Sexta, 24 de Novembro de 2017

Exportação

Governo avalia risco químico da carne de MS

8 JUL 2010Por 08h:12
Carlos Henrique Braga

Técnicos da Superintendência Federal da Agricultura (SFA) avaliarão riscos químicos da carne das quatro unidades frigoríficas de Mato Grosso do Sul habilitadas a exportar para os Estados Unidos. A análise, que começou ontem nas plantas do JBS-Friboi e Marfrig, vai mostrar se as empresas controlam níveis de vermífugo do produto que compra do fazendeiro.
No fim de maio, lote de carne processada do JBS-Friboi foi impedida de entrar no mercado norte-americano por apresentar níveis inaceitáveis da substância ivermectina. Por prevenção, o governo federal suspendeu a venda de carne para o país e pediu às empresas brasileiras que elaborassem planos de ação para dar mais garantias ao exigente consumidor americano. “Isso (o resultado das análises) vai avaliar se as plantas frigoríficas estão dentro do que o governo estabeleceu para retomar a exportação de carne processada”, explica o chefe do serviço de inspeção de produtos de origem animal da SFA, Osvaldo Rodrigues.
A marca mais conhecida que contém a substância rechaçada pelos norte-americanos é Ivomec, velha aliada de produtores rurais no controle de parasitas internos e externos, como carrapatos.
Desrespeito ao prazo
A SFA vai reunir entidades do setor rural, na próxima segunda-feira, para garantir que produtores e frigoríficos respeitem as regras de uso do vermífugo para evitar incidentes comerciais como esse. Ao aplicar a substância, é preciso obedecer ao prazo, informado na bula, antes de comercializar o animal. Essa carência muitas vezes não é respeitada pelo pecuarista.
O médico veterinário do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS), Horácio Tinoco, que acompanha o manejo do gado em pequenas propriedades, sai em defesa do produtor rural: “A maioria faz esse controle e obedece à carência”.
O tempo de espera, segundo ele, varia de acordo com a concentração do vermífugo.  O mais popular, de 1%, pede entre 35 e 46 dias de prazo antes da venda dos bovinos. “O que pode acontecer é que algum animal ainda dentro do prazo seja colocado, por engano, no lote que vai para o frigorífico”, avalia Tinoco.
As empresas fazem o controle químico do lote por amostragem, e costumam advertir ao pecuarista quando encontram níveis alarmantes de vermífugos. “Acredito que agora, depois dessa suspensão, o controle fique ainda mais rígido”, afirma o médico.
MS não exporta diretamente aos Estados Unidos. O gado, comprado de produtores locais, é abatido e a carne destinada principalmente a São Paulo, onde é processada e enviada ao país. Para ter acesso a esse mercado, o frigorífico deve ter Selo de Inspeção Federal (SIF).

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