Segunda, 20 de Novembro de 2017

Formalização expande o mercado de crédito em MS

11 MAI 2010Por 08h:01
Carlos Henrique Braga

Depois de finalmente formalizados, pequenos empresários começam outra caminhada, agora em busca de crédito para turbinar o negócio. De fevereiro a 30 de abril, segundo o Sebrae, Mato Grosso do Sul ganhou 3,5 mil empresários formais, cadastrados como Empreendedores Individuais – 1,8 mil na Capital. A meta é formalizar 13 mil até o fim deste ano.
O regime é aposta do governo federal para diminuir a informalidade no País. Os novos empresários, que faturam até R$ 36 mil por ano, são potenciais clientes de bancos comerciais, que devem entrar no mercado de microcrédito com mais vontade.
Antes do empenho do governo em regularizar informais, apenas instituições sociais de crédito apostavam nesses clientes de alto risco, que nem podem comprovar renda. Em Campo Grande, o primeiro a emprestar para esses trabalhadores foi o Banco da Gente, Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada em 1999. Mais tarde, em 2003, a prefeitura de Campo Grande criou um programa no mesmo sentido, batizado de Credigente. “Não havia crédito para esse público, quem influenciou esse aumento foram os governos e as Oscipes”, analisa o diretor do Credigente, Ivan Neiva Júnior.
Para a economista Luciene Mattos, da área de acesso ao crédito do Sebrae, o desafio dos grandes bancos varejistas é criar linhas de investimento específicas para o Empreendedor Individual. “Ele (o empreendedor individual) não quer só abrir conta, mas quer ter linhas de investimentos a juros mais baixos”, afirma a economista. “Os bancos estão se preparando para esse novo cliente”.
A preparação se intensifica hoje, em reunião no Armazém Cultural, na antiga estação ferroviária, a partir das 8 horas. Prefeitura e bancos, entre eles Caixa e Banco do Brasil, vão discutir estratégias para garantir acesso a crédito a quem acaba de chegar ao mundo formal das empresas.

Só para empreendedores
Segundo Luciene, grandes bancos comerciais aguardam os seis meses iniciais de lançamento do Empreendedor Individual para criar linhas para clientes com esse perfil. Eles querem ter certeza de que os novos registros passarão pelo crivo da prefeitura, e não serão cancelados.
Mais familiarizados com esse público, Credigente e Banco da Gente já têm linhas disponíveis. O primeiro empresta até R$ 4 mil, parcelados em 18 vezes e com juro de 1,8% ao mês. Para colocar a mão no dinheiro, o Empreendedor Individual precisa apresentar documentos pessoais, ficha de inscrição gerada pela internet e fiador.
Além disso, ele deve provar que tem capacidade técnica e administrativa para tocar o negócio. “Às vezes a ideia é excelente, mas a pessoa não tem capacidade de gestão”, diz o diretor do programa, Ivan Neiva Júnior. Para amenizar deficiências, o banco orienta quem o procura a buscar apoio de instituições de desenvolvimento empresarial. “Se houver deficiência técnica ou de gestão, o crédito não sai”, adverte.
O Credigente recebeu aportes que somam R$ 600 mil da prefeitura da Capital. Ao longo de sete anos, emprestou R$ 4,3 milhões obtidos de juros e taxas de outros empréstimos. Na carteria ativa do banco – empréstimos a receber – há R$ 1 milhão.
O Banco da Gente, ligado ao Governo do Estado, tem três linhas para empreendores individuais. A primeira, de capital de giro rápido, oferece R$ 4 mil em até 15 meses para pagar; as outras, para investimento fixo e misto, disponibilizam, no máximo, R$ 6 mil e R$ 8 mil, com prazo de até 24 meses. Todas a juro de 1,9% ao mês.

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