Exército implantará no Rio força de paz igual à do Haiti

O comandante do Exército disse que a missão não será estranha, pois já é desempenhada fora do País

RIO 03/12/2010 04h20

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Foto: ARQUIVO
O Exército tem 800 paraquedista no Complexo do Alemão

O Exército brasileiro implantará uma força de paz no Rio semelhante à que atuou no Haiti. A ação ainda não tem data para começar e ainda está sendo planejada, disse o comandante-geral do Exército, general Enzo Martins Peri, ao chegar no Complexo do Alemão, na Penha, no Rio.

Até agora, as ações nas favelas do Rio de Janeiro estão sendo comandadas pela polícia. O Exército tem 800 homens da Brigada de Infantaria Paraquedista no local, que atuam em operações de cerco e isolamento.

O comandante disse que a missão não será estranha à Força, pois já é desempenhada fora do País. "Nós já fazemos ações policiais. Mas desse tipo, com essa magnitude, é a primeira", afirmou. Disse também que não teme qualquer desvio de conduta dos soldados, por conta de provocações de criminosos. "Nós estamos sempre atentos a isso tudo. O risco é inerente".

Em entrevista ele falou também sobre as ameaças sofridas pelos militares que atuam no Rio. Ele disse que, se necessário, o Exército vai dar proteção a estes homens. Segundo ele, as Forças Armadas estão investigando as possíveis ameaças.

"Nosso trabalho de inteligência está averiguando e definindo a extensão e profundidade (das ameaças). Nós daremos a proteção necessária", garantiu.

O comandante do Comando Militar do Leste, general Adriano Pereira Junior, que acompanhou a inspeção realizada pelo comandante do Exército, afirmou que a Força dispõe de 8.000 homens em condições de atuar no conceito de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) – policiamento urbano –, e que estão prontos para reforçar operações em outras favelas do Rio de Janeiro.

O Complexo do Alemão foi ocupado domingo (28), com o apoio das Forças Armadas, praticamente sem resistência dos traficantes. Na quinta-feira da semana passada, policiais já tinham entrado na Vila Cruzeiro, favela vizinha ao complexo. As ocupações ocorreram após uma série de atentados ocorridos na cidade, que resultaram em mais de cem veículos queimados.

As ações criminosos seriam uma retaliação dos traficantes contra a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em morros e favelas, segundo as autoridades de segurança.


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