Mato Grosso do Sul concentra maioria das mortes pela doença no Brasil e vive cenário crítico em 2026
Em meio à situação de calamidade pública na saúde em Dourados (MS), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) intensificou a articulação política junto ao Ministério da Saúde para garantir apoio emergencial ao município, que enfrenta avanço expressivo de casos de chikungunya.
Na manhã desta terça-feira (21), o parlamentar entrou em contato direto com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçando demandas já apresentadas anteriormente em reuniões presenciais.
A iniciativa faz parte de uma mobilização contínua do senador em Brasília para acelerar a liberação de recursos, tecnologias e suporte operacional à rede local de saúde.
Como resultado dessas tratativas, Nelsinho Trad já havia obtido, na última semana, o compromisso do ministério para a adoção de novas tecnologias no combate ao mosquito Aedes aegypti, incluindo soluções desenvolvidas em parceria com a Fiocruz.
Ele também solicitou a inclusão de Dourados em testes de vacinas contra a chikungunya, além do envio de reforço da Força Nacional do SUS para ampliar a capacidade de resposta no município.
Dourados começou a receber, de forma escalonada, 43,5 mil doses de imunizantes, que devem ser aplicadas nos próximos dias. A medida é considerada estratégica diante do avanço da doença.
“Estamos diante de uma situação muito séria em Dourados e isso exige atenção total. Desde dezembro temos buscado a inclusão do município em iniciativas com novas tecnologias e reforçado pedidos por mais estrutura para enfrentar o mosquito com eficiência”, afirmou o senador.
O decreto de calamidade pública tem validade de 90 dias. Dados municipais apontam mais de 6,1 mil casos prováveis de chikungunya, com taxa de positividade de 64,9%. A pressão sobre o sistema de saúde é crítica: a ocupação de leitos já chegou a cerca de 110%, elevando o risco de colapso.
Nelsinho Trad também alertou para a gravidade da situação no Estado. “Crianças estão morrendo por chikungunya em Mato Grosso do Sul. É uma doença antiga, transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, e mesmo assim estamos enfrentando esse cenário”, declarou.
Aliado do prefeito Marçal Filho, o senador defende uma atuação integrada entre os entes federativos. Segundo ele, a articulação política tem sido fundamental para acelerar as respostas.
“Já enfrentei epidemias como gestor e sei que a demora agrava a crise. Por isso, estamos atuando diretamente para garantir prioridade a Mato Grosso do Sul. O momento exige resposta rápida, coordenação e investimento em tecnologia e estrutura”, concluiu.
Epidemia
Mato Grosso do Sul enfrenta uma grave epidemia de chikungunya em 2026, com 12 mortes confirmadas até meados de abril — número que representa 63% de todos os óbitos registrados pela doença no país. O cenário acende alerta das autoridades de saúde diante do avanço acelerado da doença e da alta incidência de casos no estado.
Dados atualizados apontam que já são mais de 6 mil casos prováveis de chikungunya em território sul-mato-grossense, com uma incidência cerca de 15 vezes superior à média nacional. A situação é considerada crítica, especialmente pela rápida disseminação do vírus e pela pressão sobre o sistema de saúde.
Entre os municípios mais afetados, Dourados concentra a maior parte das mortes, com oito registros. Também foram confirmados óbitos em Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1), evidenciando a interiorização da epidemia.
O perfil das vítimas reforça a preocupação das autoridades sanitárias: a maioria dos mortos são idosos com mais de 60 anos, além do registro de duas mortes de bebês, o que demonstra a vulnerabilidade de extremos de idade diante da doença.
Outro fator que agrava o cenário é o alto índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, dengue e zika. Atualmente, 67% dos municípios do estado estão em nível de alerta para a presença do vetor, aumentando o risco de novos casos e dificultando o controle da epidemia.
Diante do avanço da doença, especialistas reforçam a necessidade de intensificação das ações de combate ao mosquito, eliminação de criadouros e atenção redobrada aos sintomas, principalmente entre os grupos mais vulneráveis.
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