Quinta, 23 de Novembro de 2017

Farc libertam militar; Brasil integra missão de resgate

29 MAR 2010Por 10h:37
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram ontem o soldado colombiano José Daniel Calvo, de 23 anos, que estava em seu poder há quase um ano. Calvo foi capturado pelas Farc em 20 de abril de 2009 na zona rural de Vista Hermosa, no departamento de Meta, região central do país. As Farc afirmam que o militar foi abandonado ferido na perna por seus companheiros do Exército durante um enfrentamento com os rebeldes. O governo nega essa versão e diz que Calvo foi capturado pela guerrilha nesta ocasião. Calvo desembarcou de um helicóptero brasileiro cedido pelo Governo para a missão de resgate na tarde de ontem no aeroporto da cidade de Villavicencio – capital do Departamento de Meta, cerca de 75 km ao sudoeste de Bogotá. O Brasil foi incumbido de recolher o militar sequestrado pelas Farc em um ponto não revelado da selva colombiana. O helicóptero brasileiro, um Cougar, transportou os membros da delegação humanitária, composta pela senadora colombiana Piedad Córdoba, dos delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do monsenhor Leonardo Gómez – representando a Igreja Católica, que integraram a missão de resgate. Calvo, assim que desembarcou, foi transferido para o Hospital Militar de Bogotá em uma aeronave militar. O soldado é o primeiro refém a ser libertado de forma unilateral pelas Farc em 13 meses. No início de 2009, a guerrilha libertou seis homens, entre eles dois políticos e vários militares que estavam em seu poder havia mais de seis anos. Acordo humanitário Horas antes do resgate de Calvo, a senadora Córdoba advertiu que esta será a “última entrega” de reféns que as Farc farão de maneira unilateral e incondicional, como vinha ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram colocados em liberdade. O grupo armado busca negociar um acordo humanitário com o governo que prevê a libertação de pelo menos 500 guerrilheiros presos em troca de 22 oficiais – entre soldados e policiais – que fazem parte do chamado grupo de “prisioneiros de guerra” da guerrilha. Na semana passada, Córdoba pediu ao alto comissário para a Paz na Colômbia, Frank Pearl, que desenhasse uma proposta de acordo para ser concretizada antes do fim do mandato do presidente Álvaro Uribe, que termina em agosto. “Não é necessário desmilitarização, apenas uma mediação internacional”, afirmou a senadora. Por enquanto, o governo Uribe resiste a negociar com a guerrilha e insiste nos resgates forçados como saída para libertar os demais oficiais presos. Na terça-feira, uma operação de resgate deverá libertar o soldado Pablo Emilio Moncayo, o mais antigo refém das Farc, preso há 12 anos. Se concretizada sua libertação, terá fim um dos mais emblemáticos casos que marca o conflito militar interno na Colômbia.

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