Domingo, 19 de Novembro de 2017

Exposição revela cenas do cotidiano em telas

2 MAR 2010Por 05h:54
Na década de 1980, artistas sul-mato-grossenses e alguns de outros pontos do País, fixados por aqui, adotaram em suas produções a pesquisa da cultura indígena do Estado. As obras refletiam o orgulho local e a tentativa de estabelecer identidade própria. Denominado Unidade Guaicurus, reuniu nomes como Henrique Splenger (falecido), Miska, entre outros. Muitos se afastaram da proposta inicial do grupo, outros ainda consideram a iniciativa válida e a cada novo trabalho reafirmam a proposta do passado. O artista Adilson Schieffer é um deles. Na exposição que se inicia hoje, às 19h30min, na Morada dos Baís, será possível observar que as telas produzidas estão em conexão direta com ideais da Unidade Guaicurus, sem perder de vista a contemporaneidade. “Gosto de artistas que sempre estão inovando, procuro fazer o mesmo com as minhas telas, não gosto de quem sempre parece fazer o mesmo trabalho”, critica Adilson, que nasceu no interior de São Paulo e chegou ao Estado em 1983. Desde os primeiros momentos, influenciou-se pela arte kadiwéu com seus desenhos geométricos, tatuagens e cerâmica. As telas, ao longo da carreira, mostraram formas abstratas até figurativas, sem perder de vista a inspiração inicial. “Sempre mantive a proposta ideológica do início da minha carreira”, defende. Serão 17 telas, numa exposição que até ontem não tinha nome definido. “Pode colocar ‘As flores do meu jardim’. Afinal, Mato Grosso do Sul é um jardim. Mostro as flores desse jardim”, explica. Convidado pela coordenação da Morada dos Baís para expor, inicialmente pretendia mostrar somente telas inéditas, mas por causa da doença de sua mãe, não pode se dedicar à produção dos novos trabalhos previstos. “Fiz 10 novas telas para exposição, mas faltariam as outras que tinha proposto. Para solucionar a questão, emprestei telas que tinha comercializado no fim do ano passado. De certa forma, continuam inéditas para o público”. A técnica utilizada pelo artista é acrílico sobre lonita. A pintura é feita em relevo, recebendo cor na etapa final. As imagens apresentam mãe e filhos, crianças, adultos em cena do cotidiano. Um exemplo: menino indígena tomando tereré.

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