Um ano e três meses depois de instalada a Base Aeropolicial da Força Nacional de Segurança, no Assentamento Itamarati, cuja finalidade principal é aumentar logística e poder de fogo contra o tráfico de drogas e armas que entram no País pelas divisas com o Paraguai e a Bolívia, ainda aguarda reforço de efetivo e implementação de estrutura para ampliar atuação junto com demais polícias no combate ao narcotráfico nas fronteiras.
Na sexta-feira passada, a reportagem do Correio do Estado esteve no local onde parte da estrutura que abrigava o império do “rei da soja” Olacyr de Moraes foi transformada em base aeropolicial em Ponta Porã. O barracão passa a maior parte do tempo fechado, mas policiais e viaturas costumam alternar guarda entre uma das residências, que serve de alojamento, e na base para atender ocorrências, geralmente atendendo solicitação para apoiar ações ostensivas da Polícia Federal.
Um agente disse que ainda neste ano devem começar as obras de reformas que serão necessárias no local para abrigar novo contingente de homens e melhorar a infra-estrutura da logística de pouso e decolagem para implantação do comando aéro na base. Essas aeronaves serão disponibilizadas para fiscalização de toda a faixa fronteiriça. Ele informou que atualmente dez homens são mantidos na base no Assentamento Itamarati; outros 30 atuam em Ponta Porã, onde foi montada uma base na área central da cidade, para monitoramento e ações de inteligência.
O efetivo deve aumentar nos próximos dois meses com a chegada de mais homens que estão participando de um curso de formação em Brasília. A partir daí, os trabalhos serão intensificados e ampliados com reforço para coibir a entrada de drogas oriundas do Paraguai. Existem estimativas de que na divisa com Ponta Porã existem cerca de 3 mil hectares de plantio de maconha.
A mais dispendiosa e ousada iniciativa no Brasil é o Projeto Vant (aquisição de cinco Veículos Aéreo Não Tripulado), que consiste na criação de cinco bases avançadas das Polícias Federal e Força Nacional para vigiar as regiões limítrofes com 10 países em 16,7 mil quilômetros de fronteiras. A localização das cinco bases ainda não foi definida, mas uma delas será montada no asentamento Itamarati, rota tradicional de ingresso de contrabando, armas e drogas por estradas e rios na fronteira com o Paraguai. Segundo informações da Polícia Federal, a aeronave estará em Ponta Porã e região em pleno patrulhamento em meados de fevereiro de 2011.
Comando
O comandante do pelotão da Força Nacional instalado no centro de Ponta Porã, capitão Augusto César de Oliveira, de Sergipe, disse que a fronteira é uma região complicada porque existem facilidades para os criminosos brasileiros adquirirem armas e drogas no lado paraguaio. “Sem dúvida que essa facilidade do acesso ao ilícito no Paraguai é um complicador para o setor de segurança brasileiro”.
O sergipano César Augusto está atuando desde o dia 18 de agosto deste ano na faixa de fronteira, dividindo fiscalizações em longa faixa de território fronteiriço a partir de Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos e Aral Moreira. Ressalta que o trabalho é feito sempre em apoio às ações pontuais da Polícia Federal. “Temos feito muitas apreensões, principalmente de maconha. Segundo o capitão da Força Nacional, por conta do controle feito pelos organismos policiais nas rodovias que dão acesso à fronteira, a maconha teve alta de preço no Paraguai nos últimos meses”.
Outro ponto importante, segundo o comandante, é que todo o trabalho agora é feito de forma coordenada entre os organismos de segurança. Ele diz que a Força Nacional possui helicóptero para sobrevoar a região, mas que esse tipo de trabalho é feito de forma coordenada com a Polícia Rodoviária Federal, que também adota esse tipo de aeronave. “Por isso, hoje o trabalho é feito através do serviço de inteligência e atuamos diretamente nos pontos estratégicos”.

