Quinta, 23 de Novembro de 2017

Fôlego ilícito

14 ABR 2010Por 20h:31

Mariana Trigo, TV Press

 

A teledramaturgia está viciada em abordagens sociais. Temas como deficiências físicas, doenças terminais e uso de drogas têm se multiplicado nas tramas numa progressão assustadora. As produções parecem usar esse tema como uma espécie de muleta, no qual se apoiam para tentar alavancar a audiência de histórias. Algumas delas mereciam a eutanásia, por carência de criatividade dramatúrgica.

Este é o caso de "Malhação ID". A produção está totalmente desgastada nesses 15 anos no ar. Diante de uma audiência cada vez mais insatisfatória, a Globo agora tenta reerguer a trama adolescente explorando a atual epidemia do crack entre os jovens.

Por um lado, há o mérito de alertar para o problema. Mas esta é uma função educativa que deveria caber ao Estado por meio do Ministério da Saúde e não a uma obra de entretenimento. Por outro, parece que o tema é uma forma de tentar voltar a chamar a atenção dos jovens para a história, não apenas pela questão do crack, mas pela movimentação gerada com a entrada do novo personagem.

Na história de Ricardo Hoffstetter – que deverá sofrer ainda mais alterações a partir de junho –, João, papel de Carlos André Faria, começou a lidar com o crack nesta semana, mostrando o lado destrutivo da droga e a agressividade causada pela abstinência da substância nos usuários.

Até conseguir tratar do tema, a emissora vetou três versões anteriores da história. Na aprovada, no entanto, o que mais se sobressai é a bem-sucedida atuação de Carlos Faria, um ator seguro que já havia vivido um personagem parecido em "Força-tarefa", na pele de um traficante.

Independentemente dos rumos causados pelo crack no folhetim, outros assuntos também se destacam nessa fase da produção, que anda mais heterogênea que as anteriores. No lugar de corpos sempre sarados, nesta temporada é fácil perceber diversos personagens com muitos quilos acima do peso, como é o caso de Rita, de Olívia Torres, ou Juju, de Rafaela Ferreira.

Além dessa proximidade estética com a realidade de parte dos adolescentes, é nítido que os problemas de "Malhação ID" não se devem à ágil direção de Mário Márcio Bandarra. As cenas estão bem acabadas, com trilhos criando "takes" criativos e uma edição veloz. As alterações já chacoalharam a produção e os ajustes parecem ter sido suficientes para começar a alavancar a audiência, que pulou de média de 18 pontos para 22 pontos no ibope.

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