Sexta, 17 de Novembro de 2017

Fazendeiros começam a tirar o gado mais cedo

22 FEV 2010Por 03h:48
A movimentação do gado no Pantanal, por comitivas, caminhões e boieiros (embarcações próprias para transportar bovinos e equinos) está intensa com a chegada das águas. A cheia deste ano, com o transbordamento do Rio Paraguai e seus afluentes Cuiabá, São Lourenço, Piquiri, Taquari, Miranda e Aquidauana, antecipa-se, inundando as pastagens. Avisos do Sindicato Rural de Corumbá, pelo rádio, estão orientando os fazendeiros a retirar os animais o mais rápido possível da Nhecolândia onde, segundo previsão da Agesul (Agência Estadual de Empreendimentos), a Estrada- Parque poderá ser interditada dentro de 25 dias. As águas dos rios Miranda, Aquidauana, Negro e Abobral invadiram os campos. A cheia é mais forte nas sub-regiões da Nhecolândia e Paiaguás, por conta também do transbordamento do Rio Taquari, atingindo as propriedades situadas até a Serra do Amolar, ao norte de Corumbá. O pantaneiro Armando Lacerda, dono do Porto São Pedro, relatou que as baías receberam muita água. “Virou um mar, e o Paraguai está encostando no barranco”, disse. Algumas fazendas do Paiaguás estão isoladas, onde chega- se apenas de avião, informou o presidente do Sindicato Rural, Raphael Kassar. “O gado tem que se retirado logo, senão é prejuízo na certa”, alertou ele. Entre a foz do Cuiabá e Corumbá (cerca de 220 quilômetros), o Rio Paraguai já inunda algumas casas de ribeirinhos e ameaça a escola rural do Paraguai-Mirim. Chuvas Nessa região, chove todos os dias, aumentando a concentração de pernilongos, o que se percebe quando o barco atraca no barranco. Nuvens do inseto atacam, incomodando quem não se preveniu e levou repelente. Os nativos estão acostumados e alguns ficam sem camisa na porta da casa, acenando para quem passa ao longe, pelo rio. O calor também é insuportável. Ontem o R io Paraguai registrou a marca de 3,07 metros na régua de Ladário, subindo cinco centímetros em dois dias. A água já cobre praticamente toda a estrutura do Farol Balduíno, em frente ao porto geral de Corumbá. Mato Grosso Em Cáceres, cidade banhada pelo Rio Paraguai, ontem pela manhã, de acordo com a régua instalada em frente ao cais da Praça Barão do Rio Branco, o nível do rio estava em 5,57 metros. Mas, segundo dados da Defesa Civil do município, o rio ainda está 17 centímetros acima do nível de alerta estabelecido pelas autoridades de segurança municipais, que é de 5,40 metros. O prefeito de Cáceres, Túlio Fontes, decretou situação de emergência por conta das chuvas que assolaram a cidade no último dia 11, por 15 horas ininterruptas, alagando 19 bairros e causando estragos nas zonas urbana e rural. Relatório feito na última semana pela Comissão Municipal de Defesa Civil mostra que mais de 30 pontes, o equivalente à metade dos acessos a comunidades rurais, foram destruídas, além de danos nas estradas vicinais – 40% delas estão intransitáveis. Os prejuízos atingem a zona rural, onde o transporte escolar está paralisado, e também produtores de leite e agricultores, que estão impedidos de transportar a produção.

Leia Também