Barril do petróleo tipo Brent saltou de US$ 68 para US$ 109, pressionando combustíveis e levando o governo federal a criar subsídios temporários
Pouco mais de 40 dias após o início da guerra no Irã, o barril de petróleo tipo Brent registra valorização de mais de 60%, saindo de US$ 68 para US$ 109 na cotação de ontem.
A disparada lá fora refletiu em aumento de 21% no litro do óleo diesel S10 em Mato Grosso do Sul e de 20% na versão comum do combustível. Na esteira dos aumentos, o governo federal anunciou medidas para conter a alta dos preços.
Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana compreendida entre 1º e 7 de março, o litro do diesel S10 custava, em média, R$ 6,08 em MS.
Já na semana passada, entre 29 de março e 4 de abril, o combustível chegou a R$ 7,35, alta de 21%. No mesmo período, a versão comum do óleo diesel saiu de R$ 5,98 para R$ 7,18, aumento de 20%.
Ainda de acordo com a pesquisa semanal da ANP, o litro da gasolina também sofreu aumento de 7,6% no período de um mês.
Na primeira semana de março, o combustível era comercializado pelo preço médio de R$ 6,06 em Mato Grosso do Sul, passando a R$ 6,52 na semana passada.
No Brasil, cerca de 30% do diesel consumido é importado e precificado diretamente no mercado internacional. Nas refinarias da Petrobras, o diesel abriu a semana com defasagem de 70%, conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já a gasolina registra defasagem de 59%.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)MEDIDA
Conforme havia sido adiantado pelo Correio do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem uma medida provisória, um projeto de lei e decretos que ampliam as ações de governo para conter os impactos da alta da cotação dos combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio. As medidas são amplas, com efeitos nas cadeias de fornecimento de combustíveis e também no setor aéreo.
De acordo com o comunicado do governo federal, “em conjunto, as ações geram um novo alívio para os consumidores e os setores produtivos brasileiros, reduzindo os efeitos internos do choque de preços causado pela guerra”.
A subvenção ao óleo diesel será de R$ 1,20 para a importação de diesel rodoviário, em cooperação com os estados. A subvenção será paga diretamente pela União, mas os estados que aderirem ao programa compensarão metade de seu valor (R$ 0,60 por litro). Essa medida se somará à subvenção de R$ 0,32 por litro criada em 12 de março pela Medida Provisória nº 1.340, viabilizando a importação do derivado necessária ao abastecimento do País.
Em contrapartida, os importadores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
A medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio de 2026 e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. Até o momento, 25 unidades da Federação confirmaram a disposição de participar do programa.
Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) já havia informado que o Estado vai aderir à proposta. “A gente tende a dar o benefício por dois meses. Estamos em um momento em que a pressão sobre o valor do diesel é muito grande”, disse o governador, que lembrou que o diesel caro não afeta apenas o cidadão. Aliás, destacou até que os veículos a diesel não são a maioria entre as famílias. “Afeta mesmo é o custo de produção”, afirmou.
O governador também destacou que, ao conceder a subvenção fiscal para o preço do óleo diesel, o Estado deve reforçar ainda mais a fiscalização sobre distribuidoras e postos de combustíveis. E disse que os empresários que aproveitam os benefícios fiscais para aumentar a margem “não são de boa índole”. “Não podemos permitir que haja abuso”, ressaltou.
Sobre a necessidade de fiscalização, ele disse que será muito mais intensa. “Nem sempre a redução chega na bomba, por isso a relutância de alguns governadores em aderir a esse tipo de medida”, comentou.
OUTRAS MEDIDAS
A MP também cria uma nova subvenção para os produtores brasileiros de óleo diesel, que se somará àquela de R$ 0,32 por litro que já está em vigor.
Essa subvenção será realizada unicamente com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês. E
m contrapartida, os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
O governo publicará decreto que zera os dois tributos federais (PIS e Cofins)que incidem sobre o biodiesel, gerando uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível.
O combustível renovável hoje é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas em uma proporção de 15%.
A MP autoriza ainda que a União pague uma subvenção de R$ 850,00 sobre cada tonelada de gás liquefeito de petróleo importado, com valor total de R$ 330 milhões.
Isso significa que o produto importado será comercializado ao mesmo preço daquele produzido no Brasil, reduzindo o impacto da guerra sobre o dia a dia da população mais vulnerável.
A subvenção também terá duração de dois meses, podendo ser prorrogada por outros dois.
A medida ainda prevê duas novas linhas de crédito para reduzir o impacto das altas nos preços de combustíveis sobre as operações das companhias aéreas brasileiras e a publicação de um decreto que zera o PIS e o Cofins sobre o combustível de aviação, o que resulta em uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível.
* Saiba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem uma medida provisória (MP), um projeto de Lei e decretos que ampliam as ações de governo para conter os impactos da alta da cotação dos combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio.
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