Sexta, 17 de Novembro de 2017

Estudantes ignoram lei e cobram pedágio

9 MAR 2010Por 07h:38
Ontem, primeiro dia de aula em 2010, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), calouros e veteranos circulavam pela universidade e também faziam pedágio nas avenidas próximas à UFMS, uma prática que é proibida por lei. “O trote serve como uma recepção para os alunos que estão chegando na universidade. O pedágio faz parte do trote. Não estamos fazendo mal a ninguém, e só estamos aqui porque queremos participar da confraternização”, disse um dos calouros da UFMS, que estava no pedágio no cruzamento da Via Morena com Avenida Costa e Silva e não quis se identificar. O dinheiro arrecadado pelos acadêmicos no pedágio será revertido para festa de calouros. No corredor central da UFMS, muitos estudantes – calouros e veteranos – seguiam o protocolo do trote que todos os anos acontece no estabelecimento de ensino. “A gente apresenta as salas, os laboratórios onde os alunos que estão chegando vão estudar. Pintamos o rosto e corpo com tinta, cortamos o cabelo dos meninos, mas, tudo de forma bem tranquila. Só participa, quem quer”, disse André Tolentino, 19 anos, veterano do curso de Biologia que acompanhava um grupo de calouros do seu curso. Outro calouro que participava do trote, ontem, Matheus Viegas, 17 anos, do curso de ciências da computação, disse ter sido bem recebido pelos veteranos que apresentaram a universidade à turma, rasparam o cabelo dos garotos e pintaram o rosto de quem participou do trote. “Este é um momento da nossa vida que a gente não esquece. Acho importante participar, confraternizar com as pessoas, pintar o rosto”, apontou. Contra a violência Diante de notícias sobre trotes violentos em outras instituições de ensino no país, e para evitar e coibir esta prática na UFMS, a assessoria da universidade informou que uma comissão foi criada para apurar possíveis denúncias de abusos cometidos durante o trote em 2010. Na comissão estão dois servidores da universidade, dois advogados representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um acadêmico representando o corpo discente. Segundo a UFMS, as restrições e critérios de punição foram estabelecidos com base na Lei Estadual 6384/2004, que versa sobre a proibição do pedágio; a Lei Municipal 3683/1999, que trata do risco à integridade física e/ou moral dos calouros em trotes, e na Resolução 03/1987 do Conselho Universitário (Coun), publicada na última quarta-feira a qual proíbe até pinturas e cortes de cabelos nos alunos. De acordo com a comissão, serão investigados apenas casos denunciados. A punição para os alunos, por parte da universidade, vai de uma advertência até a expulsão da instituição de ensino. O aluno também poderá responder criminalmente por seus atos, dependendo da gravidade do caso. A Comissão de Trote disponibiliza um e-mail para denúncias de abusos: comissao. trote@ufms.br. O anonimato do denunciante será mantido, se o requerente assim preferir.

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