Domingo, 19 de Novembro de 2017

Fórum sugere agregar valor ao produto para minimizar crise futura

26 ABR 2010Por 19h:09

Agregar valor ao milho, transformando-o em proteína animal. Essa pode ser a saída para aumentar a renda do produtor e diminuir os altos estoques existentes no Estado e no País. A conclusão é de representantes da cadeia do milho no 2º Fórum Nacional do Milho, realizado no Sul durante a Expodireto Cotrijal 2010.

O presidente da Federação da Agricultura, Pecuária de MS, Eduardo Riedel, acha que se isso for possível, certamente é uma grande possibilidade. Ele também disse ao Correio Rural & Negócios não acreditar que o Governo federal reduza o preço mínimo do milho e muito menos que não aplique na comercialização do produto os instrumentos e recursos que foram direcionados para este fim no orçamento. "É muito séria essa realidade que estamos vivendo no milho, mas acredito que o Governo federal vai fazer sua parte mantendo o preço mínimo e dessa forma garantindo alguma renda ao produtor", avaliou Riedel.

Ele se disse mais preocupado é com a política do Governo de Mato Grosso do Sul que obriga que para cada saca de milho vendida para fora do Estado se comercialize uma internamente. "Isso emperra a comercialização num momento em que não se pode ter ainda mais dificuldades para comercializar e transportar o milho estocado e o que vai sair das lavouras da safra de outono/inverno", argumenta o presidente da Famasul. Segundo ele, já pediram mais de uma vez ao governador do Estado para que suspenda o decreto que tem prejudicado a venda de milho e da soja no Estado, mas André Puccinelli argumenta que essa medida foi tomada para compensar o fato de o Governo federal ter deixado, há alguns anos, de cumprir a sua parte efetuando o reembolso das perdas do Estado com a Lei Kandir.

 

Supersafra

"A boa produtividade do milho nesta safra, aliada à alta quantidade do grão estocado, fez cair os preços e preocupa o produtor brasileiro", afirmou o presidente da Abramilho, João Carlos Werlang. Ele ainda salientou que a tranquilidade do País depende diretamente da armazenagem e das exportações.

A utilização do milho como ração foi defendida por Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), que também acredita na importância de agregar valor ao milho. Ele lembrou que alguns países árabes, por exemplo, se tornaram autossuficientes na produção de frango utilizando grãos brasileiros.

Exportações e políticas

Para Silvio Farnese, do Ministério da Agricultura, os preços estão estáveis tanto no mercado nacional quanto no internacional. "Não há um cenário para aumento de preço do milho este ano, a não ser que ocorra algum revés, como uma mudança climática brusca, que certamente pode afetar a cultura", informou o coordenador. Segundo ele, com a produção de 18 milhões de toneladas na safrinha, é possível que o Brasil consiga exportar 10 milhões de toneladas. (MH)

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