Quinta, 23 de Novembro de 2017

BALANÇO FINANCEIRO

Governo aplica R$ 1,3 bilhão com juro abaixo da poupança

8 JUL 2010Por 08h:08
lidiane kober

A Assembleia Legislativa voltou ontem a debater aplicação financeira do Governo do Estado. Com base no balanço geral do Executivo, referente ao ano de 2009, o deputado Paulo Duarte (PT) acusou o governador André Puccinelli (PMDB) de aplicar quase R$ 1,3 bilhão em bancos com juros inferiores à poupança, ao mesmo tempo que alega falta de dinheiro para atender demandas da população. A informação provocou reação da base aliada, que se apressou em defender o governador. Para o deputado Carlos Marun (PMDB), Puccinelli está fazendo a coisa certa ao investir o recurso sem correr riscos no mercado financeiro.
Segundo o petista, se o Executivo optasse, por exemplo, em aplicar a verba no Certificado de Depósitos Interbancários (CDIs), uma das taxas mais conservadoras do mercado financeiro, o rendimento aumentaria de R$ 82 milhões para R$ 132 milhões. Na poupança, o recurso teria retorno de R$ 10 milhões a mais, conforme Paulo Duarte.
Para o deputado, antes de pensar em aplicar, o governador deveria se empenhar em investir no Estado e atender as necessidades da população. “Enquanto existem demandas, não tem porque o governo aplicar dinheiro. Isso é desvio de finalidade”, opinou o petista. Como exemplo, ele citou a necessidade de recapear ruas importantes de Campo Grande, reformar escolas e voltar a cuidar dos parques da Capital, que, “com a alegação de falta de dinheiro, foram entregues à prefeitura”.
Paulo Duarte ainda refutou empréstimo na ordem de R$ 600 milhões, contraído pelo governo. “Porque pagar juros tendo dinheiro em caixa?”, questionou.
Em defesa de Puccinelli, o deputado Carlos Marun destacou a necessidade de verificar, mês a mês, o rendimento da aplicação a fim de saber com eficácia a taxa de juros. Além disso, defendeu a importância de o governo não arriscar, mantendo a cautela para não perder dinheiro com a aplicação.
Ele ainda explicou que a intenção do Executivo, ao guardar o recurso, é esperar a liberação do empréstimo para juntar o montante a fim de “servir de alavanque para a concretização de grandes obras”.

Mais dinheiro
Em outubro de 2009, o ex-secretário de Obras Edson Giroto disse que o governo teria em caixa R$ 2,4 bilhões. Sem dar detalhes, Puccinelli só desmentiu seu secretário. Na mesma entrevista, ele reconheceu que “não faria sentido eu pedir o empréstimo se tivesse esse valor que o Giroto disse”.
Por conta das informações desencontradas, Paulo Duarte apresentou requerimento para saber exatamente quanto o Executivo teria em caixa, onde o recurso estaria depositado e a qual taxa de juros. Segundo ele, o governo não esclareceu a informação, por isso, ontem, ele voltou a apresentar o requerimento.

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