Mesmo com previsões de chuvas irregulares no trimestre abril-junho, o mês 4 deste ano já registrou mais de 260 milímetros na Capital a três dias de terminar
Faltando três dias para acabar o mês, abril de 2026 já é o mais chuvoso da última década em Mato Grosso do Sul. Até a tarde desta segunda-feira, o acumulado de chuvas registrado em Campo Grande pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi de 260,2 milímetros, o maior volume entre os meses de abril desde 2017.
Marcado por ser um mês de transição entre o verão e o inverno, o mês não costuma ter alta incidência de chuvas. No ano de 2021, por exemplo, o acumulado de chuvas de abril em Campo Grande foi de 53,6 milímetros.
No entanto, esporadicamente, grandes acumulados já foram registrados na Capital, como em 2017, que choveu 157 milímetros no mês e no ano passado, onde o acumulado foi de 204,8 milímetros.
Neste ano, o mês também ultrapassou os volumes registrados em março e janeiro, que foi de 149,2 milímetros e 134,4 milímetros, respectivamente. Até agora, o mês mais chuvoso do ano foi fevereiro, quando foram registrados 351,4 milímetros, se tornando o fevereiro mais chuvoso dos últimos 24 anos na Capital.
Segundo os gráficos do Inmet, o mês de abril foi chuvoso não por chover durante muitos dias constantemente, mas pelos grandes volumes diários registrados nos 11 dias de chuva. No dia 8 do mês, o acumulado registrado foi de 69,2 milímetros, sendo o dia mais chuvoso do mês.
Essas condições estão atreladas à atuação de cavados e áreas de baixa pressão atmisférica no território, que indicam a possibilidadede de chuvas e tempestades. . Nesta última semana do mês, as precipitações são influência da passagem de uma frente fria nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País.
Chuvas irregulares
A previsão probabilística elaborada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) aponta para um período de chuvas irregulares no Estado no trimestre de abril a junho, com volumes abaixo da média histórica.
"Esse déficit hídrico, somado a temperaturas ligeiramente acima do normal, favorece a ocorrência de períodos mais quentes especialmente em dias de baixa nebulosidade o que pode comprometer o desenvolvimento das culturas de inverno e reduzir os níveis de rios e reservatórios", afirmou o Centro.
Os episódios de ondas de calor e chuvas irregulares ocorrem por influência do El Niño, com indícios de intensificação gradual a partir do segundo semestre, o que pode favorecer novas ondas de calor no Estado.
Mato Grosso do Sul
A passagem da frente fria no Estado já começou a ser sentida já no final do último domingo (26). Logo pela manhã desta segunda-feira (26), informações do meteorologista Natálio Abraão mostraram registros de volumes expressivos em municípios como Dois Irmãos do Buriti (35,4 mm), Aquidauana (29,6 mm) e Dourados (12,6 mm).
Em Campo Grande, os maiores acumulados ficaram na região sul (11,4 mm), além de índices no Carandá (8,8 mm) e Centro (7,6 mm).
O destaque fica para Três Lagoas, onde o volume chegou a 68,2 mm em ponto monitorado, entrando em nível de alerta. Também houve acumulados significativos, como em Dourados (mais de 10 mm durante a madrugada) e Ponta Porã, que registrou picos acima de 10 mm no fim da noite de domingo.
Para os próximos dias, a tendência é de manutenção das instabilidades até terça-feira (28). A partir de quarta (29), o tempo começa a abrir gradualmente, com elevação das temperaturas, que podem chegar a 35°C até sexta-feira (1º). As chuvas devem continuar até, pelo menos, quinta-feira (30).