Sábado, 18 de Novembro de 2017

Fogo de palha

4 FEV 2010Por 23h:20
Órgãos de fiscalização de trânsito estão realizando, desde o começo da semana, campanhas para coibir as tradicionais irregularidades em frente a escolas, principalmente as particulares da região mais central. Mas a previsão é que o trabalho se estenda a 25 unidades. Além de realizar abordagem direta aos condutores que ignoram a legislação e param em fila dupla, por exemplo, as crianças também estão sendo alvo da campanha e até recebendo blocos para "multar" infratores. Louvável a iniciativa da Polícia Militar, da Agetran e do Detran, pois o tumulto em frente às unidades de ensino realmente é generalizado e atrapalha a vida de um sem número de pessoas. Porém, a alardeada ação dos órgãos responsáveis pela organização e fiscalização do trânsito normalmente restringe-se aos primeiros dias do ano letivo. Agora, por exemplo, a presença de agentes está com os dias contados e deve acabar antes do final do mês. Porém, as aulas ocorrem ao longo de 200 dias e as filas duplas, idem. Então, as operações de início de ano não passam de fogo de palha. Alegar que é necessário educar os motoristas e que é preciso contar com a colaboração destes pode até ser um argumento politicamente correto. Porém, as próprias "autoridades" sabem que, quando o assunto é trânsito, existe a necessidade de fiscalização permanente, acompanhada de eventuais punições. Então, em vez de colocar pequenos batalhões em frente às escolas no começo do ano, por um dia, seria bem mais útil e eficiente que houvesse agentes municipais ou PMs ao longo do ano inteiro. Nem mesmo seria necessário que estivessem todos os dias. Mas, a partir do momento em que os pais souberem que existe a possibilidade de serem multados, com toda a certeza passarão a pensar duas vezes antes de estacionar no meio da rua ou no espaço reservado aos veículos do transporte escolar. Somente quando a presença de agentes virar rotina é que este grave problema será resolvido. Atualmente é comum ver os chamados "amarelinhos" fiscalizando veículos parados no SER, atuação que tem como objetivo principal garantir a arrecadação da empresa privada que explora o serviço. O trabalho dos policiais de trânsito, por outro lado, praticamente se restringe a fazer boletins de ocorrência nos casos de acidente de trânsito. E, mesmo para estas situações, não é raro que os envolvidos tenham de esperar horas para receber atendimento. Porém, qualquer que seja o posto policial ou "quartel" da Capital, é possível ver incontáveis PMs desenvolvendo atividades que perfeitamente poderiam estar ao encargo de civis. Quer dizer, PM necessariamente deve estar nas ruas, o que é fundamental para aumentar também a sensação de segurança na cidade.

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