Terça, 21 de Novembro de 2017

Falta de trabalhadores inflaciona salários da construção civil

14 JUL 2010Por 07h:55
Rose Rodrigues, Três Lagoas

Três Lagoas, na divisa com São Paulo, convive há mais de quatro anos com a falta de profissionais da construção civil. A partir de 2008, esse tipo de profissional vem sendo disputado e o preço da diário pulou de R$ 30 para R$ 80.
Hoje, a carência é de pelo menos 500 profissionais, conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). No Estado, o déficit é de 10 mil trabalhadores. A partir de outubro, quando começarem as obras de novas empresas de papel e celulose, 3 mil vagas serão abertas no setor.
A situação piorou muito na cidade desde a época da construção das fábricas de papel e celulose da International Paper e Fibria (antiga VCP). Além da demanda crescente nas nove agências de empregos, no Centro Integrado de Atendimento ao Trabalhador (Ciat), aumenta a cada dia a procura por profissionais da área, principalmente pedreiros. Também são muito procurados marceneiros, azulejistas e eletricistas.
Segundo o coordenador do Ciat, Ivan Alkimin, há uma demanda diária de mais de 20 profissionais e só nas obras de reforma e ampliação da Termelétrica, “há uma demanda de quase 150 profissionais, pois a rotatividade no setor é enorme.
Para ele,   a escassez dos profissionais da área de construção civil não se deve apenas ao número reduzido de profissionais. Ele explica que a maioria prefere ser autônoma e trabalhar em várias obras ao mesmo tempo.
Ele também destacou que a falta de qualificação impede a indicação para cargos com melhores salários. “Existem muitos profissionais disponíveis, mas  sem a qualificação necessária. A maioria quer trabalhar como auxiliar,  por não saber o oficio”, disse.  Segundo ele, em  média há uma demora de 15 dias para efetuar uma contratação comum. Na construção civil demoramos 40 dias.

Lei virtual
Outro fator que foi importante para a escassez desses profissionais no mercado é a determinação da prefeitura de Três Lagoas que exige das indústrias que pelo menos 68% dos trabalhadores a serem contratados pelas indústrias incentivadas sejam moradores da cidade há pelo menos dois anos. Essa orientação já foi em parte respeitada durante a construção das indústrias já instaladas nos últimos cinco anos e deverá valer para as novas construções, da nova fábrica de celulose, da Siderúrgica e da fábrica de fertilizantes da Petrobras.
Apesar da intervenção da prefeitura  em favor dos trabalhadores, a própria prefeita Márcia Moura reconhece que há dificuldades por parte das empresas em cumprir essa determinação. “Muitas vezes somente com a importação de profissionais de outros estados é que o cronograma consegue ser cumprido”, disse.
O aquecimento do mercado imobiliário e a vinda de indústrias fornecedoras para Três Lagoas também provocaram um aumento nos salários e nas diárias dos trabalhadores na construção civil. Embora ainda estejam abaixo da média salarial considerando todos os setores da economia, as remunerações tiveram melhora significativa nos últimos dois anos.

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