Terça, 21 de Novembro de 2017

Gargalhadas e lágrimas

25 MAR 2010Por 00h:29
Muitos comediantes que fazem o público rolar de rir com seus bordões em programas de humor começam a pipocar nas novelas. A carência de humorísticos na tevê faz com que parte deles comece a ser absorvida pelas cada vez mais numerosas produções de dramaturgia. Em contrapartida, eles têm de lidar com a “falta de status” de ser “mais um ator” numa trama e muitos deixam de ter o destaque que alcançaram com seus quadros de humor. Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé, por exemplo, que sempre escreveram seus textos na tevê, como “Sob nova direção”, se renderam às novelas. Ingrid viveu a apaixonada Simone em “Caras & bocas”, enquanto que Heloísa Périssé interpreta a agitada Taís em “Cama de gato”. “A comédia nos dá uma independência que os comediantes não têm em lugar nenhum. O personagem na novela tem de valer muito a pena para que eu abra mão do meu trabalho autoral no humor”, avalia Ingrid. “Adoro estar sempre mudando, fazendo coisas novas. Na novela, a grande diferença é que não tenho feito um humor caricatural, mas o empenho é o mesmo”, compara Heloísa. Na verdade, atores que trabalham em novelas necessitam de mais disponibilidade e dedicação. Afinal, a dramaturgia exige a gravação de um número de cenas muito maior que as esquetes de humorísticos. “No ‘Zorra’ eu gravava uma vez por semana. Nas novelas, a carga é enorme”, compara Maria Clara Gueiros, que interpretou a divertida Lili em “Caras & bocas”. Esse é um dos fatores que mais chama a atenção dos comediantes quando começam a atuar em novelas. Maria Clara, por exemplo, temia perder seu espaço como comediante quando estreou em “Beleza pura” como a fútil Suzi. “Achava um desperdício só fazer drama. Conquistei um espaço como comediante e não quero perdê-lo. Não sou a bonitinha que faz mocinha. Também tinha medo de fazer novela porque achava que ia sumir, que seria mais uma. Hoje sei que posso somar”, argumenta. Poucos são os atores que conseguem transitar entre os gêneros por anos a fio. Um deles é Chico Anysio, que há 37 anos estreou na tevê com o humorístico “Chico city”. De lá para cá, centenas de personagens do ator compuseram o mosaico da carreira deste cearense entre o drama e o humor. Sua última participação em novelas foi como o indiano Namit, em “Caminho das Índias”. Já Alessandra Maestrini, que estreou na tevê como a Bozena em “Toma lá dá cá”, agora atua em sua primeira novela como a cantora de ópera Ditta, em “Tempos modernos”. “As novelas têm absorvido os atores de comédia com papéis interessantes. No meu caso, com a Ditta, posso inclusive mostrar meu potencial de soprano”, comemora a atriz.

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