiópia. A LAI prevê que a informação seja divulgada imediatamente, se estiver disponível, ou num prazo máximo de 30 dias. Os dados não foram repassados até a conclusão desta reportagem.

Ensurdecedor

Nem 'bolsonaristas raiz' da Assembleia defendem o fugitivo Flávio

Petistas falaram durante mais de meia hora sobre a fuga do senador para os EUA e nenhum parlamentar saiu em defesa do senador que domingo obteve 59 milhões de votos

28/10/2026 12h16

Pedro Kemp foi o único deputado a utilizadar a chamada

Pedro Kemp foi o único deputado a utilizadar a chamada "grande expediente" e o tema da fuga norteou o pronunciamento

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Praticamente no mesmo horário em que desembarcava nos Estados Unidos com a família, o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava sendo alvo de uma série de críticas feitas por deputados petistas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. E, ao contrário do que normalmente acontecia ao longo dos últimos anos, nenhum dos cinco parlamentares do PL que estavam presentes e conseguiram se eleger graças ao movimento bolsonarista saiu em sua defesa.

O deputado Zeca do PT, após fazer uma série de denúncias de perseguições que eleitores do presidente Lula estariam sofrendo no Estado, classificou essas supostas perseguições como ato de desespero dos “deserdados do bandido que fugiu para os Estados Unidos”. E encerrou seu rápido comentário lembrando que Lula se entregou à Justiça e ficou preso durante 580 dias depois da condenação imposta pelo então juiz Sérgio Moro.

Na sequência, o deputado Pedro Kemp, que classificou a viagem de Flávio Bolsonaro como algo vexatório, iniciou seu pronunciamento de meia hora com um trecho do Hino Nacional, dizendo que “verás que um filho teu não foge à luta”, em referência à fuga do senador.

E, de acordo com Pedro Kemp, o senador “jogou na lata do lixo os 59 milhões de votos que recebeu no domingo” e emendou dizendo que quem não deve não teme. Mas, “se foi embora, é porque tem muito a temer”.

O deputado Coronel David (PL), um dos bolsonaristas que normalmente sai em defesa do clã e confronta os petistas, acompanhou inerte o pronunciamento do petista. Paulo Corrêa, Lucas de Lima, Zé Teixeira e Mara Caseiro, todos eleitos pelo PL na onda bolsonarista no dia 4 de outubro, tiveram a mesma reação: silêncio total. Dos 24 deputados, somente Márcio Fernandes não estava presente.

O silêncio do autodenominado representante do bolsonarismo raiz na última disputa ao Governo do Estado, o deputado João Henrique Catan (Novo), também evidenciou o desapontamento que a fuga provocou entre os parlamentares da direita.

Apesar da escassez de recursos e de não ter tido direito a inserções publicitárias no horário gratuito na TV e no rádio, obteve 98.677 (7,24%) votos na disputa para governador no dia 4 de outubro. O desempenho foi atribuído à defesa intransigente que até aqui fazia da família Bolsonaro.

O único que fez um aparte durante o pronunciamento de Pedro Kemp foi o tucano Pedro Caravina, que também foi reeleito. Mas nem sequer mencionou o nome do senador fugitivo.

Em uma espécie de defesa indireta, cobrou o andamento da investigação que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foi o ministro que atendeu ao pedido da Polícia Federal e determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes. Em vez disso, porém, o senador foi para a Argentina e, na manhã desta quarta-feira, chegou aos EUA.

Assédio eleitoral

Ex-deputada de MS pede desculpas após dizer que demitiria petistas

Bela Barros (PDT) havia anunciado novas demissões "em nome de Jesus", mas, se arrependeu e pediu desculpas publicamente

28/10/2026 11h34

Bela Barros se retratando publicamente após dizer que demitiria petistas da empresa de sua família

Bela Barros se retratando publicamente após dizer que demitiria petistas da empresa de sua família Reprodução/Instagram @abelabarros

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Ex-deputada estadual de Mato Grosso do Sul (2005-2006) e ex-vereadora de Dourados (1989-2004), Bela Barros (PDT), se desculpou em suas redes sociais após dizer que demitiu um eleitor de Lula e vai demitir mais oito da empresa de sua família, após o resultado das eleições presidenciais de 2026.

Ela comentou em uma postagem do pastor Leandro Reis, da Igreja Deus Tem Mais, localizada no Rio de Janeiro (RJ), em que o religioso abordava supostas demissões de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Hoje nós também demitimos um, mas vamos demitir uns oito em nome de Jesus. Temos sete restaurantes. Só passamos a comprar de empresários que não são do PT", comentou a ex-parlamentar no post do religioso.

O comentário viralizou negativamente nas redes sociais e revoltou petistas que reelegeram o atual presente do Brasil.

Bela Barros se retratando publicamente após dizer que demitiria petistas da empresa de sua família

Nesta terça-feira (27), Bela se arrependeu do comentário que fez e se retratou nas redes sociais. Ela afirmou que se sente envergonhada e que ninguém foi ou será demitido das empresas de sua família.

“Eu estou aqui agora neste momento para me retratara, para pedir desculpas a vocês da fala infeliz que eu tive nessa noite. Eu quero dizer para vocês que é foi uma coisa que não foi minha, não foi do meu coração, não falei do fundo do meu coração, até porque não sou essa pessoa que hoje transpareceu. O meu coração ainda estava entristecido. Eu estava fazendo um comentário no post e pode ter saído essas palavras que não gostaria jamais de ter dito. Hoje eu me sinto muito envergonhada disso que eu fiz e eu preciso pedir desculpas para vocês que eu ofendi e também para os meus filhos que são os proprietários dos restaurantes e que nem sabiam disso que eu estava falando. Até me sinto assim muito envergonhada e peço perdão pelas palavras que eu disse. Ninguém foi demitido e ninguém vai ser demitido. Eu não tenho poder nenhum de contratação nas empresas porque as empresas são dos meus filhos. Foi uma coisa aleatória que eu disse. Então me desculpem. Essa é a minha retratação a vocês que foram ofendidos por mim e aos meus filhos que não tem nada a ver com essa história”, disse a ex-parlamentar, em vídeo publicado em seu Instagram.

 As manifestações associam a discussão sobre demissões ao posicionamento político de trabalhadores e empresários, em meio à polarização que marcou a disputa presidencial de 2026.

ASSÉDIO ELEITORAL

Mato Grosso do Sul contabilizou 35 denúncias de assédio eleitoral em 2026, conforme balanço divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) nesta segunda-feira (26).

Até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, eram 11 registros, o que representa um aumento de aproximadamente 218%. Em todo o país, foram contabilizadas 1.937 denúncias.

O MPT-MS alerta que ameaças de demissão, intimidações e represálias motivadas pela preferência política dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral, inclusive após as eleições.

A procuradora-chefe do órgão, Cândice Arosio, reforçou que as denúncias continuam sendo recebidas mesmo após o encerramento do processo eleitoral.

A legislação brasileira assegura a liberdade de convicção política, com isso, demissões discriminatórias podem resultar em responsabilização trabalhista.

* Colaborou Welyson Lucas

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