Quarta, 22 de Novembro de 2017

Facetas interpretativas

6 AGO 2010Por 18h:16
Mariana Trigo, TV Press

Simone Soares adora se transformar a cada trabalho. Para ela, mudar radicalmente a cor e o corte dos cabelos chega a ser o mais simples. Mais difícil mesmo foi ter de emagrecer 27 kg após a gravidez para continuar com curvas enxutas para sua coleção de personagens sensuais na tevê. “Vale tudo por uma personagem”, acredita. Foi justamente a faceta sexy e misteriosa de Fernanda, sua vilã em “Escrito nas estrelas”, que mais atraiu a atriz. Acostumada a personagens provocantes, como a loura platinada Nina, da minissérie “Maysa”, ou a ruiva Vicky Veronese, de “Malhação”, pela primeira vez a atriz se debruçou em pesquisas para uma personagem realmente má. Para viver a cúmplice do maquiavélico Gilmar, de Alexandre Nero, Simone vasculhou sua memória televisiva. “A Maria de Fátima de ‘Vale tudo’ me inspirou muito. Ela mostrava que o Bem e o Mal está em todo mundo. Tem várias Marias de Fátima por aí”, constata, ajeitando os encaracolados cabelos castanhos de sua atual personagem.
Para se aprofundar ainda mais na composição da enfermeira, Simone novamente voltou no tempo e lembrou de quando pensou em cursar Medicina, aos 18 anos de idade, influenciada por um antigo namorado. Mas, para o papel, grudou em uma amiga de infância que é médica e a acompanhou por cinco dias em seus plantões de trabalho. “Pesquisei muito, assisti a seriados médicos e até comprei um estetoscópio rosa que nunca usei”, confessa, aos risos.
No entanto, o que esta atriz de Taubaté, interior de São Paulo, mais tem usado com a personagem da trama de Elizabeth Jhin, é sua intuição para tentar antever o futuro da personagem nesta reta final. Para Simone, que cresceu numa família que se divide entre as religiões espírita, católica e evangélica, o espiritismo acabou falando mais forte e convenceu a atriz a seguir a doutrina mesmo antes da trama das seis. “Sou espiritualista. Meus cachorros se chamam Dalai Lama, Shiva, Angel e Osho. Por isso, acho que a gente sempre deve dar uma chance para as pessoas se transformarem para melhor. Isso pode acontecer com a Fernanda e o Gilmar”, torce a atriz de 33 anos, antes de emendar. “Temos de ser otimistas. Mas, se isso não acontecer, gostaria que a Fernanda entregasse o Gilmar para a polícia. Isso se ele não a matar antes, já que ela é a única personagem que sabe de todas as armações dele”, avalia.
Animada com a boa audiência da trama das seis, a atriz começa a comemorar uma época mais estável na profissão. Afinal, desde que estreou na Globo em “A lua me disse”, em 2005, não emendava consecutivamente tantas produções. “Já sei que estou reservada para duas novelas que vão estrear, mas não sei em qual vou entrar”, desconversa a atriz, que estreou na tevê quando ainda morava em sua cidade natal e se sustentava vendendo carros. Sua primeira aparição foi como apresentadora do “Economania”, uma espécie de programa de vendas de uma afiliada da Band. Em seguida, foi para a extinta Manchete trabalhar com Raul Gil comandando um quadro de entrevistas. De lá para cá, trabalhou no SBT com Moacyr Franco até estrear na trama “Marisol”, em 2002. “Fiz muita publicidade também. Com isso, juntei meu pé de meia para estudar muito como atriz e ir atrás do que eu queria”, lembra.
Além de torcer para logo assinar contrato longo com a Globo, Simone pretende se dedicar mais ao cinema este ano. Depois de rodar “Assalto ao Banco Central”, de Marcos Paulo, na pele de uma repórter, a atriz agora torce para atuar em um longa da diretora Fátima Toledo. “Tenho uma força de vontade enorme para conseguir o que quero. Costumo meditar e ir para a ioga para me concentrar e me abastecer de energia”, ensina.

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