Sexta, 17 de Novembro de 2017

Excesso de milho vai exigir ações especiais

22 MAR 2010Por 01h:09
O mercado está abarrotado de milho, mas o agricultor não tem opções para a safra de inverno. Por isso, está tendo que plantar o milho safrinha. O preço está péssimo e as perspectivas são de uma safra muito boa o que aponta para preços ainda piores no futuro. O que fazer frente a esse quadro? O Governo do Estado intercede junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no sentido de que sejam assegurados os instrumentos que facilitem ao máximo a comercialização futura e o escoamento dos excedentes da produção que, parece, vão ser muito grandes. Outra saída, e o Governo do Estado prega isso, é incentivar o consumo interno do milho, o que seria possível com a expansão de atividades como a avicultura e a suinocultura. Na Secretaria da Produção se fala hoje, também, em incentivar o consumo de milho na pecuária bovina. Isso seria possível com a expansão dos confinamentos principalmente. A área cultivada com milho em MS deve cair em torno de 10% (de 850 mil ha em 2009 devem ser cultivados menos de 770 mil) mas a produção deve ser significativamente maior por causa das excelentes condições de clima: de 1 milhão 810 mil toneladas na safrinha do ano passado, neste ano a produção pode superar 2,5 milhões de toneladas. A grande preocupação em relação a safrinha em MS é com o excesso de produto no mercado e com os preços futuros ainda piores do que os atuais, na faixa de R$ 12,50 a saca. Outra grande preocupação é com o armazenamento da safrinha. Segundo o corretor Vilmar Hendges, de Campo Grande, se o Governo e as cerealistas não se mexerem e conseguirem contratos de exportação de 8 a 10 milhões de toneladas após a colheita da safra de inverno, “vai ser um Deus nos acuda, pois vai ter milho saindo pelo ladrão”. Segundo ele, hoje no Estado de Mato Grosso há um estoque superior a 2 milhões de toneladas que o Governo não sabe o que fazer com ele. “A Conab tem promovido leilões, mas não existe demanda, não tem quem se interesse em comprar”, afirma. Em Mato Grosso do Sul ele calcula que ainda existam de 600 mil a 700 mil toneladas de milho estocadas e se esse volume de produção não sair dos armazéns, além de surgirem problemas de armazenagem na hora da colheita da safrinha, o preço do milho deve despencar ainda mais no futuro. “Quem plantou a safrinha cedo está vendo sua lavoura se desenvolver muito bem. As condições de chuva e clima tem sido excelentes, com raras exceções de veranico em algumas poucas regiões”, avalia Vilmar Hendges. Para ele, não há outra saída para o Brasil a não ser conseguir exportar muito milho. No nordeste de MS As áreas em Chapadão do Sul e região onde a soja já saiu, foram ou estão sendo ocupadas pelo milho segunda safra ou pelo sorgo. O corretor Pedro Calgaro não soube informar o tamanho da área do milho safrinha uma vez que a maior parte ainda está sendo plantada. “Em janeiro na nossa região foi plantado o algodão que agora está com o preço excelente, R$ 49 a arroba. Se São Pedro ajudar, teremos uma boa safra, apesar de alguns problemas como um certo atraso no plantio, incidência do percevejo castanho entre outras pragas. Mas agora, o tempo firmou e as lavouras de algodão estão em recuperação. E o milho safrinha começa a ser cultivado apesar do descontentamento dos produtores com a baixa remuneração da soja e as perspectivas ainda piores com o milho a R$ 12,50 a R$ 13 a saca”, analisou o corretor. (MH)

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