Segunda, 20 de Novembro de 2017

Governo cortará gastos em R$ 10 bi para conter inflação

14 MAI 2010Por 07h:38
BRASÍLIA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ontem, que o Governo fará um corte em torno de R$ 10 bilhões nas despesas de custeio do Orçamento da União deste ano. Segundo ele, os ministérios terão de fazer esse “sacrifício” para conter o aquecimento da demanda na economia.
Mantega classificou o novo corte de orçamento que o Governo fará como uma medida para “acalmar” o crescimento. Segundo ele, é absolutamente normal que o Governo aja de forma cíclica ou anticíclica para administrar a economia.
Ele destacou que em 2009, devido à crise financeira internacional, o Governo deu estímulos para acelerar o crescimento. Agora, com a aceleração do crescimento, o Governo tem de trabalhar do lado contrário. Ele lembrou que em 2008, quando a economia estava crescendo rapidamente, o Governo também agiu desta forma ao formar a poupança do Fundo Soberano do Brasil (FSB).
De acordo com o ministro, a demanda da economia, que é formada pelo setor público e privado, está acima do normal. A maneira mais rápida de agir, segundo ele, é cortando a demanda pública do que aumentar a taxa de juros, que tem o efeito mais demorado, de quatro, cinco a seis meses, na economia. Já o corte, disse ele, é quase imediato, pois os ministérios não terão mais a despesa para gastar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já concordou com a medida, que será o segundo corte no orçamento de 2010, segundo Mantega. O primeiro corte foi de R$ 21,8 bilhões. “Esse (novo corte) será um complemento”, disse Mantega.
O recurso contingenciado ajudaria a formar o chamado superávit primário, economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida pública. A meta para este ano é de 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto), ou R$ 113,9 bilhões. De acordo com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), o contingenciamento de março foi o maior desde o início do Governo Lula.
Ainda ontem, o presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, afirmou que cortes de gastos são válidos para conter a inflação e que, apesar da crise da Europa, que será monitorada com cautela, o Brasil segue registrando entrada de recursos.

Crescimento de 7%
O ministro da Fazenda ainda declarou que o Governo não deixará que o crescimento da economia em 2010 seja maior do que 7%. Segundo ele o Governo tem instrumentos, entre eles o aumento dos juros, para manter o crescimento equilibrado.
O ministro disse que o primeiro trimestre será aquecido, mas depois haverá uma desaceleração do crescimento. Mantega destacou que o Governo não pode deixar a economia crescer demais ou de menos. E disse que não acredita que o crescimento será de 7,5% ou 8%, como preveem os analistas.

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